RODA DA VIDA

Oramos pela vida e saúde dos homens de Paz no Mundo, Homens e Mulheres com missões dificílimas, de dação de esperança e de forte influencia contra a corrupção que assola o mundo e o mantém cativo na desgraça da injustiça. Louvemos estes inspirados irmãos e irmãs, desde os mais influentes, como Francisco Pai da Igreja Católica, Dalai Lama Pai dos Budistas, e tantos outros em suas respectivas importâncias, que movem o mundo com a força de suas Almas devotas, num mundo melhor para todos, mais justo, onde os indefesos não estejam à mercê de nenhum tirano, onde o único exercito ou militar à face da terra seja a serviço do Amor ao Próximo - Oremos diáriamente pela Mãe Terra, nosso planeta que tanto precisa de nossa atenção e nossas preces pelas causas ecologistas, sejamos a diferença que queremos ver no respeito pelo ambiente, elevemos o pensamento no sentido de todos mantermos a calma perante a ameaça da pandemia COVID-19 - Assim seja
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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Os invisíveis que estão connosco

A noite seguia festiva no amplo auditório da Universidade. Pais, familiares, amigos tomavam quase todas as poltronas.

A entrada dos formandos, um a um, sob os flashes dos fotógrafos, se sucedia, num mar de emoções.

Pais orgulhosos, lembrando as horas intermináveis de estudo, o esforço para a conquista do diploma universitário do filho;

Pais que mal continham as lágrimas, nas recordações dos pequenos há pouco e agora recebendo os louros de um curso concluído.

Havia esposos, namorados, padrinhos e madrinhas. E as manifestações de uns e outros, aconteciam, a cada formando que tomava assento no grande palco.

Depois, foram os discursos. E as homenagens aos professores, aos pais, aos colegas.

No entanto, houve um momento mais especial de todos os demais. Foi quando a festa transcendeu as paredes do auditório.

Transpôs fronteiras e estabeleceu uma ponte com a Espiritualidade. Anteriormente, o nome de Deus, o Senhor da vida, fora lembrado mais de uma vez.

Prece de gratidão se erguera e fossem religiosos ou não, os minutos se transformaram em envolvente vibração.

Então, o mestre de cerimónias anunciou que seria prestada uma homenagem aos que não estavam presentes.

As luzes se apagaram e todos foram convidados a acender a lanterna dos seus celulares. O ambiente parecia um céu de minúsculas estrelas brilhantes.

E, enquanto eram lembrados pais que haviam partido, uma esposa, um amigo, aquelas pequenas luzes brilhando, nas mãos que se movimentavam, diziam que eles, os invisíveis, estavam ali.

Sim, essa era a mensagem. Eles estavam invisíveis, mas presentes, ao lado dos seus amores.

Não houve quem não derramasse uma lágrima, furtiva que fosse.

As vozes embargadas das formandas, responsáveis pela homenagem, quase não conseguiam chegar ao final do texto previamente preparado.

Foram instantes de uma vivência espiritual. Instantes em que os dois mundos se interpenetraram e os do lado de cá nos demos conta disso.

Os mais sensíveis sentiram os abraços, os afagos dos que estavam na Espiritualidade.

Com certeza, foi o momento mais extraordinário daquela noite.


Como seria bom se repetíssemos mais vezes essas vivências, em nossas vidas. Se lembrássemos de estabelecer essa ponte de comunicação com os que se foram.

Afinal, a fronteira da Espiritualidade inicia exactamente quando finda a fronteira da vida material.

E bastará um pensamento de tempos felizes juntos vividos, para que façamos a conexão com as suas mentes.

Eles, como nós, sentem saudades. E, muitas vezes, nas horas do dia ou nas horas mortas da madrugada, nos procuram.

Não os sentimos, habitualmente, porque nos encontramos imersos em preocupações. Então, vez ou outra, permitamo-nos sentir abraçados por esses que prosseguem nos amando.

Porque o amor não acaba nunca. Não fica encerrado em uma urna ou vira cinzas.

A alma imortal leva consigo o perfume dos seus amores, a doce lembrança dos que ficaram e, de onde se encontra, envia seu carinho.

São como pequenos ramalhetes de delicadas flores que nos são endereçados.

Permitamo-nos sentir-lhes o perfume. Oremos. Pensemos neles, endereçando-lhes nosso amor, a eles, os invisíveis que estão connosco.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Nossos protectores invisíveis

Essa brisa singela que te sopro,

É meu desejo de te ver navegante.

Minhas mãos... Não podem tocar teu leme.

Meus braços... Não podem içar tuas velas.

Para ti, sou apenas vaga inspiração, que se mistura aqui e ali aos teus próprios pensares.

Sou ideia sem nome. Sou sentido distante. Sou vento.


Diz um provérbio popular que há um  Deus para as crianças, para os loucos e para os bêbados. Há mais veracidade nesse ditado do que se imagina.

Esse suposto Deus, outro não é senão nosso Espírito protector, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

Da mesma forma que a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos, sob os olhares enternecidos de seus carinhosos pais, assim também, sob o amparo invisível de nosso Pai espiritual, somos muito bem assistidos nos combates da vida terrestre.

Todos temos um desses génios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e nos orienta para o bom caminho. É o nosso anjo da guarda.

Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a nos socorrer, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral.

O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis vêem todos os nossos atos, alegrando-se ou se entristecendo, deve nos estimular a mais sabedoria e ponderação.

É por essa protecção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne.

É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres, revertendo tudo para Deus, Pai das almas, foco de todas as potências efectivas.

O Espírito protector é ligado ao indivíduo desde o nascimento e, muitas vezes, o segue após a morte, na vida espiritual. Até mesmo em muitas existências corporais.

Vejamos o quanto é maravilhoso saber disso. Quanto cuidado do Criador para com cada um de nós, independente de quem somos, raça, credo e até mesmo, se somos homens de bem ou não. Nunca poderemos dizer que não fomos ajudados, que não se importavam connosco ou que estivemos abandonados em algum momento. Portanto, contemos com eles, nossos anjos de guarda, nossos protectores invisíveis.

Criemos uma linha de comunicação mais frequente, tentemos elevar nosso pensamento para que ele vibre nas frequências sutis dos pensamentos deles. Então, poderemos ouvir seus alertas, buscando nos guiar, suas sugestões e respostas aos nossos apelos.

Benditos sejam nossos Espíritos protectores, carinhosos amigos que do anonimato nos amam intensamente.

com base no poema A  voz do vento, de Andrey Cechelero; na questão 492, de O livro dos Espíritos; no cap. 3, item 14, do livro A Gênese, ambos de Allan Kardec e no cap. 35, do livro Depois da Morte, de Léon Denis

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Adoração a Deus

Em seu Evangelho, o Apóstolo João relata, com sentimento e poesia, o encontro de Jesus com a mulher samaritana.

No longo diálogo, percebe-se que Jesus conhece a intimidade daquela alma sofredora e perturbada, enquanto ela mesma somente aos poucos vai se dando conta da condição de Jesus, à medida que ouve suas palavras.

Acredita-o um profeta. Mas Israel tinha tantos profetas.

No desdobramento das falas, o Mestre lhe informa acerca da verdadeira adoração ao Criador, que dispensa lugares geográficos, mas que busca o íntimo das criaturas.

A mulher ouve e entende, mas não consegue perceber a autoridade naquelas palavras.

É como se ela pensasse: O que tu me dizes é interessante, é importante mesmo, mas aguardo o Messias, o Cristo, que virá, e, quando Ele vier, nos anunciará todas as coisas.

*   *   *

Muitos de nós somos como a samaritana. Guardamos as palavras de Jesus na memória, sem lhe darmos o verdadeiro crédito, como à espera de uma confirmação.

Contudo, os ensinos de Jesus seguem claros e disponíveis a todos os que os queiram entender em espírito e verdade.

Para o Cristo, a adoração ao Pai não é importante se dê aqui ou ali, em algum templo luxuoso, em lugar minúsculo ou em plena natureza.

Em síntese, a alma humana também compõe a natureza, e é a alma humana a que tem condições de pensar em Deus.

Por isso mesmo, não há lugar mais apropriado para a adoração ao Criador do que a intimidade do ser.

Para adorar a Deus não há necessidade de nada material: nem símbolos, nem flores, nem velas, cânticos ou palavras. Nem mesmo posturas especiais.

Basta o coração que sente e a mente que pensa, fechando o circuito entre a criatura e o Criador.

*   *   *

Porque a samaritana esperasse a chegada do Messias, para tudo confirmar, o Mestre apresentou-se a ela não como mais um profeta de Israel, mas como sendo o próprio Messias esperado com tanta ansiedade: Eu o sou, Eu que falo contigo.

Especial momento aquele, de insuperável sublimidade.

Jesus é assim mesmo: o Caminho da Verdadeira Vida.

Quando nos demoramos em dúvidas, ou quando damos passos indecisos, Ele se mostra de diversas maneiras, em nossas existências, afirmando-se o Cristo de Deus, o Messias.

Eu o sou, Eu que falo contigo.

E os que temos ouvidos de ouvir, podemos perceber-lhe a voz terna, assegurando-nos o constante ensino.

Você sabia?

...que o episódio de Jesus com a samaritana, ocorreu num mês de Dezembro ou Janeiro?

No Seu diálogo, Jesus selou o ensino acerca da verdadeira adoração ao Pai com estas palavras: Virá a hora em que adorareis ao pai, não neste monte, nem em Jerusalém, mas em espírito e verdade, pois Deus é espírito e os que o adoram, em espírito e verdade é que devem adorá-lo.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Meditar... Respirar

É natural. Nossa mente sofre sede de paz, como a terra seca tem necessidade de água fria.

Por isso, venha a um lugar à parte, no país de você mesmo, a fim de repousar um pouco.

Esqueça as fronteiras sociais, os controles domésticos, as incompreensões dos parentes, os assuntos difíceis, os problemas inquietantes, as ideias inferiores.

Retire-se dos lugares comuns a que ainda se prende.

Concentre-se, por alguns minutos, em companhia do Cristo, no barco de seus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações quotidianas...

Ele lavará a sua mente repleta de aflições.

Balsamizará suas úlceras.

Basta que você se cale e sua voz falará no sublime silêncio.

Ofereça-lhe um coração valoroso na fé e na realização, e Seus braços divinos farão o resto.

Você regressará, então, aos círculos de luta, revigorado, forte e feliz.

Seu coração com Ele, a fim de que possa agir, com êxito, no vale do serviço.

Ele com você, para escalar, sem cansaço, a montanha da luz.


A meditação dulcifica a aspereza da luta, harmoniza o intelecto com o sentimento e mantém acalmado o homem.

Vale esclarecer que não será por efeito de uma a outra experiência mágica que perceberemos o efeito, mas sim através de expressivo esforço.

A disciplina, a frequência do exercício, os conteúdos do pensamento, são essenciais para o êxito desse empreendimento íntimo.

Tomemos, por exemplo, de uma página do Evangelho. Leiamos pausadamente, digerindo-lhe o significado e nos concentrando nela, para fixá-la.

Retiremos a grande quantidade de informações e reflexionemos em cada mensagem revelada, na sua essência.

Insistamos em verificar a forma e o sentido de como aquelas linhas poderão nos ser úteis.

Analisemos sem pressa para que da letra retiremos seu espírito.

Habituemo-nos a esse pequeno costume e estaremos iniciando a meditação que nos levará à paz de consciência e à alegria de viver.

Mesmo que disponhamos de pouco tempo, busquemos utilizá-lo para a meditação, descobrindo, logo depois, que os benefícios serão imensos.

A meditação nos irá abrir as portas para a perfeita união com Deus que a oração proporcionará.



Respiremos profundamente e com calma.

Reservemos alguns momentos do nosso dia para realizar essa singela tarefa de bem-estar.

Recordemo-nos dessa faculdade incrível que temos de fazer com que o ar externo penetre nossos pulmões.

O ar é vida e cada vez que respiramos conscientemente estamos nos ligando a ela com mais intensidade.

Respiramos automaticamente, respiramos mal, por vezes tomados pela ansiedade e nervosismo que quase nos tiram o fôlego.

Aproveitemos, a cada expiração, para retirar de nosso íntimo as preocupações, as revoltas, os sentimentos pouco elevados.

Respiremos melhor e vivamos melhor.

com base no cap. 168, do livro 
Caminho Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no
cap. 1, do livro Momentos de Esperança, pelo Espírito 
Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Pai, que estais no céu...

Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando tua porta, ora a teu pai que está em secreto; e teu pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
Portanto, orarás assim: Pai nosso, que estais no céu...

*   *   *

A Torá, livro sagrado da fé judaica, nomeia Deus por meio de títulos como El shaddai, que significa Deus todo poderoso, ou Elohim, que indica o poder de Deus enquanto Criador.

Os Evangelistas relatam que, na época do Cristo, escribas e fariseus referiam-se a Deus de forma muito cerimoniosa, utilizando-se de palavras como Senhor ou Eterno.

Jesus, entretanto, foi o primeiro a referir-se a Deus como Abba, palavra utilizada de modo informal pelos judeus a fim de se dirigirem a seus próprios pais de maneira carinhosa.

Ao chamar Deus de Pai, o mestre instituiu uma importante mudança teológica, apresentando-nos a um Pai celestial do qual todos somos filhos.

Porém, o que significa chamarmos Deus de Pai?

*    *   *

Antes do sol raiar, Yu Xukang desperta seu filho, Xiao, que é deficiente físico e não pode caminhar.

Por morarem em uma cidade rural no sudoeste chinês, não há ónibus escolar e nem transporte público adequado às necessidades especiais do menino de nove anos.

Dessa forma, Yu caminha pouco mais de trinta quilómetros diariamente com o filho amarrado às costas, a fim de levá-lo à escola.

O pai se recusa a desistir, mesmo que suas costas estejam doridas e já tenham se tornado curvadas por conta do esforço diário.

Eu sinto imenso orgulho do meu filho. Ele é um dos melhores alunos da classe e não irei desistir, afirma o pai, que sonha ver o filho entrando para a universidade.

*    *   *

Chamar Deus de Pai revela a grande intimidade e a profunda relação de amor que há entre Criador e criatura.

Chamando-o de Pai, estendemos uma forte ligação de confiança com Ele, tal qual uma criança que, dirigindo-se ao seu progenitor, confia, sente-se amada, amparada, segura.

Ao chamá-lo de Pai, transbordamos de Sua misericórdia, que a todos nos perdoa. Também nos deparamos com Sua perfeita pedagogia, que nos ensina com infinita justiça.

Justiça que não nos abandona em nossas faltas, mas, antes, permite repararmos o mal que cometemos, os corações que magoamos, o auxílio que não distendemos, o perdão que não oferecemos.

Ao invocarmos o Pai celestial, a Ele confiamos todas as nossas tribulações: das mais triviais e quotidianas, como o alimento, a saúde, o trabalho, até as mais elevadas, como a reforma íntima, a evolução pessoal, o progresso daqueles que marchamos em direcção à angelitude.

E Deus, Pai verdadeiro que é, em tudo nos atende: para nossas mazelas morais, nos oferece a oportunidade de progresso; para nossas lágrimas, permite brote o sorriso e em nossas angústias, Ele nos revela a paz.

Silenciemos e o escutemos, fechemos os olhos e O sintamos: Pai que conhece a todos os homens e a cada um de nós em particular.

Pai que conduz nossos passos, Pai que nos ama infinitamente, conforta-nos, dá-nos esperança e nos aguarda de braços abertos.

Pai nosso, que estais no céu...

com base em dados biográficos de Yu Xukang.

quinta-feira, 14 de março de 2019

A Mão de Deus

Conta-se que o conquistador mongol Genghis-Khan tinha como animal de estimação um falcão. Com ele saía a caçar. Era seu amigo inseparável.

Certo dia, em uma das suas jornadas, com o falcão como companhia, sentiu muita sede. Aproximou-se de um rochedo de onde um filete de água límpida brotava.

Tomou da sua taça, encheu até a borda e a levou aos lábios. No mesmo instante, o falcão se jogou contra a taça e o líquido precioso caiu ao chão.

Genghis-Khan ficou muito irritado. Apanhou o recipiente e o tornou a encher. De novo, antes que ele pudesse beber uma gota sequer, o falcão investiu contra sua mão, fazendo com que a taça caísse e se perdesse a água.

Dessa vez, o impiedoso conquistador olhou para a ave e gritou:

Vou tornar a encher a taça. Se você a derrubar outra vez, impedindo que eu beba, perderá a vida.

Na mão direita segurando a espada mongol, com a esquerda ele tornou a colocar a taça debaixo do filete de água e a encheu.

No exacto momento que a levava aos lábios, o falcão voou rápido e a derrubou.

Ágil como ele só, Genghis-Khan utilizou a espada e em pleno ar, decepou a cabeça do falcão, que lhe caiu morto aos pés.

Ainda com raiva, ele chutou longe o corpo do animal.

E porque a taça se tivesse quebrado na terceira queda, ele subiu pelas pedras para beber do ponto mais alto do rochedo, no que imaginou fosse a nascente da fonte.

Para sua surpresa, descobriu presa entre as pedras, bem no meio da nascente, uma enorme cobra venenosa. O animal estava morto há tempo, com certeza, porque mostrava sinais de decomposição. O cheiro era insuportável.

Nesse instante, e somente então, o grande conquistador se deu conta de que o que o falcão fizera, por três vezes, fora lhe salvar a vida, pois se bebesse daquela água contaminada, poderia adoecer e morrer.

Tardiamente, lamentou o gesto impensado que o levara a matar o animal, seu amigo.


Assim, muitas vezes, somos nós. A Providência Divina estabelece formas de auxílio para nós e não as entendemos. Pelo contrário, nos rebelamos.

Por vezes, a presença de Deus em nossas vidas se faz através dos sábios conselhos de amigos. Contudo, quando eles vêm nos falar de como seria mais prudente agirmos nessa ou naquela circunstância, nos irritamos. E podemos chegar a romper velhas amizades.

De outras vezes, Deus estabelece que algo que desejamos intensamente, não se concretize. Algo que almejamos: um concurso, uma viagem, um prêmio, uma festa, um determinado emprego. É o suficiente para que gritemos contra o Pai, nos dizendo abandonados, esquecidos do Seu apoio.

Raras vezes paramos para pensar e analisar sobre o que nos está acontecendo. Quase nunca nos perguntamos: Será a mão de Deus agindo, para dizer que este não é o melhor caminho para mim?

Nada ocorre ao acaso. Tudo tem uma razão de ser.

Estejamos atentos. Busquemos entender as pequenas mensagens que Deus nos envia, de forma constante.

E não nos irritemos. Não nos alteremos. Agradeçamos. A Mão de Deus está agindo em nosso favor, em todos os momentos, todos os dias.

com base no texto O rei e o falcão, adaptação de James Baldwin,de O livro das virtudes, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A importância da infância

Qual a utilidade da infância para o Espírito que retorna à Terra através da reencarnação?
Por que, como seres humanos, temos uma infância tão longa, comparada a todos os animais irracionais?

A resposta a estas perguntas tem nuances muito interessantes e importantes para nossa vida. Primeiramente precisamos compreender que esse ser pequenino, que os progenitores conduzem em seus braços carinhosos, não passa de milenário viajor da evolução para o Criador.

Sim, exactamente: um Espírito imortal que volta ao orbe terrestre com objectivos muito claros, envolvendo a autossuperação, a reestruturação do carácter moral e abrilhantamento intelectual. Este ser passa sempre por um processo de esquecimento do passado, recebendo a nova existência como uma nova oportunidade. É um verdadeiro começar de novo.

Renasce desprotegido, totalmente dependente, inspirando cuidados e amor a todos que estão ao seu redor. Para não lhe impor uma severidade muito grande, Deus lhe dá todo o toque da inocência. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que era antes. Não, é a imagem do que deveria ser. E a bondade e beleza dos desígnios divinos não param por aí, pois não é apenas por esse ser que o Criador lhe dá esse aspecto. É também e, principalmente, por seus pais, cujo amor é necessário para sua fragilidade.

Esse amor seria notoriamente enfraquecido frente a um carácter impertinente e rude, ao passo que, ao acreditar que seus filhos são bons e dóceis, os pais lhes dão toda afeição e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados. Ainda há uma segunda razão, uma segunda utilidade para o período conhecido como infância.

O Espírito, encarnado para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento. A criança é verdadeira esponja a sorver tudo o que acontece à sua volta. Através dos exemplos que recebe, molda sua nova personalidade com características saudáveis ou não. O que virem como usual no comportamento dos progenitores e tutores, tomarão para si com facilidade muito grande. Imitarão o palavreado, os gestos e as atitudes frente a esta ou aquela situação.

É desta forma que aqueles que estão encarregados de sua educação desempenham um papel fundamental. Assim, eis a séria advertência do Espiritismo aos pais e educadores:

Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus, que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se.Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios, e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas.

Façam como o bom jardineiro, que corta os brotos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore.

Redação do Momento Espírita, com base nos itens 383 e 385 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB; no cap. XIV, item 9, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

E já é ano novo, outra vez

Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o Novo Ano.

Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia.

Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos?

Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que  atesta da  pouca disposição em perseguir os itens elencados.

Ano Novo deve ter um significado especial.

Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional.

Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares.

Sair mais com as crianças, não somente para passeios como a praia, a viagem de férias.

Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete.

Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete.

Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar.

Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir.

Trocar e-mails afectuoso, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um Olá, desejar Boa viagem, Feliz aniversário!

Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso.

Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista.

E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial.

Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma.

Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista.

Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola.

Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois.

Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o Novo Ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Estranho versículo

Era uma noite fria na cidade de Chicago. O garotinho vendia jornais na esquina. Mas o frio era tanto que as pessoas passavam quase correndo, buscando as suas casas e nem paravam para comprar o jornal.

Por isso, o menino se aproximou de um policial e perguntou se ele lhe poderia arrumar um lugar quente para dormir, naquela noite. Estava muito frio para dormir na caixa de papelão no beco, como sempre.

O policial olhou para ele e falou:

Desça a rua até encontrar uma casa branca. Bata na porta e quando alguém vier abrir, diga: João 3:16.

O menino obedeceu e, quando uma senhora simpática atendeu, ele falou: João 3:16.

Ela o recolheu e o levou para se sentar em uma poltrona, próximo da lareira.

Ele pensou: Não sei o que quer dizer João 3:16, mas com certeza é uma coisa boa porque aquece um menino numa noite fria.

Mais tarde, a senhora o levou para a cozinha e lhe ofereceu farta comida. Enquanto se alimentava, o pequeno pensou:

Não estou entendendo, mas o que é certo é que João 3:16 sacia a fome de um menino.

Depois, ela o levou até o banheiro e ele mergulhou em uma banheira cheia de água quente.

Ainda molhado, ele pensou: João 3:16. Com certeza eu não entendi. Mas isso faz um menino sujo ficar limpo. Que me lembre, o único banho de verdade que tomei foi quando fiquei em frente a uma boca de incêndio, que esguichava água fria.

A senhora o levou até o quarto e o colocou em uma grande cama e o cobriu com um cobertor macio. Deu-lhe um beijo de boa noite e apagou as luzes.

No escuro do quarto, ele olhou pela janela e observou a neve caindo lá fora.

Na manhã seguinte, a senhora o despertou e lhe ofereceu um delicioso café. Depois o levou para a mesma poltrona em frente à lareira, apanhou o Evangelho e perguntou:

Você entendeu João 3:16?

Não, senhora. Quem me disse para lhe falar isso foi um policial, ontem à noite.

Ela abriu o Evangelho de João e leu o versículo dezesseis do capítulo três: Porque Deus amou tanto o mundo, que deu seu único filho. E aquele que acredita nele não morrerá, mas terá vida eterna.

E a boa senhora lhe falou a respeito de Jesus e do Seu grande amor para com todos os homens.

O garoto continuou sentado, ouvindo e ouvindo. Finalmente, falou: Senhora, tenho que lhe dizer. Ainda não consigo entender como Jesus concordou em vir à Terra e sofrer tudo o que sofreu, para nos ensinar o amor.

Mas uma coisa eu entendi muito bem. Tudo isso faz a vida valer a pena.

*   *   *

Jesus é o nosso Norte, nosso Roteiro.

Os que O seguem, são identificados na Terra pela sua postura perante a vida. Onde quer que se encontrem, semeiam.

E as suas sementes são luz nas estradas das vidas cheias de dores.

Na esteira dos seus passos, brilham estrelas que se acendem na noite dos tempos. Anonimamente, servem ao próximo, doando pão a bocas famintas, agasalho aos que padecem frio, esperança àqueles que perderam a fé na vida.

Como uma Via Láctea iluminada, apontam o caminho de estrelas na direcção do Cristo que, hoje e sempre, é o Amor Incondicional que a todos ama.

Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada e no cap. 1, do livro O semeador de estrelas, de Suely Caldas Schubert, ed. LEAL

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Um Rei sem igual

Ninguém que O igualasse em grandeza.

Ninguém que tivesse o Seu nascimento anunciado, séculos antes, por diferentes pessoas. Anúncios que desciam a detalhes de Sua concepção, nascimento, lutas, paixão e morte.

Ninguém, por mais nobre fosse a Sua descendência, teve um astro especial fulgurando nos céus, para Lhe anunciar a chegada ao planeta.

Astro brilhante, diferente, que serviu de aviso a magos de várias partes do Oriente, que entenderam a mensagem e saíram, em caravana, a procurá-lO.

Ninguém, como Ele, teve a notícia do Seu nascimento espalhada pelos campos por um coro de vozes celestes.

Ninguém, como Ele, teve um mensageiro pleno de luz para anunciar que Ele nascera, onde se encontrava e que o Seu nascimento assinalava um momento de extrema alegria para o mundo.

Nenhuma personalidade, por mais tenha sido grande ou sábia, conseguiu dividir a História entre antes e depois de si mesma.

Ninguém tão perseguido, desde a mais tenra infância, precisando exilar-se, em terras estrangeiras, distantes, vivendo ali os primeiros anos.

Ninguém teve um pai tão generoso e dedicado, disposto a se levantar em plena madrugada, ante uma advertência de um mensageiro celeste, recolher poucos pertences e fugir, a fim de salvá-lO.

Um pai de tal forma atencioso àquela vida nascente que não temeu viver entre estrangeiros, longe de sua própria gente e das suas origens. Tudo para salvaguardar-Lhe a vida preciosa.

Um pai que, sabendo-O maior que todos os seres viventes, não deixou de Lhe apontar os versículos da Torá, tanto quanto lhe ensinar o próprio ofício, conforme as tradições.

Ninguém teve a vida assinalada por tantos fenómenos espirituais, demonstrando a atenção especial de que era objecto, pela grandeza excepcional da Sua missão.

Ninguém como Ele teve um precursor a Lhe anunciar a chegada, a grandeza e os feitos que haveria de realizar.

Um Homem que não temia os maus, que tinha plena consciência de que era o arauto, aquele que deveria preparar os caminhos.

Que sabia que quando o Anunciado chegasse, ele deveria se apequenar e desaparecer do cenário, porque estava cumprida a sua missão.

Ninguém, como Ele, embora tão grande, soube se ocultar entre as carnes comuns a todos os humanos.

Ninguém como Ele, Luz do Mundo, soube disfarçar o próprio brilho, a fim de não ofuscar aos demais.

Ninguém produziu tanto em tão restrito tempo: menos de três anos.

Em uma época de escravidão humana, de subjugação de povos, de poder temporal reinante, Ele estabeleceu um código revolucionário: amar o inimigo, fazer o bem ao perseguidor, ser manso e humilde de coração.

Ninguém foi mais forte do que Ele, na demonstração da Verdade, sem discursos bombásticos ou frases de efeito.

Bastou-Lhe o silêncio ante a indagação de quem se acreditava a máxima autoridade, com poder de vida e morte sobre as criaturas.

Seu nome era Jesus. Nenhum nome mais doce, ou mais sublime. Yeshua, o filho do carpinteiro José.

Jesus, o Rei Solar, nosso Governador Planetário.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Lei Divina – lei de Justiça

Na cidade de Beatrice, no Estado americano de Nebraska, os quinze membros do coral da igreja haviam combinado um ensaio geral.

Era o dia primeiro de março de 1950 e o horário ajustado foi às dezanove horas e vinte minutos. Como quase sempre ocorre, quando se marcam eventos, ensaios, que envolvam várias pessoas, uma ou outra se atrasa alguns minutos. Dessa forma, era fácil prever que, naquela noite, algum membro do grupo chegasse mais tarde. Afinal, eram quinze pessoas com diferentes afazeres. O extraordinário, no entanto, foi que às dezanove horas e vinte e cinco minutos nenhum deles estava no local.

Duas senhoras, independentemente uma da outra, não conseguiram dar partida nos seus respectivos carros. Cada qual foi solicitar ajuda de alguma forma, mas o fato é que isso as impediu de chegar, na hora marcada.

Uma das meninas ficou retida, em casa, até um pouco mais tarde, porque precisara concluir a sua tarefa escolar.

Duas outras, embevecidas com o capítulo da novela, perderam a hora. Outra, dormira tão profundamente, que a mãe tivera que chamá-la repetidas vezes para que despertasse.

O próprio dirigente do coro se atrasou porque ficou esperando que sua mulher acabasse de passar o vestido da filha mais velha, também membro do coral.

Ninguém compareceu no horário, por motivos triviais, quase tolos. E se poderia pensar em simples coincidências. O que é de nos indagarmos é qual a possibilidade matemática de quinze pessoas de um mesmo grupo se atrasarem, ao mesmo tempo. O cálculo é complexo e o fato poderia não ter importância alguma. Isso se não tivesse acontecido o que aconteceu: às dezanove horas e vinte e cinco minutos daquela noite, ou seja, cinco minutos depois da hora que o ensaio deveria ter começado, uma explosão destruiu completamente a igreja da cidade. Ninguém estava lá e os danos foram somente materiais.

*   *   *

Existe um Deus, que a tudo governa, tudo vê, tudo provê. Suas leis são justas e ninguém sofre o que não lhe é devido. Isso assinala uma Lei que se chama de ação e reacção, que nos diz que para tudo que nos sucede, existe um motivo. Se não é desta vida, trata-se de algo de existências passadas. Por isso, algo nos detém o passo e nos atrasamos alguns segundos ou minutos. Isso nos evita o envolvimento em algum acidente de trânsito à frente. Por isso, alguém nos chama, quando nos encontramos à porta e exige que façamos algo, antes da nossa saída. Esse atraso nos fará perder o ónibus, o avião... que poderá sofrer um acidente, no seu trajectoA Lei Divina é precisa. E se acreditamos que há muita injustiça na Terra, o que podemos ter certeza é de que não há injustiçados.

Tudo tem uma razão de ser, de acontecer, cabendo-nos recordar a sábia exortação de Jesus: A cada um será dado segundo as suas obras.

Seria necessário transcorrer os séculos para aprendermos a respeito da multiplicidade das vidas, a fim de compreendermos o exacto sentido desse ensino de Jesus. Ensino que nos leva a entender porque algo ocorre connosco e não com nosso vizinho, nosso amigo, nosso parente. Ou, ao contrário, acontece com nosso conhecido e não nos alcança. Lei Divina. Lei de Justiça.

Pensemos a respeito.

com base no cap. 3, do livro Estudos e crónicas, de Hermínio C. Miranda, ed. FEB.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Prudência

Prudência é atitude de sabedoria.

Prudência no falar; prudência no agir; prudência no pensar.

Eis uma importante virtude da alma.

O falar com prudência nos conduz a uma atitude reflectida, pois muitas vezes perdemos o domínio das palavras que, desatreladas, produzem incêndios, promovem conflitos e muitos outros desastres.

A palavra não pronunciada é património precioso de que o ser humano se pode utilizar no momento justo.

A palavra liberada pode se converter, quando dita sob ofensas, em castigo que volta a punir o irresponsável que a libera.

A ação precipitada, sem a necessária prudência, invariavelmente causa desacertos e aflições sem nome, conduzindo as vítimas ao despenhadeiro do insucesso, em cuja rampa o remorso sempre chega tarde.

Antes de agir o homem é depositário de todos os valores que pode investir. Após a ação colhe os resultados do ato.

Salutar, dessa forma, agir, através da ponderação a fim de que a atitude não se converta em algoz, que escravize quem a praticou.

Pensar prudentemente.

Uma ofensa que nos chega aos ouvidos, nos ferindo, pode nos conduzir a uma posição exaltada, impedindo, em consequência, a perfeita ordenação mental.

Observamos o ocorrido através de ângulos falsos, distorcidos, numa apreciação perturbada, e os resultados são quase sempre danosos.

Pensar reflectindo, aí está a prudência. Ouvir, criando o hábito de ponderar, para então chegar às legítimas conclusões em torno dos verdadeiros problemas da vida.

Precipitado, Napoleão conquistou a Europa e, reflectindo, meditou tardiamente nos erros cometidos, na ilha de Santa Helena.

Conduzido pela supremacia da força, Alexandre Magno dominou o mundo e febres estranhas tomaram conta de seu corpo jovem, antes das reflexões de que muito necessitava.

Com prudência Jesus pensou, falou e agiu, em todas as oportunidades.

*   *   *

Toda ação prudente é cautelosa. Porém, ao contrário do que pensa o senso comum, prudência não é morosidade. A virtude da prudência, aliás, é o justo meio entre dois extremos, como tão bem colocou Aristóteles:

De um lado a inacção ou a lentidão; no outro extremo a precipitação, a pressa. Ela estará no equilíbrio, no ponto central.

Prudência não admite perda de tempo. É rápida e certeira, pois o tempo é inerente a ela.

Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas foi o conselho de Jesus, na preparação de Seus discípulos para o trabalho que teriam pela frente. Seriam lançados como ovelhas no meio de lobos.

A serpente representa a prudência, que nos permite reconhecer o mal com antecedência e assim fazer as melhores escolhas em todas as situações.

A prudência é considerada por muitos como a virtude por excelência, porque através de seu exercício é que os seres humanos podem reflectir e decidir com sabedoria.

Por isso, sejamos prudentes. Nem apressados, nem lentos demais: prudentes...

com base no cap. 43, do livro Convites da Vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A Boa Parte

"Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada." - Jesus. (Lucas, 10:42)

Não te esqueças da "boa parte" que reside em todas as criaturas e em todas as coisas.

O fogo destrói, mas transporta consigo o elemento purificador.

A pedra é contundente, mas consolida a segurança.

A ventania açoita impiedosa, todavia, ajuda a renovação.

A enxurrada é imundície, entretanto, costuma carrear o adubo indispensável à sementeira vitoriosa.

Assim também há criaturas que, em se revelando negativas em determinados sectores da luta humana, são extremamente valiosas em outros.

A apreciação unilateral é sempre ruinosa.

A imperfeição completa, tanto quanto a perfeição integral,
não existem no plano em que evoluímos.

O criminoso, acusado por toda a gente, amanhã pode ser o
enfermeiro que te estende o copo d’água.

O companheiro, no qual descobres agora uma faixa de trevas, pode ser depois o irmão sublimado que te convida ao bom exemplo.

A tempestade da hora em que vivemos é, muitas vezes, a fonte do bem-estar das horas que vamos viver.

Busquemos o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas.

"Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada" - disse-nos o Senhor.

Assimilemos a essência da divina lição.

Quem procura a "boa parte" e nela se detém, recolhe no campo da vida o tesouro espiritual que jamais lhe será roubado.

Emmanuel psicografia de Chico Xavier