RODA DA VIDA

Oramos pela vida e saúde dos homens de Paz no Mundo, Homens e Mulheres com missões dificílimas, de dação de esperança e de forte influencia contra a corrupção que assola o mundo e o mantém cativo na desgraça da injustiça. Louvemos estes inspirados irmãos e irmãs, desde os mais influentes, como Francisco Pai da Igreja Católica, Dalai Lama Pai dos Budistas, e tantos outros em suas respectivas importâncias, que movem o mundo com a força de suas Almas devotas, num mundo melhor para todos, mais justo, onde os indefesos não estejam à mercê de nenhum tirano, onde o único exercito ou militar à face da terra seja a serviço do Amor ao Próximo - Oremos diáriamente pela Mãe Terra, nosso planeta que tanto precisa de nossa atenção e nossas preces pelas causas ecologistas, sejamos a diferença que queremos ver no respeito pelo ambiente, elevemos o pensamento no sentido de todos mantermos a calma perante a ameaça da pandemia COVID-19 - Assim seja

terça-feira, 23 de julho de 2019

COMO O SOM DO SINO...

Quando minha irmã estava prestes a retornar de alguns anos de trabalho no Japão, ofereceu-se gentilmente para trazer de lá algo que me interessasse. Pedi a ela que me trouxesse dois sinos, um para eu usar em casa, outro para as minhas actividades na Sociedade Taoista.

No dia da sua chegada ao Brasil, preparamos uma pequena reunião familiar, para recebê-la e dar as boas vindas pelo seu retorno. Foi quando ela abriu as malas para distribuir os vários presentes que havia trazido do oriente. E foi quando ganhei os meus sinos!


Sem perder um segundo, abri o meu pacote e toquei o primeiro sino! Este primeiro toque conseguiu atrair a atenção de todos na sala, interrompendo por alguns instantes o alvoroço excitado da distribuição dos presentes.

Ficamos encantados com o som macio e aveludado que preencheu o ambiente, entendendo-se por um longo tempo. Ao fundo, parecia haver uma vibração aguda e sutil que perdurava, enquanto o som do sino desaparecia aos poucos.

Passado este breve momento de encantamento, todos voltaram à animação festiva da distribuição dos presentes. Todos menos uma pessoa...


Minha avó japonesa, Dona Umeko, não se mobilizou pela euforia que voltou a se instalar entre os familiares. Manteve-se tranquila e serena, observando-me manusear os novos sinos. Após perceber a minha própria excitação diminuir um pouco, disse-me baixinho: 
 
"Quando a gente morre, precisa ir igual ao som do sino..."
 
A paz que senti nas sábias palavras da amada Dona Umeko segue reverberando no meu coração saudoso! Ela já se foi do nosso mundo, mas a marca que o seu ensinamento deixou naquele instante seguirá vivo por toda a minha jornada, eternamente. Como o som do sino...

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A palavra da inocência

Quase sempre acreditamos que as crianças não entendem o que acontece ao seu redor. Tomamos decisões, inclusive a respeito de suas próprias vidas, sem nos importar com seus sentimentos.
Assim acontece nas separações conjugais, em que se decide com quem ficarão os filhos. Assim é quando se decide mudar de residência e até mesmo quando se opta por transferi-los de uma para outra escola.
No entanto, as crianças estão atentas e percebem os acontecimentos muito mais do que possamos imaginar.

A jornalista Xiran que, apesar do regime de opressão e abandono que viveu na China, manteve um programa de rádio, em Nanquim, conta uma história singular, em seu livro As boas mulheres da China.

Havia uma jovem que se casou com um rapaz muito culto e de projeção política na China. Durante três anos, pelo seu status, ele foi estudar em Moscou. Ela viveu anos de felicidade ao seu lado. Um casamento que foi abençoado com dois filhos. Era uma mulher de sorte, comentava-se.

Então, exatamente no momento em que o casal se alegrava com o nascimento do segundo filho, o marido teve um ataque cardíaco e morreu, repentinamente. No final do ano seguinte, o filho mais novo morreu de escarlatina.

Com o sofrimento causado pela morte do marido e do filho, ela perdeu a coragem de viver. Um dia, pegou o filho que restava e seguiu para a margem do rio Yang-Tsé. Seu intuito era se unir ao marido e ao bebê na outra vida. Parada à beira do rio, ela se preparava para se despedir da vida, quando o filho perguntou, inocentemente:

Nós vamos ver o papai?

Ela levou um choque. Como é que uma criança de cinco anos podia saber o que ela pretendia fazer?

E perguntou: O que é que você acha?

Ele respondeu: É claro que vamos ver o papai! Mas eu não trouxe o meu carrinho de brinquedo para mostrar para ele!

Ela começou a chorar. Nada mais perguntou. Deu-se conta de que ele sabia muito bem o que ela pretendia.

Compreendia que o pai não estava no mesmo mundo que eles, embora não fizesse uma distinção muito clara entre a vida e a morte. As lágrimas reavivaram nela o instinto materno e o senso de dever. Tomou o filho no colo e, deixando a correnteza do rio levar a sua fraqueza, retornou para sua casa. A mensagem de suicida que tinha escrito foi destruída. Enquanto fazia o caminho de volta ao lar, o menino tornou a perguntar:

E então, não vamos ver o papai?

Procurando engolir o pranto, ela respondeu:

O papai está muito longe. Você é pequeno demais para ir até lá. A mamãe vai ajudá-lo a crescer, para que você possa levar para ele mais coisas. E coisas muito melhores. Depois disso, ela fez tudo o que uma mãe sozinha pode fazer para dar ao filho o melhor.


As crianças não são tolas. E muito mais do que possamos imaginar permanecem atentas, em especial a tudo que lhes diga respeito.

Percebem os desentendimentos conjugais, as dificuldades domésticas, a ponto de ficar enfermas.

Por tudo isso, preste mais atenção ao seu filho. E, sobretudo, fale com ele sobre as dificuldades e sobre as soluções possíveis.

Não o deixe crescer ansioso e triste. Ajude-o a viver no mundo, seguro e firme.

com base no cap. A catadora de lixo, do livro As boas mulheres da China, de autoria de Xinran

terça-feira, 16 de julho de 2019

A paz do Cristo

O Evangelista Mateus anotou palavras de Jesus que, até hoje, causam um certo espanto ao estudioso dos Evangelhos, ao menos no primeiro momento.

Dentre elas, a afirmativa: Não cuideis que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a espada.

Acontece que o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos está viciado.

Na expressão comum, ter paz significa ter atingido garantias do mundo, dentro das quais possa o homem viver, sem maiores cuidados.

Paz, para muitos, significa ter a garantia de grandes somas de dinheiro, não importando o que tenha que fazer para as conseguir.

Isso porque muito dinheiro significa poder se rodear de servidores, de pessoas que realizem as tarefas que, normalmente, a criatura deveria executar.

Também tem a ver com viagens maravilhosas para todos os lugares possíveis, ida a restaurantes caros, roupas finas, perfumes exóticos.

Desfrutar de tudo o que é considerado bom no mundo.

Naturalmente, Jesus não poderia endossar esse tipo de tranquilidade, onde o ser vegeta e não vive realmente.

Assim, em contrapartida ao falso princípio estabelecido no mundo, Jesus trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo.

Jesus veio instalar o combate da redenção. É um combate sem sangue, uma frente de batalha sem feridos.

A guerra que o Senhor Jesus propõe é contra o mal. Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.

Convidado a se sentar no Sinédrio, junto aos poderosos do templo de Jerusalém, optou, sem desprezar ninguém, por se dedicar à gente simples, para quem ensinou bondade, compaixão, piedade.

Exatamente numa época em que a lei do mais forte imperava. O dominador romano mandava e o povo escravo deveria obedecer.

Uma época em que os portadores de hanseníase, que conheciam como lepra, eram colocados para fora das cidades, longe do convívio dos seus amores, sem cuidado algum.

Uma época em que as crianças enjeitadas eram abandonadas nas ruas, entregues a ninguém.

Há mais de vinte séculos a Terra vive sob esses impulsos renovadores da mensagem de Jesus.

Buscar a mentirosa paz do conforto exclusivo, pensando somente em si próprio, é infelicitar-se.

Todos aqueles que pretendem seguir Jesus encontram, pela frente, a batalha pela conquista das virtudes. Mas, igualmente, a serenidade inalterável, na divina fonte de repouso dos corações que se unem ao amor de Jesus.

Ele é o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros.


A conquista da paz do Cristo, em essência, é fácil. Basta seguir pequenas regras: não ter ambição em demasia e saber valorizar o que se tem.

Amar e perdoar, sem acumular mágoas, que somente pesam na economia da alma, infelicitando-a.

Cumprir fielmente os seus deveres, na certeza de que a paz de consciência se alcança com o dever retamente cumprido.

Finalmente, entregar-se confiante aos desígnios de Deus. O bom Deus que cuida das aves do céu e dos lírios do campo, vela incessantemente por todos nós.

com base no cap. 104, do livro Caminho, verdade e vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 11 de julho de 2019

A palavra de Jesus

O Seu semblante refletia o resplendor do sol. Algo havia em Sua pessoa que emprestava força às Suas palavras.

Ele falava como quem tinha autoridade. Autoridade sobre todos: Espíritos e homens.

Ninguém que a Ele se comparasse. Os oradores de Roma, de Atenas e de Alexandria eram famosos, mas o jovem Nazareno era diferente de todos eles. E maior.

Aqueles possuíam a arte que encantava os ouvidos. Quando Jesus falava, os que O ouviam deixavam vagar o próprio coração por lugares antes nunca visitados.

Ele sabia falar de forma adequada a cada um. Foi o mais extraordinário pedagogo da História.

Narrava parábolas e criava histórias como jamais haviam sido narradas ou criadas antes dEle.

O Seu verbo desencadeava-se ora doce, ora enérgico, tal como as estações primaveris e as invernosas sabem se apresentar.

Falava das coisas simples, que todos entendiam, para lecionar as leis divinas e arrebanhar os Espíritos ao reino de Deus.

Suas histórias começavam assim: Um semeador saiu a semear...

E enquanto discursava, os que O fitavam podiam assistir, à semelhança de prodigiosa tela mental, o homem, em plena madrugada, indo ao campo, e espalhando as sementes..

Poderiam, inclusive, quase vê-las a brotar, a partir da terra fértil.

Ou então era assim que falava: Um pastor contou seu rebanho, ao cair da tarde, e descobriu que faltava uma ovelha.

E todos lembravam a figura dedicada do pastor solitário, que passava em torno de nove meses, nos campos, com seu rebanho.

Ao anoitecer, colocava todas as ovelhas no aprisco, um abrigo de pedras, e ele mesmo se transformava em porta viva, deitado atravessado no único acesso, protegendo-as.

Em Sua fala havia um poder que faltava aos brilhantes oradores da Velha Roma e da Grécia.

Quando eles pronunciavam seus discursos falavam da vida aos seus ouvintes. O Nazareno informava da destinação gloriosa do ser, da vida que não perece nunca.

Falava de um reino de riquezas imperecíveis. Um reino para o qual todos teriam acesso, porque é do Pai e todos somos Seus filhos.

Eles observavam a vida com olhos humanos apenas. Jesus via a vida à luz de Deus e assim a apresentava.

Ele era como uma montanha que se dirigia às planícies. Conhecia a intimidade de cada um e individualmente alcançava as criaturas, falando-lhes do que tinham maior carência.

Ninguém que O igualasse. Isso porque Jesus é maior do que todos os homens. Sua sabedoria vinha diretamente do Pai, com quem comungava ininterruptamente.

Por isso mesmo, por mais de uma vez, expressou-se afirmando: Eu e o pai somos um, o que levou alguns de nós a pensarmos que Ele era o próprio Deus.

Se Jesus é tão grande e Sua mensagem tão clara, por que, apesar de mais de dois milênios transcorridos, prosseguimos sem lhe seguir os ensinos?

De que mais carecemos para que nossas mentes despertem e nossos corações se afeiçoem ao bem?

O tempo urge. As tempestades nos alcançam.

Pensemos: Ele é o porto seguro, o Pastor, nosso Mestre.

com base no cap. Assaf, chamado O orador de Tiro, do livro Jesus, o Filho do Homem, de Kalil Gibran

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Vontade de Deus

Em nossa caminhada na Terra, nos deparamos com dificuldades de diversas ordens. São as doenças que nos chegam inesperadamente, os reveses financeiros, os desentendimentos pessoais, perdas de parentes e amigos.

Nesses momentos nossa fé é colocada à prova, pois muito do que nos acontece nos escapa à compreensão. Através de questionamentos íntimos, buscamos incessantemente a causa do que nos aflige e, muitas vezes, não a encontramos.

Perguntamo-nos qual a melhor conduta a adotar nessas situações. É certo que devemos buscar as providências práticas necessárias para tentar superar, na medida do possível, essas dificuldades.

Mas, quando carregamos em nosso íntimo a fé verdadeira, qualquer que seja o caminho escolhido para ser percorrido na busca das soluções, com certeza, se tornará menos árduo.

A fé nos ensina que Deus é Pai bondoso e misericordioso e que só deseja o nosso bem. Melhor do que nós, sabe o que nos convém.

Quando, na oração dominical, rogamos ao Pai que seja feita a vontade d´Ele, estamos nos submetendo aos Seus decretos.

Mas, somente nos submeteremos à vontade de Deus sem queixas e sem revoltas, quando compreendermos que Deus é fonte de toda sabedoria e que tudo que nos acontece tem um propósito.

A Vontade Divina se manifesta em nosso favor, desde as pequenas contrariedades do dia a dia, até nos grandes problemas que, por vezes, julgamos sem solução.

A luta é necessária para nosso crescimento e a superação das dificuldades nos deixa mais fortalecidos.

Para transformar o barro em um perfeito vaso, o oleiro necessita do calor do fogo, usando a sua chama com todo cuidado e carinho.

O sofrimento e a luta são as chamas invisíveis que o nosso Pai Celestial criou para o embelezamento das nossas almas que, um dia, serão vasos sublimes e perfeitos para o serviço do céu.


Podemos discernir a vontade de Deus, em todas as situações:

No sofrimento, é a paciência.

Na perturbação, é a serenidade.

Diante da maldade, é o bem que auxilia sempre.

Perante as sombras, é a luz.

No trabalho, é o devotamento do dever.

Na amargura, é a esperança.

No erro, é a correcção.

Na queda, é o reerguimento.

Na luta, é o valor moral.

Na tentação, é a resistência.

Junto à discórdia, é a harmonia.

À frente do ódio, é o amor.

No ruído da maledicência, é o silêncio.

Na ofensa, é o perdão completo.

Na vida comum, é a bondade em favor de todos.


O objectivo da prece consiste em elevar a nossa alma a Deus. O importante é que ela seja sempre dita de coração e não somente dos lábios.

Quando utilizarmos a oração dominical, o Pai Nosso, que nos foi ensinada por Jesus, o façamos de todo o nosso coração. Que o sentido de cada palavra toque verdadeiramente a nossa alma.

com frases da pt. 4, do livro Pai Nosso, pelo Espírito Meimei,psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Evangelho (Mt 6,19-23)

«Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. 

A lâmpada do corpo é o olho: se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz. Mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas. Se, pois, a luz em ti é trevas, quão grandes serão as trevas!».

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Somente a cor mudou...

A Prefeitura adquiriu novos veículos para o transporte urbano. A maioria para uma substituição adequada, considerando os tantos anos dos autocarros circulando, num desgaste diário. Outros, para aumentar a frota, tendo em vista o acréscimo da população que, diariamente, se utiliza desse meio de transporte para seus deslocamentos.

Naquela manhã, a senhora aguardava no ponto de autocarro. Como seu destino era o centro da cidade, nada melhor do que aguardar o amarelinho, cor da linha convencional, que faz o trajecto bairro – centro.

Mais rápido e com a possibilidade de realizar todo o percurso sentada, o que é sempre uma glória.

Viu o autocarro se aproximando. Não era o amarelinho e ela não sinalizou para que ele parasse.

No entanto, o veículo parou, a porta se abriu e ela viu o mesmo motorista, aquele gentil, de mais de trinta anos de condução.

Não vai entrar? – Perguntou ele.
E ela, surpresa: O que você está fazendo neste autocarro?
Trocou a cor, explicou ele, mas é a linha convencional. Suba.

Nossa, se você não tivesse aberto a porta, eu ficaria ali esperando uma eternidade. Nunca olho para o letreiro. Para mim, a identificação é a cor.

E o motorista explicou sobre a nova cor que passara a integrar parte da frota urbana renovada. Interessante que, em cada ponto, onde José Luís identificava passageiros habituais, ele parava. Poucos se davam conta de que era a linha convencional, habituados a se orientarem pela cor.

Ah, se não fosse aquele motorista gentil, que imaginou a confusão para muitas cabecinhas... Diga-se, não somente para as pessoas idosas. Também para jovens, homens maduros.



O que desejamos salientar é a gentileza desse motorista, a prestação de serviço além do dever. Sua tarefa é dirigir, conduzir as pessoas em segurança. É parar, quando solicitado, para as subidas e descidas dos passageiros. Mas como uma pessoa preocupada com o bem-estar alheio, como cidadão que deseja servir ao outro cidadão, ele para, esclarece, sorri e convida: Vamos entrando.

Num desses dias iniciais da troca da cor, uma idosa foi surpreendida pela parada e o convite para entrar.

Convencida, subiu os degraus e foi falando alto: Tudo novo, é? Logo, logo, porque o autocarro é novo não vão querer mais levar a velharia. Vão deixar a gente aí mesmo.

A risada foi geral.

Ainda e sempre bem humorado, respondeu o motorista: Eu é que preciso me preocupar. Imagine a senhora se a empresa resolver dispensar os motoristas velhos da frota nova. Aí, quem vai dançar, sou eu.

Novos risos e comentários surgiram de uns e de outros.

Bom, o autocarro mudou de cor, mas só de cor. A gentileza, o trato do especial motorista do antigo amarelinho continua a mesma. Ele é dessas pessoas que fazem a grande diferença! Tornam um dia cinzento, de chuvisco prolongado e frio em um raio de sol de alegria, com seu sorriso, sua atenção e seus comentários.

Obrigado, motorista. Quando você decidir se aposentar, sentiremos muito sua falta.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Conta o escritor Stephen Covey um fato ocorrido com ele numa manhã de domingo, no metrô de Nova York.

As pessoas estavam lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma e tranquila. Então, um homem entrou no vagão com os filhos. As crianças faziam algazarra e se comportavam mal. O clima mudou de repente.O homem se sentou ao lado de Stephen e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação.

As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam objetos, puxavam os jornais dos passageiros, incomodando a todos.

Mesmo assim o pai não fazia nada.

Para Stephen era quase impossível evitar a irritação. Ele não conseguia acreditar que aquele homem pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomodassem os outros daquele jeito, sem tomar uma atitude. Ele podia perceber facilmente que as pessoas estavam irritadas. A certa altura, enquanto ainda conseguia manter o controle, Stephen virou-se para o homem e disse:

Senhor, seus filhos estão perturbando demais. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para Stephen, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exacto momento, e disse calmamente: Creio que o senhor tem razão. Acho que eu deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora...

Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não sabem como lidar com isso.

*   *   *

Quantas vezes nós vemos, sentimos e agimos de maneira oposta à que deveríamos, por não perceber a realidade que está por trás da cena.

No mundo conturbado em que vivemos, pensando quase exclusivamente em nós próprios, muitas dores e gemidos ocultos passam despercebidos, e perdemos a oportunidade de ajudar, de estender a mão.

Por isso, é importante que cultivemos a sensibilidade para perceber a dor oculta e amenizar a aridez da vida ao nosso redor. Geralmente o que fazemos é condenar, sem a mínima análise da realidade de quem está passando por árduas dificuldades. No entanto, é tão bom quando alguém percebe nossas dores e sofrimentos que não ousamos expressar...

É tão agradável quando alguém nota que estamos atravessando momentos difíceis e nos oferece apoio...

É tão confortador encontrar alguém que leia em nossos olhos a tristeza que levamos na alma dilacerada, e nos acene com palavras de optimismo e esperança...

As pessoas têm maneiras diferentes de enfrentar o sofrimento. Umas se desesperam, outras ficam apáticas, muitas se tornam agressivas, algumas fogem...

Por tudo isso, não devemos julgar a situação pelas aparências, porque podemos nos enganar. No caso relatado, após saber o que realmente estava acontecendo com aquele pai e seus filhos, o coração de Stephen se encheu de compaixão.

Sinto muito, disse ele. Gostaria de falar sobre isso? Posso ajudar?

Seus sentimentos mudaram. E mudaram porque ele soube da verdade que a aparente indiferença de um pai ocultava. Simplesmente porque não sabia como lidar com o próprio sofrimento e o dos seus filhos.

Pensemos nisso!

com base no item De dentro para fora, do  livro Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, de Stephen Covey,

terça-feira, 4 de junho de 2019

Evangelho (Jo 17,1-11a)

Assim Jesus falou, e elevando os olhos ao céu, disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique, assim como deste a ele poder sobre todos, a fim de que dê vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste. Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer. 

»E agora Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que, do mundo, me deste. Eles eram teus e tu os deste a mim; e eles guardaram a tua palavra. Agora, eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, porque eu lhes dei as palavras que tu me deste, e eles as acolheram; e reconheceram verdadeiramente que eu saí de junto de ti e creram que tu me enviaste. 

»Eu rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Eu já não estou no mundo; mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti».


quarta-feira, 29 de maio de 2019

Evangelho (Jo 16,5-11)

«Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais? ’ Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza. No entanto, eu vos digo a verdade: é bom para vós que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós. Quando ele vier, acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento. Quanto ao pecado: eles não acreditaram em mim. Quanto à justiça: eu vou para o Pai, de modo que não mais me vereis. E quanto ao julgamento: o chefe deste mundo já está condenado».


terça-feira, 28 de maio de 2019

Os instrumentos da perfeição

Naquela noite, Simão Pedro trazia na alma grande desgosto. Havia tido problemas com parentes complicados e rudes. Velho tio o havia acusado de esbanjar os bens da família e um primo o ameaçara esbofetear na via pública. Guardava, por isso, a face carregada.

Quando o Mestre leu algumas frases dos sagrados escritos, o pescador desabafou e descreveu o conflito com a parentela. Ao término do longo relatório afectivo, Jesus indagou:

“E o que você fez, Simão, ante as agressões dos familiares incompreensivos?”

“Sem dúvida, reagi como devia!” – Respondeu o apóstolo com veemência.

Coloquei cada um em seu devido lugar. Anunciei, sem disfarce, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de mesquinharia e meu primo é um grande mentiroso.

“Provei que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz.”

O Mestre reflectiu por minutos longos e falou, compassivo:

Pedro, me diga: “Que faz um carpinteiro na construção de uma casa?

Naturalmente trabalha.” – respondeu, com certa irritação, o apóstolo.

“Com o quê?” – tornou a questionar o Amigo Celeste.

“Usando ferramentas.”

Após a resposta breve de Simão, Jesus continuou:

“As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do reino do céu em nós mesmos”.

Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução.”

“A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não lhe é pedido outro serviço”.

A ovelha fornece a lã; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra.

Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar a benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o céu se manifestará em nossa alma.

Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de bênçãos; o mau é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição para nossa capacidade de socorrer.

“Aquele que bem se conduz, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.”

Pedro não falou mais nada. E talvez porque ainda mantivesse os olhos questionadores, Jesus completou:

“Se não ajudamos o necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos de longe?

Se não amamos o irmão que respira connosco os mesmos ares, como nos harmonizaremos com o Pai Celeste?”

*   *   *

Ninguém que figura entre nossos familiares ali se encontra por acaso. Há imensa sabedoria divina em nos colocar no lugar certo, na hora oportuna, com as pessoas certas.

Pensemos nisso.

com base no cap. 6, do livro Jesus no lar, pelo Espírito Néio Lucio, psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Os invisíveis que estão connosco

A noite seguia festiva no amplo auditório da Universidade. Pais, familiares, amigos tomavam quase todas as poltronas.

A entrada dos formandos, um a um, sob os flashes dos fotógrafos, se sucedia, num mar de emoções.

Pais orgulhosos, lembrando as horas intermináveis de estudo, o esforço para a conquista do diploma universitário do filho;

Pais que mal continham as lágrimas, nas recordações dos pequenos há pouco e agora recebendo os louros de um curso concluído.

Havia esposos, namorados, padrinhos e madrinhas. E as manifestações de uns e outros, aconteciam, a cada formando que tomava assento no grande palco.

Depois, foram os discursos. E as homenagens aos professores, aos pais, aos colegas.

No entanto, houve um momento mais especial de todos os demais. Foi quando a festa transcendeu as paredes do auditório.

Transpôs fronteiras e estabeleceu uma ponte com a Espiritualidade. Anteriormente, o nome de Deus, o Senhor da vida, fora lembrado mais de uma vez.

Prece de gratidão se erguera e fossem religiosos ou não, os minutos se transformaram em envolvente vibração.

Então, o mestre de cerimónias anunciou que seria prestada uma homenagem aos que não estavam presentes.

As luzes se apagaram e todos foram convidados a acender a lanterna dos seus celulares. O ambiente parecia um céu de minúsculas estrelas brilhantes.

E, enquanto eram lembrados pais que haviam partido, uma esposa, um amigo, aquelas pequenas luzes brilhando, nas mãos que se movimentavam, diziam que eles, os invisíveis, estavam ali.

Sim, essa era a mensagem. Eles estavam invisíveis, mas presentes, ao lado dos seus amores.

Não houve quem não derramasse uma lágrima, furtiva que fosse.

As vozes embargadas das formandas, responsáveis pela homenagem, quase não conseguiam chegar ao final do texto previamente preparado.

Foram instantes de uma vivência espiritual. Instantes em que os dois mundos se interpenetraram e os do lado de cá nos demos conta disso.

Os mais sensíveis sentiram os abraços, os afagos dos que estavam na Espiritualidade.

Com certeza, foi o momento mais extraordinário daquela noite.


Como seria bom se repetíssemos mais vezes essas vivências, em nossas vidas. Se lembrássemos de estabelecer essa ponte de comunicação com os que se foram.

Afinal, a fronteira da Espiritualidade inicia exactamente quando finda a fronteira da vida material.

E bastará um pensamento de tempos felizes juntos vividos, para que façamos a conexão com as suas mentes.

Eles, como nós, sentem saudades. E, muitas vezes, nas horas do dia ou nas horas mortas da madrugada, nos procuram.

Não os sentimos, habitualmente, porque nos encontramos imersos em preocupações. Então, vez ou outra, permitamo-nos sentir abraçados por esses que prosseguem nos amando.

Porque o amor não acaba nunca. Não fica encerrado em uma urna ou vira cinzas.

A alma imortal leva consigo o perfume dos seus amores, a doce lembrança dos que ficaram e, de onde se encontra, envia seu carinho.

São como pequenos ramalhetes de delicadas flores que nos são endereçados.

Permitamo-nos sentir-lhes o perfume. Oremos. Pensemos neles, endereçando-lhes nosso amor, a eles, os invisíveis que estão connosco.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Evangelho (Jo 15,9-11)

«Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa».

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Evangelho (Jo 15,1-8)

«Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos».

terça-feira, 21 de maio de 2019

Evangelho (Jo 14,27-31a)

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais. Já não falarei mais convosco, pois vem o chefe deste mundo. Ele não pode nada contra mim. Mas é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e faço como o Pai mandou»


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Nossos protectores invisíveis

Essa brisa singela que te sopro,

É meu desejo de te ver navegante.

Minhas mãos... Não podem tocar teu leme.

Meus braços... Não podem içar tuas velas.

Para ti, sou apenas vaga inspiração, que se mistura aqui e ali aos teus próprios pensares.

Sou ideia sem nome. Sou sentido distante. Sou vento.


Diz um provérbio popular que há um  Deus para as crianças, para os loucos e para os bêbados. Há mais veracidade nesse ditado do que se imagina.

Esse suposto Deus, outro não é senão nosso Espírito protector, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

Da mesma forma que a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos, sob os olhares enternecidos de seus carinhosos pais, assim também, sob o amparo invisível de nosso Pai espiritual, somos muito bem assistidos nos combates da vida terrestre.

Todos temos um desses génios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e nos orienta para o bom caminho. É o nosso anjo da guarda.

Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a nos socorrer, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral.

O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis vêem todos os nossos atos, alegrando-se ou se entristecendo, deve nos estimular a mais sabedoria e ponderação.

É por essa protecção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne.

É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres, revertendo tudo para Deus, Pai das almas, foco de todas as potências efectivas.

O Espírito protector é ligado ao indivíduo desde o nascimento e, muitas vezes, o segue após a morte, na vida espiritual. Até mesmo em muitas existências corporais.

Vejamos o quanto é maravilhoso saber disso. Quanto cuidado do Criador para com cada um de nós, independente de quem somos, raça, credo e até mesmo, se somos homens de bem ou não. Nunca poderemos dizer que não fomos ajudados, que não se importavam connosco ou que estivemos abandonados em algum momento. Portanto, contemos com eles, nossos anjos de guarda, nossos protectores invisíveis.

Criemos uma linha de comunicação mais frequente, tentemos elevar nosso pensamento para que ele vibre nas frequências sutis dos pensamentos deles. Então, poderemos ouvir seus alertas, buscando nos guiar, suas sugestões e respostas aos nossos apelos.

Benditos sejam nossos Espíritos protectores, carinhosos amigos que do anonimato nos amam intensamente.

com base no poema A  voz do vento, de Andrey Cechelero; na questão 492, de O livro dos Espíritos; no cap. 3, item 14, do livro A Gênese, ambos de Allan Kardec e no cap. 35, do livro Depois da Morte, de Léon Denis