RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Francisco e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa Francisco y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Francis and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O SIMBOLISMO DA ÁRVORE DE NATAL

 

A humanidade presta culto aos deuses desde tempos remotos, porque o homem sempre sentiu uma grande necessidade de antropomorfizar as coisas para ter uma referência sobre si mesmo. Por isso, as Religiões primitivas surgiram através do culto a recursos que pudessem saciar as necessidades físicas e básicas do ser humano. Desta forma, era costume fazerem culto tanto às plantas, e às árvores, como às montanhas, ao mar, à chuva, etc. 

Daí surgiu o culto ao trigo com que os Judeus faziam o pão ázimo, e depois adveio a hóstia, no Cristianismo. Além disso, os Cristãos também fizeram o culto à parreira e ao vinho, que é utilizado pelos sacerdotes cristãos até hoje. Este culto antigo era praticamente dedicado à Mãe Natureza, uma vez que os ciclos das estações do ano, necessários à agricultura, tiveram origem e estão ligados aos pontos de intersecção da eclíptica, quando o Sol passa pelo equador, isto é, os equinócios e os solstícios. Estas quatro datas do ano marcam festas comemorativas espirituais conhecidas por Sabats.

De acordo com estudos esotéricos, as origens da Festa do Natal são muito anteriores ao nascimento de Jesus Cristo, pelo que os investigadores desta área a consideram como fazendo parte de uma altura cheia de magia. Os Sabats comemoravam o tempo de renascimento do Sol na mesma época do Natal. Curiosamente, na tradição dos Druidas, não só se pode encontrar a Árvore de Natal, as luzes, e os ornamentos nas portas, como também o próprio Pai Natal. 

Na verdade, a tradição das Festas religiosas vem de quase todo o Hemisfério Norte, e embora a simbologia natalícia provenha quase toda do paganismo, tal como da religião dos Druidas, encontramos, ainda, símbolos cabalísticos provenientes da tradição Judaica.

A árvore de Natal, de acordo com os gnósticos, possui um profundo significado esotérico, e está relacionada com todas as tradições Alquímicas, Cabalísticas e Cósmicas de todas as tradições. Da mesma forma, todos os presentes, ornamentos, cores, etc., têm um significado profundo e muito simbólico. Além disso, segundo as interpretações místicas do Xamanismo, as luzes e os ornamentos da Árvore de Natal representam também as almas dos que já partiram e que são lembrados no final do ano.

Em algumas regiões da Europa, a Árvore de Natal é conhecida pela “Árvore de Cristo”, pois desempenha um papel importante na data de nascimento de Jesus Cristo. Os registos mais antigos sobre a Árvore de Natal datam de meados do Século XVII, e provêm da província Francesa da Alsácia. A Árvore de Natal é um símbolo marcante que representa, ao mesmo tempo, o agradecimento pela vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Os Cristãos da antiga Europa começaram por ornamentar as suas casas com pinheiros no dia de Natal, porque era a única árvore que permanecia verde na imensidão da neve, sendo que eles seguiam as descrições sobre o florescimento de árvores no dia do nascimento de Jesus.

A tão popular Árvore de Natal representa esotericamente o Diagrama Cabalístico da Vida, denominado Árvore Cabalística ou Árvore Sefirótica. Conseguimos ver nesse Diagrama a representação de toda a vida e de todas as dez dimensões do Universo, pelo que esta Árvore deve possuir dez galhos, que vão desde “Kether”, o Pai todo Perfeito, até “Malkuth”, o mundo físico.

Por conseguinte, ao montarmos a Árvore de Natal, deveríamos compô-la de acordo com a tradição, criando-a de maneira a carregar o ambiente onde ela se encontra, com vibrações bastante positivas. 

Então, vejamos como se deverá montar uma Árvore de Natal gnóstica: O tipo de árvore deve ser de preferência um pequeno pinheiro, porque esta árvore representa a energia luminosa da Era de Aquário, visto ser o seu símbolo. Sugere-se que seja colocada no centro da sala ou na parte leste onde o Sol nasce. Caso não haja esta possibilidade podemos colocá-la em qualquer lugar próprio. Devemos, então, começar por enfeitá-la de cima para baixo, respeitando as forças descendentes do Espírito Divino, que vêm para nos abençoar no nosso plano físico. No topo da árvore deve-se fixar uma estrela dourada, que representa a nossa Estrela Interior, que anseia orientar-nos na peregrinação da vida. É o nosso Espírito Divino que necessita nascer na nossa Consciência, uma vez que a Consciência é o topo da nossa Alma. Contudo, nunca se deve colocar a estrela com a ponta na cabeça. 

Os ornamentos significam, em alegoria, tanto as virtudes, como as forças espirituais que devem triunfar dentro das nossas Almas, quando a Árvore de Natal está dentro de casa. Os principais ornamentos simbólicos deverão ser: Três Sinos pequenos, que representam a Santíssima Trindade, as Três Forças Primárias do Cosmos. Sete Anjos, que simbolizam os sete Espíritos Angélicos Santificados, e se encontram diante de Deus a intercederem por todos nós. Doze bolinhas, embora possamos usar mais, mas as maiores deverão ser doze, pois este é o número que significa as Doze Leis de Cristo, que são os Doze Salvadores e os Doze Cavaleiros da Távola Redonda, que nos protegem de todo o mal, de maneira que nos seja possível, um dia, encontrar as Doze Verdades de Cristo. Deverão colocar-se, ainda, sete bengalinhas, que simbolizam as Sete Kundalinis, ou Chakras, que devemos exercitar, para mais tarde encarnarmos os nossos Poderes que divinizam. 

Para além disso, os ornamentos ou presentes que estiverem perto da Árvore de Natal representam todas as virtudes que queremos alcançar na nossa vida espiritual. Podem ser pequenas caixinhas vazias de cores variadas, que significam essas virtudes.

Na base da Árvore ou próximo dela deveremos pôr uma Vela Quadrada de cor Amarela. Acendê-la se possível na noite de Natal para que toda a simbologia natalícia se transforme num carregador de energia astral poderoso. No lado oposto da Vela, devemos pôr um recipiente com Água, que poderá ser uma pequena Jarra. A sua representação significa que devemos nos purificar com a Água e com o Fogo, para que se dê início à verdadeira construção da nossa Árvore Natalícia Interna.

A época mágica do Natal é especial para os nossos corações, porque depois de um ano de muita luta e poucas vitórias, podemos receber no final do ano a maravilhosa Energia de Cristo, que nos dá alento à alma e ao coração. 

Portanto, nesses momentos mágicos e divinos deveríamos orar, festejar e pedir bênçãos e abençoar tudo e todos, visualizando o nosso coração cheio de Luz intensa dourada e imaginar dentro desta Luz o rosto de Jesus, cheio de Glória, Alegria, Felicidade, muito Amor, Compaixão por todos os Seres e Sabedoria.

Resta-me agora desejar-vos que a Luz do Cristo Cósmico ilumine as vossas casas com esta representação esotérica maravilhosa da Árvore de Natal.

Lubélia Travassos

(Ponta Delgada, 4 de Dezembro de 2024)

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Evangelho (Mt 11,16-19)

Naquele tempo, Jesus disse: «Com quem vou comparar esta geração

É parecida com crianças sentadas nas praças, gritando umas para as outras: ‘Tocamos flauta para vós, e não dançastes. Entoamos cantos de luto e não chorastes!’ Veio João, que não come nem bebe, e dizem: ‘Tem um demônio’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de publicanos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras».

domingo, 21 de dezembro de 2025

E se a vida fosse uma estrada?

Cada um de nós caminha pela vida como se fosse um viajante que percorre uma estrada. 

Há os que passam pouco tempo caminhando e os que ficam por longos anos. Há os que vêem margens floridas e os que somente enxergam paisagens desertas. Há os que pisam em relva macia e os que ferem os pés em pedras pontiagudas e espinhos. Há os que viajam em companhias amigas, assinaladas por risos e alegria. E há os que caminham com gente indiferente, egoísta e má. Há os que caminham sozinhos – inclusive crianças - e os que vão em grandes grupos. Há os que viajam com pai e mãe. E os que estão apenas com os irmãos. Há quem tenha por companhia marido ou esposa. Muitos levam filhos. Outros carregam sobrinhos, primos, tios. Alguns andam apenas com os amigos. Há quem caminhe com os olhos cheios de lágrimas e há os que se vão sorridentes. Mas, mesmo os que riem, mais adiante poderão chorar. Nessa estrada, nunca se conheceu alguém que a percorresse inteira sem derramar uma lágrima...

Pela estrada dessa nossa vida, muitos caminham com seus próprios pés. Outros são carregados por empregados ou parentes. Alguns vão em carros de luxo, outros em veículos bem simples. E há os que viajam de bicicleta ou a pé. 

Há gente branca, negra, amarela. Mas se olharmos a estrada bem do alto, veremos que não dá para distinguir ninguém: todos são iguais

Há gente magra e gente gorda. Os magros podem ser assim por elegância e dieta ou porque não têm o que comer. Alguns trazem bolsas cheias de comida. Outros levam pedacinhos de pão amanhecido. Muitos gostam de repartir o que têm. Outros dão apenas o que lhes sobra. Mas muita gente da estrada nem olha para os viajantes famintos. 

Há pessoas que percorrem a estrada sempre vestidas de seda e cobertas de joias. Outros vestem farrapos e seguem descalços. Há crianças, velhos, jovens e casais, mas quase todos olham para lugares diferentes. Uns olham para o próprio umbigo, outros contemplam as estrelas, alguns gostam de espiar os vizinhos para coscuvilhar depois. Uma boa parte conta o dinheiro que leva e há os que sonham que um dia todos da estrada serão como irmãosEntre os sonhadores há os que se dedicam a dar água e pão, abrigo e remédio aos viajantes que precisam. Há pessoas cultas na estrada e há gente muito tola. Alguns sabem dizer coisas difíceis e outros nem sabem falar direito. Em geral, os sabichões não gostam muito da companhia dos analfabetos.

O que é certo mesmo é que quase ninguém na estrada está satisfeito. A maioria dos viajantes acha que o vizinho é mais bonito ou viaja de forma bem mais confortável. É que na longa estrada da vida, esquecemos que a estrada terá fim. E, quando ela acabar, o que teremos?

Carregaremos, sim, a experiência aprendida durante o tempo de estrada e estaremos muito mais sábios, porque todas as outras pessoas que vimos no caminho nos ensinaram algo. A estrada de nossa existência pode ser bela, simples, rica, tortuosa. Seja como for, ela é o melhor caminho para o nosso aprendizado. Deus nos ofereceu essa estrada porque nela se encontram as pessoas e situações mais adequadas para nós. Assim, siga pela estrada ensolarada. Procure ver mais flores. Valorize os companheiros de jornada, reparta as provisões com quem tem fome. E, sobretudo, não deixe de caminhar feliz, com o coração em festa, agradecido a Deus por ter lhe dado a chance de percorrer esse caminho de sabedoria.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Pensamento

"À falta de montanhas verdes dentro de mim, procuro viver nas montanhas ao meu redor. Para a sombra dos meus sentimentos procuro o Sol ao meu redor... para que me possa aquecer. Pestanejo perante luz tão brilhante, e um forte aroma silvestre inunda todo meu corpo... a minha alma rejubila."

domingo, 7 de dezembro de 2025

O que desejas te é dado ver

O que desejas te é dado ver... 

Procura com tua visão as cores do silêncio que emana de um estado amoroso. 
Procura com tuas mãos a maciez dos trigais, que dançam com os ventos mornos e sente... a liberdade é um estado de espírito. 

Procura com tuas palavras a sabedoria que provém do teu coração, para que o outro possa contigo aprender a sentir o seu próprio coração
Procura ouvir e com tua intuição, aprende a separar o trigo do joio, trazendo para dentro de ti somente a verdade que alimenta tua luz. 

Procura com teu silêncio a Presença Santa que habita em ti e com Ela celebra, aprendendo a amar ao invés de atacar. 
Procura em tuas inúmeras necessidades apenas um pedido, e que este pedido seja: estou disponível para viver o que me é dado viver. 

Procura em tuas preces a clareza para saber que não necessitas de nada, apenas estar em paz.  
Procura no sofrimento a coragem para deixar de sofrer, adquirindo, desta forma, meios para conhecer a ti mesmo e ver quão luminoso és.  

Procura o amor e ama, intensamente ama, pois este é o teu propósito. O amor é a única coisa disponível nesta terra que tem a doce capacidade, para inundar teu ser de alegria e confiança. Lembra: o que desejas te é dado ver... 

Aprende a desejar teu encontro com as águas que Deus faz jorrar em teu próprio jardim.

sábado, 29 de novembro de 2025

Pensamento sobre a Oração

O costume de orar ao Senhor acendendo uma vela e queimando incenso, advém de a vela e o incenso que ardem simbolizarem o sacrifício, a transformação de uma matéria bruta numa matéria mais subtil: a luz e o perfume.

Nenhum dos gestos que o homem executa na sua vida é fruto do acaso; mesmo aqueles que parecem insignificantes contêm um significado profundo. Sempre que fazeis lume ou acendeis uma vela, deveis sentir quão profundo é o fenómeno do sacrifício, e pensar que, para se ter acesso aos planos superiores, da alma e do espírito, é sempre necessário queimar algo em si próprio. Há tanta coisa acumulada em nós que podemos queimar! Todas as impurezas, todas as tendências egoístas, passionais, são a matéria que devemos queimar, para produzirmos uma luz que nunca nos deixará.

sábado, 15 de novembro de 2025

Oração Apache

Que a chuva lave suas preocupações.
Que a brisa sempre sopre uma nova força em seu ser.
Que você possa caminhar suavemente através do mundo e saber de sua beleza todos os dias de sua vida!
Goyaałé (Gerónimo) 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

As orações sempre ouvidas

Às margens do momento inesquecível em que Yeshua proferiria pela primeira vez a oração do Pai nosso, Pedro manteve oportuna conversação com o Mestre acerca da comunhão com Deus. A primeira questão que incomodava o discípulo era se Deus realmente ouvia todas as orações.

Yeshua lhe respondeu:

Como não, Pedro? Desde que o homem começou a raciocinar, observou que, acima de seus poderes reduzidos, havia um poder ilimitado, que lhe criara o ambiente da vida. Todas as criaturas nascem com tendência para o mais alto e experimentam a necessidade de comungar com esse plano elevado, donde o Pai nos acompanha com o Seu amor, todo justiça e sabedoria, onde as preces dos homens O procuram sob nomes diversos.

Simão, você acredita que, em todos os séculos da vida humana, as almas recorreriam, incessantemente, a uma porta silenciosa e inflexível, se nenhum resultado obtivessem?... Não tenha dúvida: todas as nossas orações são ouvidas!

Em Sua resposta a Pedro, Yeshua provoca uma autoanálise. Faz-nos buscar uma tendência inata que todos temos, que vem conosco, independentemente da crença, da educação e da cultura na qual estamos mergulhados.

Obviamente, essa essência será influenciada por diversos fatores, ao longo da nossa existência. Poderá ser até abafada a ponto de alcançar a negação da existência do próprio Criador. Quando o nosso caldo de cultura e educação se soma a traumas do Espírito imortal, podemos romper com a ideia de Deus. Isso não faz com que Ele deixe de existir. Apenas bloqueia-nos, parcialmente, o acesso a parte importante de nós mesmos.

Yeshua nos estimula a buscar nossa própria essência, o que nos conecta naturalmente ao Pai, como sempre nos conectou. Sempre tivemos essa tendência de perceber que, acima de nós, havia forças superiores. A necessidade de comungar, de nos relacionarmos com Essa Força, com Essa Inteligência Superior, é decorrência natural.

Muitos o fazemos sem perceber, às vezes no contato com a natureza, sentindo o vento no rosto, emocionando-nos com o sol nos tocar, numa bela manhã. Outros o fazemos no contato com o amor dos filhos, na emoção de sermos pais e nos darmos conta da grandeza de sermos cocriadores. Outros o fazemos nas ações do bem.

Contudo, há um método infalível para essa conexão com o Criador. Aprendemos a chamar de oração. Uma conversa direta, um momento em que podemos segredar íntimas aspirações, anelos, esperanças, dúvidas e amargores. Sem necessidade de rituais exteriores, sem palavras específicas, sem local ou horário determinados.

Yeshua é nosso modelo. Deve ser imitado em tudo. Ele se utilizou desse recurso inúmeras vezes. E para nos guiar, deixou uma prece referência, ensinando-nos a orar, garantindo-nos que toda oração verdadeira, feita com o coração, seria ouvida.

Lembremos disso. Somos ouvidos pelo Pai. Habituemo-nos então, a buscá-lO, a segredar-Lhe nossas necessidades, nossas dores e nossas alegrias, todo dia, a cada dia.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A Oração - nº. 11

Contudo, para que uma oração seja ouvida há que respeitar certas condições. Porque é que, por exemplo, os Iniciados do passado ensinaram o gesto de juntar as mãos quando se ora? É simbólico. É porque a verdadeira oração representa a união dos dois princípios: o coração e o intelecto. Se é o vosso coração que pede, mas o vosso pensamento não participa, não se junta a ele, a vossa oração não será recebida. Para ela ser recebida, tem que vir do coração e do intelecto, do pensamento e do sentimento, isto é, dos dois princípios, masculino e feminino, unidos.
Em quantos quadros se representam pessoas a orar, até crianças com as mãos juntas! Mas nunca se compreendeu a profundidade deste gesto. Isto não quer dizer que para orar é obrigatório juntar as mãos fisicamente. Não, não é a atitude física que conta, mas a atitude interior. É preciso juntar o coração e o intelecto, a alma e o espírito, porque é da sua união que resulta a força da oração. Nesse momento, projectais uma força para o Céu, em resposta, envia-vos a luz a paz. Portanto, ao mesmo tempo, vós dais e recebeis, sois activos e receptivos.
A oração é um impulso do homem para o Céu, para Deus, e esse impulso pode ser mudo ou assente em palavras. Evidentemente, o essencial da oração não está nas palavras, mas na intensidade, no fervor. Muitas vezes, quando as pessoas oram em voz alta, as palavras que pronunciam caem em saco roto; a sua boca murmura qualquer coisa, mas elas não oram, porque em si nada vibra. Ora, para ajudar à realização, a palavra pronunciada é muito importante, porque as vibrações sonoras têm grandes poderes sobre a matéria.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Os invisíveis que estão connosco

A noite seguia festiva no amplo auditório da Universidade. Pais, familiares, amigos tomavam quase todas as poltronas. A entrada dos formandos, um a um, sob os flashes dos fotógrafos, se sucedia, num mar de emoções.

Pais orgulhosos, lembrando as horas intermináveis de estudo, o esforço para a conquista do diploma universitário do filho;

Pais que mal continham as lágrimas, nas recordações dos pequenos há pouco e agora recebendo os louros de um curso concluído.

Havia esposos, namorados, padrinhos e madrinhas. E as manifestações de uns e outros, aconteciam, a cada formando que tomava assento no grande palco. Depois, foram os discursos. E as homenagens aos professores, aos pais, aos colegas. No entanto, houve um momento mais especial de todos os demais. Foi quando a festa transcendeu as paredes do auditório. Transpôs fronteiras e estabeleceu uma ponte com a Espiritualidade. Anteriormente, o nome de Deus, o Senhor da vida, fora lembrado mais de uma vez.

Prece de gratidão se erguera e fossem religiosos ou não, os minutos se transformaram em envolvente vibração. Então, o mestre de cerimónias anunciou que seria prestada uma homenagem aos que não estavam presentes.

As luzes se apagaram e todos foram convidados a acender a lanterna dos seus celulares. O ambiente parecia um céu de minúsculas estrelas brilhantes. E, enquanto eram lembrados pais que haviam partido, uma esposa, um amigo, aquelas pequenas luzes brilhando, nas mãos que se movimentavam, diziam que eles, os invisíveis, estavam ali.

Sim, essa era a mensagem. Eles estavam invisíveis, mas presentes, ao lado dos seus amores. Não houve quem não derramasse uma lágrima, furtiva que fosse. As vozes embargadas das formandas, responsáveis pela homenagem, quase não conseguiam chegar ao final do texto previamente preparado. Foram instantes de uma vivência espiritual. Instantes em que os dois mundos se interpenetraram e os do lado de cá nos demos conta disso.

Os mais sensíveis sentiram os abraços, os afagos dos que estavam na Espiritualidade. Com certeza, foi o momento mais extraordinário daquela noite.
Como seria bom se repetíssemos mais vezes essas vivências, em nossas vidas. Se lembrássemos de estabelecer essa ponte de comunicação com os que se foram. Afinal, a fronteira da Espiritualidade inicia exatamente quando finda a fronteira da vida material. E bastará um pensamento de tempos felizes juntos vividos, para que façamos a conexão com as suas mentes.

Eles, como nós, sentem saudades. E, muitas vezes, nas horas do dia ou nas horas mortas da madrugada, nos procuram. Não os sentimos, habitualmente, porque nos encontramos imersos em preocupações. Então, vez ou outra, permitamo-nos sentir abraçados por esses que prosseguem nos amando. Porque o amor não acaba nunca. Não fica encerrado em uma urna ou vira cinzas.

A alma imortal leva consigo o perfume dos seus amores, a doce lembrança dos que ficaram e, de onde se encontra, envia seu carinho. São como pequenos ramalhetes de delicadas flores que nos são endereçados. Permitamo-nos sentir-lhes o perfume. Oremos. Pensemos neles, endereçando-lhes nosso amor, a eles, os invisíveis que estão connosco.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Pensamento do dia

 "Quando meditais, quando orais, observai a natureza das vossas sensações. A meditação e a oração devem fazer-vos sentir um calor, uma luz, uma força, uma alegria, um deslumbramento... Se não for o caso, deveis procurar perceber qual é a razão.

Por vezes, quando se risca um fósforo na lixa, ele não se inflama, porque está molhado, ou então foi a caixa que apanhou humidade. E se um isqueiro não acende, é porque lhe falta gás ou porque a pedra está gasta. Nas práticas espirituais, tal como no plano material, os insucessos têm sempre uma causa, que é preciso descobrir. O intelecto nunca deve estar húmido, e o coração nunca deve estar seco. É preciso que o coração esteja húmido e quente, e que o intelecto esteja seco e frio. Um coração seco torna-se egoísta e, se estiver frio, terá falta de amor. Se se aquecer o intelecto, este adormecerá, e se estiver demasiado húmido, apodrecerá. Estas imagens simples e claras devem ajudar-vos a resolver as dificuldades da vossa vida interior."

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Evangelho (Lc 12,49-53)

Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: 

Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Um batismo eu devo receber, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Pensais que eu vim trazer a paz à terra? 

Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra conta nora e nora contra sogra.

Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus como uma pessoa de grandes desejos: Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12,49). Jesus já queria ver o mundo a arder em caridade e em virtude. Nada menos! Tem que passar pela prova de um batismo, quer dizer, da cruz, e já queria tê-la passado. Naturalmente! Jesus tem planos e tem pressa em vê-los realizados. Poderíamos dizer que é pressa de uma santa impaciência. Também nós temos idéias e projetos, e queríamos vê-los realizados rapidamente. O tempo estorva-nos. Como estou ansioso até que isto se cumpra! (Lc 12,50), disse Jesus.

É a pressão da vida, a inquietude experimentada pelas pessoas que têm grandes projetos. Por outro lado, quem não tenha desejos é um covarde, um morto, um freio. E, além disso, é um triste, um amargurado que costuma desabafar criticando os que trabalham. São as pessoas com desejos que se mexem e originam movimento à sua volta, as que avançam e fazem avançar.

Tem grandes desejos! Aponta bem para o alto! Busca a perfeição pessoal, a da tua família, a do teu trabalho, a das tuas obras, a dos cargos que te confiem. Os santos aspiraram ao máximo. Não se assustaram diante do esforço e da pressão. Mexeram-se. Mexe-te tu também! Lembra-te das palavras de Santo Agostinho: Se dizes já chega, estás perdido. Acrescenta sempre, caminha sempre. Avança sempre; não pares no caminho, não retrocedas, não te desvies. O que não avança, pára; retrocede o que volta a pensar no ponto de partida, desvia-se o que deserta. É melhor o coxo que anda no caminho que o que corre fora do caminho. E acrescenta: Examina-te e não te contentes com o que és se queres chegar ao que não és. Porque no instante em que te deleites contigo mesmo, terás parado. Mexes-te ou estás parado? 
Pede ajuda à Santíssima Virgem, Mãe da Esperança. 🙏

Rev. D. Joan MARQUÉS i Suriñach
(Vilamarí, Girona, Espanha)

domingo, 19 de outubro de 2025

Evangelho (Lc 18,1-8)

Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de orar sempre, sem nunca desistir: «Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, e lhe pedia: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário! ’ Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Não temo a Deus e não respeito ninguém. Mas esta viúva já está me importunando. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha, por fim, a me agredir!’.

E o Senhor acrescentou: 

«Escutai bem o que diz esse juiz iníquo! 

E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? 

Será que vai fazê-los esperar? 

Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar fé sobre a terra?

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Pensamentos do dia

"Quando vos dirigis ao Senhor, não imagineis que a vossa prece chegará até Ele diretamente. Na terra, é impossível dirigirmo-nos a uma personagem importante sem passarmos por intermediários; por maioria de razão, assim é também em relação ao Senhor. No entanto, algumas pessoas creem que qualquer um pode lidar diretamente com Ele! E até vos dirão como se dirigem a Deus e como Deus lhes responde. Ou, por vezes, é o inverso: Deus fala com elas e elas respondem-Lhe! Coitadas, se as coisas se tivessem passado como elas imaginam, há muito que teriam sido fulminadas, pulverizadas, não restaria delas o menor vestígio.

Deus é uma energia de uma potência indescritível, nenhum ser humano pôde, alguma vez, tocar-Lhe, nem ouvi-l’O, nem vê-l’O. Direis que Abraão, Moisés e os profetas de Israel falaram com Deus. Sim, o Antigo Testamento está cheio desses diálogos, mas, na realidade, é apenas uma maneira figurada de apresentar as coisas. Jamais algum ser humano se relacionou diretamente com Deus."

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Pensamentos... de Omraam

"O mergulhador equipado com um escafandro, que desce ao fundo do mar para aí trabalhar, precisa de uma quantidade suficiente de oxigénio para poder ficar muito tempo debaixo de água e, para sua segurança, fica ligado a amigos que permanecem fora de água, que lhe fazem chegar o oxigénio e que também estão prontos para o retirar ao menor sinal de perigo. Só nestas condições ele poderá trabalhar.

Tal como os escafandristas, nós estamos mergulhados num oceano chamado mundo. Este oceano está cheio de escolhos e de monstros que, por vezes, querem devorar-nos. Por isso, para resistirmos, precisamos de ser abastecidos com oxigénio, instalar tubos através dos quais o ar chegará até nós, ou seja, pormo-nos em contacto com o mundo divino e permanecer ligados a ele. Para se estabelecer este contacto, é preciso meditar e orar, pois são estas atividades que criam o tubo de ar e a corda de chamada. Aqueles que dizem: «Estou farto de orar e de meditar, é sempre a mesma coisa. Uma mudança far-me-ia bem», acabarão por perder-se no oceano da vida."

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Evangelho (Mt 15,21-28):

Naquele tempo, Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher Cananéia, vinda daquela região, pôs-se a gritar: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!». Ele não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: «Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós». Ele tomou a palavra: «Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus e começou a implorar: «Senhor, socorre-me!». Ele lhe disse: «Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos». Ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!». Diante disso, Jesus respondeu: «Mulher, grande é tua fé! Como queres, te seja feito!». E a partir daquela hora, sua filha ficou curada.


Grande exemplo da universalidade do pensamento cristão em Jesus, quando fica demonstrado neste episódio de sua vida entre nós, que para além do credo de cada um, da vida de cada um, de sua origem ou passado, a todos é dada a oportunidade de a cada instante de sua vida operar as modificações ou alterações que ache necessitárias fazer. A cada um só é como aqui demonstrado, necessário provar perante si próprio a pureza e autenticidade de sua intenção, afinal as condições verdadeiramente essenciais para que o seu pedido seja realizado. Uma vez mais, para isso é sempre necessária uma enorme dose de fé, de vontade e de esperança na mudança, muitas vezes mesmo além das próprias forças. Assim estarão reunidas as condições para que qualquer um, independentemente de sua condição, realize o milagre na sua vida. Acredite e entregue-se ao mais profundo do seu coração que urge revelar a mensagem que carrega consigo, de libertação.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

"A realidade do trabalho espiritual"

Portanto, não espereis para começar o trabalho espiritual, o trabalho do pensamento, pois será graças a ele que encontrareis as melhores soluções para todos os problemas com que ireis deparar-vos. Não conteis com mais nada. Enquanto não puserdes este trabalho em primeiro lugar, só tereis decepções, não conhecereis nem a satisfação nem a plenitude. Se interrogardes os cristãos, eles dir-vos-ão que contam com o Senhor, com a Providência.

Mas então por que é que eles estão sempre doentes, infelizes?
Por que é que o Bom Deus não vem curá-los e fazê-los felizes?

Simplesmente porque não pode; Ele não pode ajudá-los porque eles não plantaram nada, não semearam nada que desse às forças do Universo um motivo suficiente para agirem. Eles que lancem uma semente à terra e depois observem como a chuva e o sol vêm fazê-la crescer...

Sim, lançai uma semente à terra - simbolicamente falando - e todas as forças do Céu e da terra estarão convosco, podereis contar com elas para obter resultados. O trabalho do pensamento é a única coisa em que acredito; ele dá um sentido divino a todas as actividades da vossa vida, tornando-as benéficas para vós e para todas as criaturas do mundo.
Este trabalho é que vos irá ajudar, apoiar e proteger.

Regra geral, as actividades profissionais das pessoas só mexem com elas superficialmente; ir à fábrica ou ao escritório, trabalhar num laboratório, fazer política, tratar de doentes,.. está tudo muito bem, mas isso não pode despertar as forças que o Criador nelas depositou, a não ser que ao mesmo tempo, por intermédio do pensamento, elas façam um trabalho que toque as raízes do seu ser.

Aprendei a fazer este trabalho que dará resultados infinitos que ninguém poderá tirar-vos, pois é um trabalho que realizais em vós mesmos, lá onde ninguém tem acesso. Mesmo que tenhais uma profissão extremamente importante e interessante, começai também este trabalho interior, que dará um sentido a tudo o resto. Continuai com a vossa profissão, mas fazei este trabalho, pois ele é o único susceptível de vos melhorar profundamente e de dar gosto a todas as vossas actividades. Senão, pouco a pouco perdereis o gosto pelas coisas, e perder o gosto é a maior das infelicidades!

Por isso vos digo, com toda a franqueza, que para mim nada mais conta além deste trabalho, que podemos fazer todos os dias e graças ao qual acabaremos por remexer todo o Universo.

Vou dar-vos uma imagem.

Estais à beira-mar e divertis-vos agitando a água com um pauzinho: ao fim de uns instantes aparecem algumas palhinhas, depois umas rolhas e a seguir um pedacinho de papel que começam a girar em círculo. Vós continuais e alguns barquinhos também entram nesse movimento. Vós continuais... continuais... e pouco depois já arrastastes os grandes paquetes e por fim o mundo inteiro!

É apenas uma questão de continuação.
Interpretemos esta imagem.

O ser humano também está mergulhado num oceano, o oceano etérico, cósmico, mas não sabe que movimentos deve fazer para influenciar o seu meio e obter resultados. Pois bem, esses movimentos são justamente o trabalho de que eu estou a falar. Quando meditais, orais, comeis, vos lavais ou passeais, podeis aproveitar cada uma dessas actividades para vos tornardes mais puros, mais luminosos, mais inteligentes, mais fortes e mais saudáveis. Há tantas ocasiões em que podeis acrescentar, pela palavra e pelo pensamento, um elemento susceptível de vos trazer melhorias, a vós e a tudo o que vos rodeia!

Com o tempo, uma melhoria interior acaba sempre por produzir também melhorias exteriores. Portanto, é isto: o trabalho é que conta e, depois de ter descoberto o verdadeiro trabalho, o discípulo nunca mais pára.

Eu recordo-me de que, era eu ainda muito novo, o Mestre Peter Deunov tinha o hábito de me repetir estas três palavras:

«Rabota, rabota, rabota. Vrémé, vrémé, vrémé. Véra, véra, véra.»

Isto quer dizer: o trabalho, o trabalho, o trabalho; o tempo, o tempo, o tempo; a fé, a fé, a fé.

Ele nunca me explicou por que é que repetia estas três palavras, mas durante anos aquilo preocupou-me e eu compreendi que ele tinha condensado nelas toda uma filosofia, que é a seguinte: é necessário o trabalho, mas também a fé, para desencadear e continuar esse trabalho, e sobretudo o tempo. Sim, é preciso tempo!

Não deveis julgar que tudo vai realizar-se de repente. Agora sei o que é «vrémé»: os anos passaram e eu constato que «vrémé» é algo muito importante!

E o trabalho?!...
Quanto há ainda a dizer sobre esta palavra!

É claro que os humanos trabalham, fazem uns trabalhos para ganhar a vida, mas isso não é o trabalho mais importante. Eles semeiam, transpiram, cansam-se e julgam que trabalham porque têm uma ocupação para garantir o pão de cada dia. Não, eles ainda não começaram, pois o trabalho, tal como os Iniciados o compreendem, é a actividade de um ser livre, é uma actividade nobre, grandiosa. O trabalho espiritual subentende actividades de uma natureza particular.

Hoje eu fiz-vos entrever pelo menos três desses trabalhos, mas há muitos mais à vossa espera.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Quando se faz noite nas almas

Na noite que parecia de infinitas tristezas, ante as palavras proféticas do Mestre, uma nota de esperança. Uma esperança que não apenas bruxuleia como uma chama tímida, mas incendeia corações, ante a perspectiva deslumbrante.

Jesus se despedia dos amigos, eles o sentiam. Jamais, mesmo no reduzido círculo apostólico, suas instruções haviam soado tão prenunciadoras de dores futuras. A ceia pascal, que lembrava a libertação da escravidão do Egito, que falava de um Deus que havia olhado para o Seu povo e o havia abrigado em Seu amor, fora povoada de atos, nem por todos percebidos. As palavras caíam naqueles corações que se indagavam: O que faremos, quando Ele se for? Ele é a nossa fortaleza, nosso refúgio. Que faremos, depois?

Eles haviam deixado seus afazeres, seus lares para estarem com Ele, que lhes acenara com um reino jamais conhecido. Algo totalmente diverso do que viviam, naqueles dias de domínio romano. No entanto, aquela despedida os atemorizava:

Filhinhos, ainda por um pouco estarei convosco. Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis. Então, o Poeta de um reino ainda não alcançado, ergueu a súplica ao Pai. E nos versos da Sua oração, brotaram flores de esperança:

Pai, é chegada a hora. Glorifica a teu filho, para que também o teu filho te glorifique a ti. Eu te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste e guardaram a tua palavra. Agora, já têm conhecido quanto tudo que me deste provém de ti. Eu rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Não estou mais no mundo mas eles estão no mundo e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste para que sejam um, assim como nós. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os envio ao mundo. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a glória que me deste. Porque tu me hás amado antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu. Mas eu te conheci e estes conheceram que tu me enviaste a mim. Eu lhes fiz conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles. E eu neles esteja. 

Como uma suave balada, a rogativa acalmara aqueles corações. O Bom Pastor os entregava, em totalidade, ao Pai Amoroso e Bom. E prometia que estaria sempre com eles. Que mais poderiam almejar senão estar com Ele, na glória, na dor, onde quer que fosse e como fosse. Quando a voz se calou, permaneceram todos mudos. Nada mais havia para ser dito. A declaração fora do mais puro amor de um Ser aos Seus tutelados. Por isso, quando se fez a hora, eles saíram a pregar as belezas do reino dos céus, desejando atrair todos para Ele, a fim de que gozassem da mesma felicidade que lhes invadia as almas. Na noite de sofrimentos que nos assombrem, lembremos: o Pastor está connosco!

domingo, 14 de setembro de 2025

Porque Deus permite

“Sempre que indagamos de nossos Maiores porque não interfere a Divina Providência no campo da inteligência corrompida no mal, a resposta invariável é que o Criador exige sejam as criaturas deixadas livres para escolherem o caminho de evolução que melhor lhes pareça, seja uma avenida de estrelas ou uma vereda de lama.

Deus quer que todos os seus filhos tenham a própria individualidade, creiam nele como possam, conservem as inclinações e gostos mais consentâneos com o seu modo de ser, trabalhem como e quanto desejem e habitem onde quiserem.

Somente exige – e exige com rigor – que a justiça seja cumprida e respeitada. “A cada um será dado segundo as suas obras.” Todos receberemos, nas Leis da Vida, o que fizermos, pelo que fizermos, quanto fizermos e como fizermos. 

De conformidade com os preceitos Divinos, podemos viver e conviver uns com os outros, consoante os padrões de escolha e afetividade que elejamos; entretanto, em qualquer plano de consciência, do mais inferior ao mais sublime, o prejuízo ao próximo, a ofensa aos outros, a criminalidade e a ingratidão colhem dolorosos e inevitáveis reajustes, na pauta dos princípios de causa e efeito que impõem amargas penas aos infratores.

Somos livres para desenvolver as nossas tendências, cultivá-las e aperfeiçoá-las, mas devemos concordar com os Estatutos do Bem Eterno, cujos artigos e parágrafos estabelecem sejam feitas e mantidas, no bem de todos e no amparo desinteressado aos outros, as garantias do nosso próprio bem.

Cumpre-se a Eterna Justiça no mundo de cada um de nós. Deus não nos condena nem nos absolve. O Amor Universal está sempre pronto a soerguer-nos, instruir-nos, burilar-nos, elevar-nos, santificar-nos.

O destino é a soma de nossos próprios atos, com resultados certos. Devemos sempre a nós mesmos as situações em que nos enquadra a existência, porquanto recolhemos da vida exatamente o que lhe damos de nós.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Sede a vossa própria tocha! - Buda

Não vos ocupeis com as palavras ásperas,  faltas ou negligência alheias, mas, sim, sede consciente de vossas próprias palavras, atos e negligências. Semelhante às belas flores coloridas, mas sem perfume, são infrutíferas as belas palavras dos que as dizem, mas não as seguem.  Assim como o vasto oceano está impregnado de um único sabor, o sabor do sal, também, ó discípulos, meus ensinamentos estão impregnados de um único sabor: o sabor da Libertação Buda

O veneno não penetra na mão onde não há ferida, nem o mal atinge aquele que não o pratica. Todos os seres são Budas desde o início;
É como o gelo e a água;
Sem água, não existe gelo,

Seres sensíveis exteriores, onde buscamos o Buda?

Não sabendo quão perto está a Verdade, as pessoas a buscam em lugares distantes …
Elas são como aquele que no meio da água, sedento, grita implorando por ela.

Embora um homem conquiste numa batalha  mil vezes mil homens, o maior vitorioso em batalha seria em verdade  aquele que conquistasse a si mesmo.
Longa é a noite para quem vela; 
longo é o caminho para quem está cansado;
Longo é o samsara para os tolos  que desconhecem o sublime Darma.
"São meus esses filhos, é minha essa riqueza", assim o tolo se aflige.
Na verdade ele mesmo não é de si próprio, muito menos os filhos e a riqueza.
OS OITO PRECEITOS PARA TODA A VIDA
Assumo o preceito de abster-me de destruir os seres vivos.
Assumo o preceito de abster-me de tomar o que não me foi dado.
Assumo o preceito de abster-me de má conduta sexual.
Assumo o preceito de abster-me de falar mentiras.
Assumo o preceito de abster-me da fala maliciosa.
Assumo o preceito de abster-me da fala ríspida.
Assumo o preceito de abster-me de fazer intrigas.
Assumo o preceito de abster-me de bebidas intoxicantes e de 
drogas que causam perturbação à mente.

Não fazer o mal, praticar o bem
Purificar a mente
Este é o ensinamento do Buda.

A mente é instável e caprichosa, difícil de ser vigiada, correndo para onde lhe apraz; Dominá-la é grande bemé uma fonte de alegria.
Mesmo quando eu faço coisas para o bem dos outros
Nenhuma surpresa ou vaidade surge em mim.
É apenas como sentir a mim mesmo;
Eu não espero nada em troca.

Que alguém estabeleça primeiramente a si próprio no que é correto, e só então os outros instrua. Assim fazendo, o sábio não se corromperá.

Em definitivo, a razão pela qual o amor e a compaixão proporcionam o máximo de felicidadeé que a nossa natureza os estime acima de tudo.

As práticas espirituais só adquirem seu sentido na vida quotidiana. Na relação com nossos pais, esposa, marido, filhos e colegas de trabalho, e também com os seres em todos os planos da existência, material e sutil, isto é o termómetro da prática

O cultivo da bondade do coração ao longo de todo o quotidiano, a prática da virtude, compaixão, equanimidade, amor e alegria, esse é o caminho da iluminação

Quando estudamos o budismo, estamos estudando a nós mesmos, à natureza de nossas próprias mentes. Ao invés de focalizar algum ser supremo, o budismo enfatiza assuntos mais práticos; por exemplo, como lidar com as nossas vidas, como integrar as nossas mentes e como manter as nossas vidas quotidianas pacíficas e sadias. Em outras palavras, o budismo sempre acentua o conhecimento-sabedoria experiencial, ao invés de alguma visão dogmática. De facto, nem mesmo consideramos o budismo como uma religião no sentido comum do termo. 

Do ponto de vista dos mestres, os ensinamentos budistas estão mais para o campo da filosofia, ciência ou psicologia. 

A compaixão e o amor são as virtudes mais preciosas da vida. Por serem muito simples, são difíceis de serem colocados em prática. A compaixão só poderá ser plenamente cultivada à medida que se reconhece que cada ser humano é parte da humanidade e pertencente à família humana, independente de religião, raça, cultura, cor e ideologia. A verdade é que não há diferença alguma entre os seres humanos.

Devemos desenvolver (…) o veículo interior e universal: respeitar aos outros como respeitamos a nós mesmos, colocar os outros em nosso lugar e partilhar nosso tempo com eles; na verdade, dar-nos aos outros. A capacidade de realizar isso é nossa maior dádiva e o mais elevado potencial humano. A bondade e a sensibilidade infinitas às necessidades imediatas e fundamentais dos outros conduzem à totalidade humana — algo que cada um de nós pode definitivamente alcançar.

Deve haver um equilíbrio entre o progresso espiritual e o material. Atinge-se esse equilíbrio por meio de princípios enraizados no amor e na compaixão. O amor e a compaixão são a essência de todas as religiões, que têm muito a aprender entre si. O objetivo primordial de todas as religiões é criar seres humanos mais tolerantes, mais compassivos e menos egoístas.

A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nesta vida. Porque é apenas através da meditação que você pode empreender a jornada para descobrir sua verdadeira natureza e assim encontrar a estabilidade e a confiança de que necessitará para viver e morrer bem. 
A meditação é o caminho para a iluminação.