RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Leão XIV e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa León XIV y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Leo XIV and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."
Mostrar mensagens com a etiqueta Redação do Momento Espírita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Redação do Momento Espírita. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Nossas incoerências

Muitas vezes, em nossas preces silenciosas ou no recolhimento do lar, elevamos o pensamento a Deus com um pedido recorrente: a saúde.

É comum dizermos que, se o Criador nos conceder o bem-estar do corpo, o restante nós mesmos resolveremos. Brindados com a saúde do corpo, acreditamos que poderemos trabalhar com honra para o sustento, estudar para iluminar a inteligência e guiar nossos filhos pelas veredas do bem.

É um discurso bonito e, em sua essência, sincero. No entanto, compete-nos considerar se há coerência entre o que pedimos e nosso proceder. Por vezes, rogamos pela saúde ao mesmo tempo que agredimos nosso organismo com excessos à mesa ou nos entregando a vícios, como o tabaco, com suas dezenas de itens nocivos.

Pedimos a bênção do equilíbrio enquanto nos permitimos o uso de alcoólicos que, naturalmente, nos desequilibrarão física e emocionalmente. Não raro, criamos problemas que transbordam para o ambiente doméstico, afetando aqueles que amamos por puro descontrole emocional. Nosso corpo físico é nosso instrumento precioso de trabalho nesta escola terrena. Mais do que isso, trata-se de uma obra-prima da engenharia divina, cedida por empréstimo para que nos alcemos para a luz. Quando o prejudicamos, criamos transtornos que poderão ser passageiros ou se instalar como doenças insidiosas.

Da mesma forma, é habitual pedirmos paz. E Deus, em Sua bondade infinita, sempre a envia para nós. Contudo, a conservação dessa paz em nosso íntimo é tarefa que nos cabe. A paz não é um estado estático que recebemos de fora, mas uma construção diária que exige o controle de nossas reações impulsivas, a disciplina de não agir impensadamente.

Também o cuidado com as palavras agressivas que, uma vez lançadas, semeiam má vontade em nosso caminho. Como a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto, se oferecemos ofensas, colheremos, em algum momento, os frutos amargos, reflexo da nossa própria semeadura.

Jesus, o Mestre por excelência, ensinou-nos que aquele que não é fiel no pouco, não conseguirá ser fiel no muito. É de nos indagarmos como poderemos gerir nosso destino se negligenciamos o cuidado com o nosso corpo, com nossas atitudes e com nossas ações mais simples. É indispensável um ajuste de rota. Precisamos nos libertar do que é supérfluo, daquilo que não promove o nosso bem-estar. Antes de nos deixarmos vencer por hábitos destruidores ou por atitudes que esfacelam nossa paz interior, vale o questionamento: Para que isso me serve?

Ao buscarmos o melhor para nós mesmos através da disciplina e do autocontrole, nossa oração ganhará uma nova força. Então, quando suplicarmos por saúde, equilíbrio e paz, a resposta será o suave abraço da Divindade, duplicando e consolidando tudo o que, com esforço e dedicação, estamos ensaiando dentro de nós. E seremos, na Terra, o reflexo de um Espírito que compreendeu que viver com equilíbrio é a forma mais bela de dizer: Obrigado, Senhor, pelo dom da vida.

domingo, 29 de março de 2026

Maria de Nazaré

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

É com esta denominação que a Mãe de Jesus foi eleita para ser a protectora de Curitiba, a capital paranaense. E existem outras tantas denominações com que ela é lembrada. De acordo com o local, as circunstâncias,  recebe o adjectivo.

Nossa Senhora de Fátima, de La Salete, dos Navegantes, Imaculada Conceição, Nossa Senhora Aparecida.

Algumas das denominações têm a ver com aparições de Espíritos luminososApresentando-se com características femininas e excelsa beleza, foram tomados pela própria Mãe de Jesus. Foi somente na segunda metade do século IV que Maria passou a ser objecto de culto.

Na Arménia, na Gália e na Espanha, os documentos do século VI registam um dia consagrado a Maria. Em Roma, as festas em sua homenagem aparecem só no século VII. Não se sabe ao certo se as aparições eram realmente da Mãe de Jesus. No entanto, todas as religiões cristãs reverenciam a figura ímpar de Maria de Nazaré. No Espiritismo aprendemos a reconhecer em Maria uma entidade muito evoluída. Há mais de dois mil anos já havia conquistado elevadas virtudes que a tornaram apta a desempenhar, na crosta terrestre, a elevada missão de receber nos braços o emissário de Deus. Emissário que se fez menino para se transformar no modelo de perfeição moral que a Humanidade pode pretender sobre a Terra.

Após o episódio da crucificação do filho, Maria permanece um curto período em Betânia. Depois se transfere, com João Evangelista, para Éfeso. Ali estabelece um pouso e refúgio aos desamparados. Com João, passa a ensinar as verdades do Evangelho. Em poucas semanas, a casa de João se transforma num ponto de assembleias adoráveis. Maria fala das suas lembranças. Fala sobre Jesus com maternal enternecimento. Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados passam a frequentar o sítio generoso. São velhos e desenganados do mundo que vêm ouvir as palavras confortadoras. São enfermos que invocam sua proteção. Infortunados que pedem a bênção de seu carinho. Sua morada passa a ser conhecida como a Casa da Santíssima.


Assim foi até sua morte. Ao libertar-se do vaso físico, ela deseja rever a Galileia. Fora ali que seu filho apresentara as mais belas canções da Imortalidade. Em seguida, visita os cárceres de Roma, repletos de discípulos do Mestre, que aguardam a morte. Conforta-os e lhes transmite bom ânimo. Na Espiritualidade, Jesus lhe confia a assistência aos suicidasEsses Espíritos, em profundo sofrimento no Além, são atendidos pela legião dos Servos de Maria.

Maria é, pois, a sublime acolhedora desses Espíritos que se arrojaram aos abismos da morte voluntária. Todas as petições que a ela são dirigidas, são acolhidas pelos seus emissários. Examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria.

Maria de Nazaré prossegue amparando com imenso amor maternal a Humanidade inteiraOs espíritas a reconhecem como ser sublime que, na Terra, mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitude maternal, Aquele que foi o redentor dos homens, nosso Mestre e Senhor Jesus.

domingo, 21 de dezembro de 2025

E se a vida fosse uma estrada?

Cada um de nós caminha pela vida como se fosse um viajante que percorre uma estrada. 

Há os que passam pouco tempo caminhando e os que ficam por longos anos. Há os que vêem margens floridas e os que somente enxergam paisagens desertas. Há os que pisam em relva macia e os que ferem os pés em pedras pontiagudas e espinhos. Há os que viajam em companhias amigas, assinaladas por risos e alegria. E há os que caminham com gente indiferente, egoísta e má. Há os que caminham sozinhos – inclusive crianças - e os que vão em grandes grupos. Há os que viajam com pai e mãe. E os que estão apenas com os irmãos. Há quem tenha por companhia marido ou esposa. Muitos levam filhos. Outros carregam sobrinhos, primos, tios. Alguns andam apenas com os amigos. Há quem caminhe com os olhos cheios de lágrimas e há os que se vão sorridentes. Mas, mesmo os que riem, mais adiante poderão chorar. Nessa estrada, nunca se conheceu alguém que a percorresse inteira sem derramar uma lágrima...

Pela estrada dessa nossa vida, muitos caminham com seus próprios pés. Outros são carregados por empregados ou parentes. Alguns vão em carros de luxo, outros em veículos bem simples. E há os que viajam de bicicleta ou a pé. 

Há gente branca, negra, amarela. Mas se olharmos a estrada bem do alto, veremos que não dá para distinguir ninguém: todos são iguais

Há gente magra e gente gorda. Os magros podem ser assim por elegância e dieta ou porque não têm o que comer. Alguns trazem bolsas cheias de comida. Outros levam pedacinhos de pão amanhecido. Muitos gostam de repartir o que têm. Outros dão apenas o que lhes sobra. Mas muita gente da estrada nem olha para os viajantes famintos. 

Há pessoas que percorrem a estrada sempre vestidas de seda e cobertas de joias. Outros vestem farrapos e seguem descalços. Há crianças, velhos, jovens e casais, mas quase todos olham para lugares diferentes. Uns olham para o próprio umbigo, outros contemplam as estrelas, alguns gostam de espiar os vizinhos para coscuvilhar depois. Uma boa parte conta o dinheiro que leva e há os que sonham que um dia todos da estrada serão como irmãosEntre os sonhadores há os que se dedicam a dar água e pão, abrigo e remédio aos viajantes que precisam. Há pessoas cultas na estrada e há gente muito tola. Alguns sabem dizer coisas difíceis e outros nem sabem falar direito. Em geral, os sabichões não gostam muito da companhia dos analfabetos.

O que é certo mesmo é que quase ninguém na estrada está satisfeito. A maioria dos viajantes acha que o vizinho é mais bonito ou viaja de forma bem mais confortável. É que na longa estrada da vida, esquecemos que a estrada terá fim. E, quando ela acabar, o que teremos?

Carregaremos, sim, a experiência aprendida durante o tempo de estrada e estaremos muito mais sábios, porque todas as outras pessoas que vimos no caminho nos ensinaram algo. A estrada de nossa existência pode ser bela, simples, rica, tortuosa. Seja como for, ela é o melhor caminho para o nosso aprendizado. Deus nos ofereceu essa estrada porque nela se encontram as pessoas e situações mais adequadas para nós. Assim, siga pela estrada ensolarada. Procure ver mais flores. Valorize os companheiros de jornada, reparta as provisões com quem tem fome. E, sobretudo, não deixe de caminhar feliz, com o coração em festa, agradecido a Deus por ter lhe dado a chance de percorrer esse caminho de sabedoria.

sábado, 12 de julho de 2025

Quando Deus se cala

Alguma vez já nos sentimos assim: sozinhos, desamparados, como em meio a um imenso deserto?

Oramos, pedimos, suplicamos auxílio, amparo... E tudo o que recebemos é silêncio. É natural que, em momentos de dor ou incerteza, esperemos por uma resposta clara, uma palavra de consolo, um sinal evidente. No entanto, muitas vezes, a resposta divina vem envolta em profundo silêncio.

Será que esse silêncio expressa ausência, descaso da Divindade, indiferença? Ou será uma forma sutil de presença, que somente nosso desespero ou angústia não consegue perceber?

Alguns relatos afirmam que, certa feita, durante uma entrevista, um jornalista perguntou à Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz de 1979:

Madre, quando a senhora ora, o que diz a Deus? Ela respondeu serenamente:

Nada, eu só escuto. 

O jornalista então continuou: E o que Deus diz à senhora?

Com a mesma calma, ela respondeu: Nada. Ele só escuta.

Esse diálogo, simples e profundo, revela uma verdade espiritual grandiosa: a oração não precisa de palavras. E o silêncio, longe de ser ausência, pode ser comunhão. Quantas vezes buscamos uma resposta audível, imediata, quando o céu, em sua sabedoria, apenas nos convida à confiança?

É nesse silêncio que a alma se aquieta, que a fé se fortalece, que a Presença Divina se insinua sem alarde, sem barulho, sem urgência, mas com infinita delicadeza. Importante nos darmos conta de que nem sempre o alívio, o socorro vem sob a forma de soluções imediatas. Às vezes, se apresenta no simples fato de sabermos que não estamos sozinhos.

De outra, chega o socorro na voz de um amigo querido, uma mensagem de bom ânimo, um abraço reconfortante de alguém que nos oferece o ombro amigo para o desaguar das nossas lágrimas. Como uma mãe observa, em silêncio, os primeiros passos do filho, pronta para ampará-lo no tropeço, Deus também nos observa com amor. Permite que caminhemos… que descubramos… que cresçamos. Ninguém mais sábio do que Ele, para intervir exatamente quando se faz o momento devido.

Por vezes, a resposta divina é justamente a liberdade que Ele nos concede para viver as perguntas. Ele não apressa nossa jornada, não encurta os caminhos. Mas jornadeia ao nosso lado, mesmo quando não ouvimos Seus passos. O Seu silêncio não é ausência, nem rejeição. É confiança. É a certeza de que podemos seguir. Que a dificuldade que se apresenta nos servirá de aprendizado. Que conseguiremos vencer. Então, se oramos e o céu parece calado, não desanimemos.

Talvez não haja palavras, mas há presença. Talvez não haja respostas, mas há direção. Talvez não haja sinais, mas há amor – sempre. O silêncio de Deus também é resposta. É cuidado, é confiança na nossa capacidade de seguir adiante. Deus não se cala por indiferença. Ele silencia... porque ama. Ele silencia... porque confia. Somos Seus filhos, criados por amor, alimentados por amor e com um único destino: a felicidade da perfeição.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Deus é pai

Narra o Evangelista Lucas que Jesus orava em determinado lugar. Ao concluir, um de Seus discípulos se acercou e pediu: Senhor, ensina-nos a orar. Para aqueles homens, todos judeus, tal pedido era um tanto surpreendente, considerando que fazia parte da sua cultura fossem introduzidos nas tradicionais práticas religiosas, desde a infância. Eram homens que frequentavam a sinagoga de sua cidade. Ou o templo, quando em Jerusalém. Natural, portanto, se pensar que oravam, pois deviam conhecer minimamente os códigos religiosos que os regiam.

O que se deduz do pedido é que devem ter percebido que a relação de Jesus com a Divindade era um tanto diferente. Por isso, tentando compreender um pouco mais a respeito, fizeram tal pedido.

O Mestre os atende, de imediato. Reconhece que não se trata de mera curiosidade mas da real vontade de aprender sobre Deus, transcendendo a exteriorização das tradições, tal qual viam e observavam nas práticas habituais. Então, Jesus os orienta que, desejando orar, se dirijam a Deus, nos seguintes termos: Pai nosso, que estás nos céus.

Nunca antes, para aqueles homens, alguém havia se dirigido a Deus daquela forma. E ali é desvendada a Paternidade Divina. Um Deus Pai, que ampara, que cuida, que oferece o melhor. Um Deus, como explica Jesus, que, se cuida das aves do céu e dos lírios do campo, jamais desampararia Seus filhos.

Um Deus que provê as necessidades de todos, a cada dia, sem precisar que nos aflijamos com o amanhã. Um Deus que ama os seres, independentemente de seu credo. Ou mesmo aqueles sem credo. Cujo amor alcança os desvalidos, mas também os poderosos. Que se ocupa dos bons e amorosos. Porém, não se esquece daqueles que ainda permanecem no mal e na desfaçatez.

Um Deus amor que desconhece origem de raça, classe econômica ou qualquer artifício que tente classificar e separar homens e mulheres. Dessa maneira, não importa em que situação nos encontremos. Não importa quão graves tenham sido nossos tropeços ou o tamanho dos erros que acumulemos em nossa consciência. Sempre podemos contar com o amor do Pai.

Ele nos permitirá o resgate dos equívocos, mesmo os mais graves que possamos ter cometido. Irá nos amparar nos dias mais difíceis que venhamos enfrentar. Deus estará sempre a postos para nos aguardar o apelo.

Mesmo quando nos distanciarmos dEle, negando-O, tentando esquecê-lO ou extraindo-O de nossa vida, Ele permanecerá a velar por nós. O Seu é aquele amor que Jesus apresentou na parábola do filho pródigo.

Mesmo depois de ter esbanjado, de forma tola, tudo que o Pai lhe dera, envolto em dores e miséria, alquebrado e arrependido, retoma o caminho do lar. E encontra o Pai amoroso a aguardá-lo, de braços abertos. Nada indaga. Apenas acolhe, ampara. Nos momentos mais difíceis, pelos caminhos espinhosos, doloridos, sempre podemos contar com Deus, nosso Pai. Com Seu amor incondicional, Ele nos erguerá e estabelecerá roteiros de refazimento, de reabilitação, de renovação.

terça-feira, 15 de abril de 2025

A força viva do progresso

O célebre artista japonês do século dezenove, Katsushika Hokusai, deixou um legado artístico memorável. Não apenas pela beleza das obras, mas por sua postura perante a arte. É dele a famosa série Trinta e seis vistas do monte Fuji, um conjunto de xilogravuras registando, de forma magistral, o citado monte em diferentes estações e de diversos locais distintos. A xilogravura conhecida como A grande onda de Kanagawa, está exposta atualmente no museu britânico. Hokusai deixou um interessante relato, quando estava com setenta e cinco anos de idade: 

Desde a idade de seis anos eu tinha a mania de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos cinquenta, havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes dos sessenta não deve ser levado em conta. Foi aos setenta e três que compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira natureza, as plantas, as árvores, os pássaros, os peixes, os insetos. Em consequência, aos oitenta terei feito ainda mais progresso. Aos noventa, penetrarei o mistério das coisas. Aos cem, terei decididamente chegado a um grau de maravilha. E quando eu tiver cento e dez anos, para mim, seja um ponto, seja uma linha, tudo será vivo. O artista não chegou aos cento e dez anos de idade. Desencarnou aos oitenta e nove, mas o ponto principal é a sua noção de que somos perfectíveis, estamos em constante aprimoramento. Além de tudo, ele sabia também que a morte não seria o fim. Pouco antes de partir, em maio de 1849, deixou um haicai, um curtíssimo poema, que dizia: 

Agora como Espírito

Devo atravessar

Os campos de verão.

Certamente, o artista continuou seu trabalho na nova esfera e ainda percebeu, com alegria, o quanto poderia crescer, o quanto poderia ir adiante. Todos precisamos dessa visão. E que ela não seja uma visão de desânimo, como quando se olha uma estrada longa pela frente pensando em tudo que falta. Que seja a visão da disposição, do ânimo do caminhante que não vê a hora de conhecer o que os novos caminhos trarão. Quem conhece e aceita a lei do progresso sabe que caminhamos sempre para frente; que, embora enfrentemos crises, elas nos empurram para diante. Progredir é inevitável. Quando e como será é decisão pessoal.

Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem a ele se opor. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis humanas más. 

Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em concordância com a Justiça Divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em detrimento do fraco. 

Eis aí expressa a força viva do progresso. Podemos até retardá-la, criar-lhe embaraços. Contudo, jamais a poderemos anular. É Lei Divina.

Haverá dia em que tudo será vivo, como afirmou o artista. Haverá dia em que estaremos próximos de Deus e entenderemos tudo com mais clareza.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Nuvens que passam

O dia amanhecera ensolarado. Nos quintais, a criançada se divertia, correndo, rindo esse riso solto de quem sonha venturas. De repente, o vento se fez forte, açoitando a copa das árvores, arrancando-lhes folhas da cabeleira verde e espessa, jogando-as à distância.

Parecia que, de repente, a natureza houvesse enlouquecido e, desgrenhada, uivasse pelas ruas e praças, obrigando os transeuntes a procurarem abrigo. O céu se cobriu de nuvens escuras, prenunciadoras de chuvas e o dia se fez noite, em plena manhã. Depressa se fecharam janelas, se recolheram pertences.

Dos céus jorraram águas abundantes, fustigadas pela ventania, que as arremessava, com força inclemente, contra as casas, os muros, as grandes árvores. 

Foram somente alguns minutos. Depois, os relâmpagos se apagaram e a chuva parou.

Uma grande quietude invadiu a natureza. A ramagem verde sacudiu as últimas gotas d´agua, o vento bocejou cansado, recolhendo-se. Algumas horas passadas e o sol voltou a sorrir raios de calor e luz. Quem olhasse para o céu iluminado, dificilmente acreditaria que há pouco a borrasca se fizera violenta.

Assim também é na vida. Os momentos de lutas e de bonança se alternam. Quando o sofrimento chega, em forma de enfermidade, solidão, desemprego, morte dos afetos mais chegados, tamanha é a dor, que deixa em frangalhos o coração. Acreditas que não haverá mais esperança, nem amanhã, nem alegrias. Nunca mais.

Tudo é sombrio. As horas, os dias, os meses se arrastam pesados. A impressão que tens é que nada, jamais, porá fim ao fustigar das dores. Contudo, tudo passa como a chuva rápida do verão, logo substituída pelos raios do sol. E transcorrido algum tempo, ao lembrares daquele período de dores, dirás a ti mesmo: Meu Deus, nem acredito que passei por tudo aquilo. Até parece um sonho distante.

Porque tudo passa na vida, porque tudo é transitório, passageiro, não percas a esperança. O que hoje é, amanhã poderá ter feição diferente, deixar de ser. Acima de tudo, recorda que o amor de Deus te sustenta a vida e não há, no Universo, força maior do que a presença de Deus atuando favoravelmente.

Dessa forma, quando a inclemência das dores te fustigarem a alma, recolhe-te à meditação e ouvirás o pulsar do Cosmo. No silêncio identificarás as vozes da Imortalidade te falando aos ouvidos da alma, dizendo-te da vitória que haverás de alcançar. Refugiando-te na oração, dialogarás com Deus, com a intimidade do filho ao pai ou ao coração de mãe

Não entregues a batalha a meio. Prossegue. Embora as nuvens carregadas de dissabores que possam te envolver, lembra que logo mais, amanhã, outro dia, em algum momento, o sol voltará a brilhar. Sol em tua alma, em tua vida. Pensa nisso e aguarda um tanto mais, antes de te entregares à desesperança. Deus tem certeza do teu triunfo e da conquista plena de ti mesmo.

Confia n´Ele.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Ante o Novo Ano

Ao finalizar o ano 1900, muitos pensadores argumentavam que o raiar do século XX marcaria o fim da fase religiosa da História. Mas cá estamos, no século XXI e a mensagem do Cristo está bem viva e forte no pensamento e no coração de incontáveis pessoas.

Voltaire, escritor francês do século XVIII, imbuído desse espírito cristão, teve oportunidade de produzir excelentes peças de caráter religioso. Hoje, neste início de mais um ano, é importante revermos tais escritos que nos remetem a uma profunda fé em Deus. Exatamente aquele Deus que Jesus nos revelou como o Pai de todos nós. Um Pai que ama e por amor nos sustenta os dias.

Deus de todos os seres, de todos os mundos, de todos os tempos. Se é permitido a frágeis criaturas, não percebidas para o resto do Universo, atrever-se a Te pedir algo, a Ti, que tudo nos tens dado;

A Ti, cujos decretos são imutáveis e eternos.

Olha com piedade os erros de nossa natureza. 

Que esses erros não sejam calamidades.

Afinal não nos deste o coração para nos aborrecer e as mãos para nos agredir.

Faze com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e fugaz.

Que as pequenas diferenças entre os trajes que cobrem nossos frágeis corpos, entre nossas insuficientes linguagens; entre nossos ridículos usos, entre nossas imperfeitas leis, entre nossas insensatas opiniões, entre nossas condições tão desproporcionadas aos nossos olhos e tão iguais diante de ti; que todos esses matizes, enfim, que distinguem os átomos chamados homens, não sejam sinais de ódio e de perseguição.

Que aqueles que acendem velas em pleno meio-dia para Te celebrar, tolerem os que se contentam com a luz de Teu sol.

Que os que cobrem seus trajes com tela branca para dizer que devemos amar, não detestem os que fazem o mesmo sob uma capa de lã negra.

Que seja igual adorar-Te em dialeto formado de uma língua antiga e em uma recém-formada.

Que todos os homens se recordem de que são irmãos!

Se os açoites da guerra forem inevitáveis, dá-nos condições de não nos desesperarmos.

Que não nos destrocemos uns aos outros em tempos de paz.

Que empreguemos o instante de nossa existência em bendizer em milhares de idiomas, desde o Sião até a Califórnia, Tua bondade que nos concedeu este instante.

Originados da mesma fonte, amparados pelo mesmo Pai, todos os homens somos irmãos.

Se as fronteiras nos dividem em países e nações, se os idiomas nos criam dificuldades de comunicação, se as distâncias nos impedem de nos entrelaçarmos, a vibração da fraternidade deve vigorar em nossos corações.

Todos fomos criados por amor, somos filhos da luz e destinados à luz.

Por ora, e somente por agora, nos situamos em painéis diferentes. Mas um dia, além do corpo, transcorrido todo o caminho, todos chegaremos ao mesmo fim. A casa do Pai. A perfeição.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Ainda cabe Jesus?

Em trânsito pelos caminhos terrestres, a cada dia tua capacidade de observação se aprimora, oferecendo aos teus raciocínios largo material de observação. Parece, ao teu olhar, que a Humanidade desandou, apesar de tanta cultura.

A agressividade campeia desenfreada, como incontrolável animal em campina sem fim. Escasseia a paz, fazendo com que os homens se armem, uns contra os outros. O discurso parece distante da prática.

Diante de alguns dias de sol abundante, seguem-se horas intermináveis de nuvens escuras, despejando sobre os lares aguaceiro devastador. Imaginas que a segurança para teu lar pode ser uma grade forte, fios eletrificados e monitoramento dos passos alheios. Dessa maneira, deixas entender que todo mundo é suspeito, até prova em contrário. Tens a impressão de que a cultura avançou sobre as rodas de um veículo ligeiro, enquanto a ética anda muito longe, caminhando lentamente ao lado de uma montaria cansada. Tantos livros, bibliotecas e incontáveis analfabetos!

Campos fartos e fome nas metrópoles.

Lojas abarrotadas de artigos de vestuário e cada dia tens notado mais corpos desnudos.

A medicina proclama seus avanços admiráveis e milhares tombam sob o contágio de enfermidades cruéis.

Tantos templos religiosos e a descrença reinando solta nas consciências.

Discursos espiritualistas e condutas materialistas.

Cartas e leis admiráveis em torno dos direitos humanos e, por toda parte, a indiferença, o abuso e a invasão desses direitos, fazendo do outro simples estatística. Homens e mulheres andando na praça com seus animais de estimação, enquanto seus genitores estão em abrigos da terceira idade, mergulhados na dolorosa saudade dos afetos. Fala-se em luz, em claridade abundante, em ruas iluminadas pelos néons e led's de alta tecnologia. No entanto, muitos transeuntes estão em densas sombras íntimas.

O riso no palco e o choro convulsivo na coxia.

A gargalhada estridente no cinema ou no show da celebridade. Logo após, a agonia íntima, arrastando o ser para o paroxismo das emoções em desgoverno. Ou muito agito ou muita paralisia. Som muito alto. A conversa ao celular é quase aos gritos.


Quem realmente és tu?

E te perguntas: Ainda cabe Jesus no coração da criatura humana?

Qual o resultado de dois mil anos de Cristianismo?

Buscas, então, refúgio numa pequena porção de natureza, um lugar à parte desse burburinho quase enlouquecedor e tentas obter alguns momentos de silêncio, refazendo teu inquieto mundo interior.

Ora.

Silencia.

Medita.

Recorda o Divino Amigo, em ouvindo novamente a severa advertência: No mundo, tereis aflições!

Ele também atravessou um tempo parecido com esse, em proporção numérica menor. Contudo, as agonias eram as mesmas, as buscas, as ilusões...

Adestra tua paciência.

Acalma teus raciocínios.

Testa tua resiliência.

Se chegaste até aqui, com Jesus podes ir um pouco mais adiante. Confia. Trabalha, ama e segue.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Para onde nos conduzem os sonhos

Imagem e semelhança de Deus, somos Espíritos imortais. Nosso verdadeiro lar é o mundo espiritual. Estabeleceu Deus que, criados simples e ignorantes, todos peregrinássemos pelas tantas casas da Sua morada. E a lei que determina que tenhamos experiências para adquirir conhecimento e sentimento de excelência, se chama lei de progresso. Por isso, nascemos e renascemos muitas vezes em diversos mundos.

Como numa gradação vamos do jardim de infância, do bê-à-bá aos bancos universitários, jornadeamos pelos tantos mundos de Deus, periodicamente e por tempos limitados. E porque sentiríamos saudades do local de onde viemos, das criaturas com quem convivemos e que nem sempre vêm para o mundo material, na mesma época, criou Deus algo maravilhoso. Definiu que teríamos dia e noite. Lemos os versos poéticos no primeiro livro bíblico: Deus pôs na luz o nome de dia e na escuridão o nome de noite. A noite passou, e veio a manhã.

Assim temos as horas de trabalho, de estudo, de agitação. Para o repouso, adormecemos. Dorme o corpo enquanto o Espírito voa livre ao encontro das suas aspirações. Tudo o que se passa nesse período do sono reparador das energias físicas, tudo o que recordamos ao reabrir os olhos na carne, se chama sonho. O que fazemos quando dormimos depende de cada um de nós. Vamos ao encontro de outros seres que como nós se libertam parcialmente. Encontros de almas viventes.

Podemos ter amores, amigos reencarnados em outros lugares, distantes. Alguns que conhecemos nesta vida, com quem mantemos laços de afeto. Ou até criaturas de outras vidas, com as quais nunca mantivemos contato durante a vigília. Isso explica por que encontramos e conversamos com pessoas, que reconhecemos durante o sono, mas, ao acordarmos, não sabemos dizer quem eram.

Podemos ir para junto de companheiros de nível superior. Podemos viajar com eles, nos instruir com eles, talvez até colaborar em alguma ação benemérita. Se estamos com problemas graves, sofrendo, podemos ouvir exortações, conselhos dos bons Espíritos, daqueles que nos amam, que se interessam por nós. Eles nos transmitem bom ânimo, coragem.

Em certas circunstâncias muito graves, poderão nos abrir o leque de vida ou de vidas anteriores, para nos explicar o porquê dos sofrimentos que ora nos alcançam. Podemos ser avisados da nossa desencarnação, de quando se dará e, inclusive, preparados para aquele momento. Aproveitarmos muito bem essas horas de repouso físico, depende de cada um de nós. O que nos leva a considerar a importância de nos prepararmos para o sono. Entregarmo-nos a um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração. Fazermos uma leitura amena, nobre, entregando-nos à proteção dos bons Espíritos.


Ao despertar, busquemos extrair sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho. Em tudo há sempre uma lição. Busquemos percebê-la, sem fanatismo, nem impetuosidade. À noite, sonhamos. Preparemo-nos para bons e produtivos sonhos.

sábado, 20 de julho de 2024

Auxílio mútuo

Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno. Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritadiço:

Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente. O outro, porém, mais piedoso, considerou:

Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima sem perda de minutos. E avançou para diante em largas passadas.

O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido. A chuva gelada caiu, metódica, pela noite adentro, mas ele, amparando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que havia seguido à frente. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, numa vala do caminho alagado.

Seguindo à pressa e a sós, com a ideia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.

Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo… Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

As mais eloquentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que amparamos constituir-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide. Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina. 

sábado, 1 de junho de 2024

Com Deus me deito, com Deus me levanto

Numa antiga oração popular, ensinada às crianças para que seja orada antes de dormir, encontramos uma expressão muito interessante:

“Com Deus me deito, com Deus me levanto…”

Eis então algumas considerações importantes inspiradas neste costume: Com Deus me deito…

Que importante anelo para alguém que se prepara para o sono, tendo em vista que ao dormir, ao se penetrar o universo do sono e dos sonhos, ninguém pode garantir a qualidade deste transe, a harmonização com Deus faz-se fundamental. Cada pessoa, que se desprende do corpo físico, passa a travar contato com os variados tipos espirituais. Amigos uns, inimigos outros, comparsas do pretérito reencarnatório, incontáveis. Por causa disso, torna-se primordial criar-se o hábito benfazejo de orar, antes de dormir, entregando a mente, os raciocínios e os sentimentos às mãos do Criador.

Quando alguém mergulha nesse rio do sono, não tem ideia de com quem deparará. É o que nos ajuda a entender os sonhos suaves, cheios de estesias, repletos de alegrias, que levam muita gente a dizer que chega a ter vontade de não despertar.

Há, por outro lado, os conhecidos pesadelos, que não são, senão, o resultado do contato angustiante e perturbador com adversários ou inimigos, cobradores, em vários níveis, das condutas daquele que dorme.

Deitar-se com Deus, então, transforma-se em providência muito feliz, com o fito de libertar-se de qualquer perseguição sombria.

“Com Deus me levanto…”

Em realidade, a referência é ao ato de despertar do sono. É fundamental alguém aprender a levantar-se com Deus, num mundo em que, de costume, muitos indivíduos anseiam por levantar-se admitindo a não necessidade de cogitar Deus. Quantos indivíduos, caídos na rua da amargura, rogam a ajuda divina para erguer-se da dificuldade em que se acham?

Mãos anônimas, mãos amigas, benfeitores humanos, socorristas encarnados, atendentes sociais, todo este plantel de almas do bem representa a presença de Deus junto aos irmãos que sofrem. Tanto caminho, tanta ajuda, tanto apoio impulsionarão o sofredor para que ele se levante, e se levante com Deus. Quantos experimentam dramas econômico-financeiros, fazendo-se endividados, inadimplentes, desgastados sociais, desacreditados, muito embora a sua honestidade, a sua consciência dos próprios deveres?

Esses companheiros anseiam pelo socorro de amigos e de instituições bancárias que lhes retirem do pescoço o nó, que lhes ofertem algum oxigênio Assim livrando-os da sufocação em que se acham, para que se levantem, e se levantem com Deus. Qualquer que seja a queda humana, material ou moral, a possibilidade de levantar-se com Deus, com o apoio do mundo superior, será sempre a melhor maneira de se levantar no planeta.

Você sabia que a oração é uma das melhores maneiras de nos colocarmos em sintonia com os amigos espirituais?

Eis um hábito muito salutar: travar conversas constantes, onde quer que estejamos, com nosso Espírito protetor, e com os Espíritos afins que nos acompanham diariamente. Mantendo-nos em sintonia com os bons Espíritos, através de pensamentos elevados, de alegria, gratidão e amor, conseguiremos ouvir suas inspirações, e delas nos utilizarmos para nosso bem. Contemos mais com este recurso fabuloso que temos: a prece, e nos surpreendamos com os bons resultados obtidos.

domingo, 26 de maio de 2024

Uma possibilidade de servir

Desde que o homem se encontra na Terra, estabeleceu comunicações com seres da dimensão espiritual. Dialogava com os Espíritos dos antepassados, que o vinham orientar. Os portadores dessa possibilidade eram tidos como seres especiais, privilegiados. Porém, ser esse intermediário entre o mundo visível e invisível, que chamamos médium, é, antes e acima de tudo, uma possibilidade de servir.

O portador dessa faculdade precisa ser um bom servidor. Precisa encontrar a melhor forma de ser útil com a faculdade que recebeu. Trata-se de um talento. Quantos talentos cada um de nós recebeu? Quantos talentos devolveremos ao Nosso Senhor ao final da jornada?

Se observarmos a natureza, veremos que a terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera.

O sol é o médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.

Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva.

Eis o convite da vida para que amparemos o nosso semelhante, encontrando nessa ação a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento mediúnico. Não esperemos, no entanto, o toque de inteligências estranhas à nossa, para nos transformarmos no canal da alegria e da fraternidade a benefício dos outros e de nós mesmos. Sirvamos hoje. Sirvamos agora. Entendamos de que forma podemos ser, em cada situação da vida, médiuns da Boa Nova, médiuns da compreensão, médiuns da paz. Somos instrumentos do progresso do mundo, ao mesmo tempo que realizamos o nosso próprio aperfeiçoamento. Sirvamos onde quer que estejamos. 

Principalmente longe dos holofotes do mundo, longe do reconhecimento das pessoas, longe de tudo aquilo que possa nos iludir, afirmando que somos mais do que realmente somos. Tenhamos cuidados e atenção com a vaidade, com o exibicionismo. Divulguemos o bem que façamos, apenas se isso servir como incentivo para que se multipliquem novas iniciativas. Não tenhamos medo de pedir ajuda ou de dizer que não conhecemos isso ou aquilo. Não temamos a ignorância das coisas. Melhor uma ignorância assumida, contornada de humildade, do que uma sabedoria falsa, com máscara de vaidade. Sejamos médiuns do amor maior onde quer que estejamos. E nos momentos em que possamos servir como intermediários entre os Espíritos e o mundo corporal, sejamos humildes, simples, respeitosos.

Busquemos ajudar. Busquemos aprender.

Cada Espírito que bate à porta da mente, desejando se manifestar, tem um objetivo. Traz uma lição, um recado, um sinal. Nada na natureza é fruto do acaso. Há lições jorrando em abundância para todos. Dessa forma, tenhamos em mente que ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que, de um modo geral, transcendem a compreensão do comum dos homens. Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir.

domingo, 3 de março de 2024

Da vida, uma prece

Encontramos, no seio de praticamente todas as religiões, o exercício salutar da prece. Em algumas, tal prática apresenta-se na forma de mantras. Em outras, de cântico. Ou, ainda, de rogativa.

Entretanto, independentemente da forma, a prece sempre tem como objetivo ligar a criatura ao Criador. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar n´Ele; é aproximar-se d´Ele; é pôr-se em comunicação com Ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir e agradecer.

Louvar a Deus significa reconhecer n´Ele a fonte de toda vida, de toda a Criação. É observarmos tudo o que nos cerca – as plantas, os animais, nosso próximo – e enxergarmos neles a assinatura Divina, o traço que Deus deixa em cada uma de Suas criaturas. Uma prece de louvor é feita mais do que com palavras. Pode ser expressa em atitudes. Quando louvamos, reconhecendo, em tudo o que nos cerca, a mão do Criador, torna-se impossível não expressarmos gratidão a Deus por todo amor que Ele nos oferece, em todas as circunstâncias do viver. Amor esse que se manifesta através das mais variadas expressões: o ar que respiramos, o alimento que temos em nossas mesas, a família que nos acolhe, a casa que nos abriga, os amigos que nos fortalecem. O companheiro ou companheira que divide a vida conosco, os filhos que nos são dados ao coração, as oportunidades diárias de progresso intelecto-moral, a conquista das virtudes que nos aproximam da paz e da felicidade. E, quando brota em nossas almas o sentimento que nos leva a louvar e a agradecer, o gesto de pedir modifica-se.

Nossas rogativas já não são mais baseadas nas ilusões da matéria, nem tampouco no orgulho que confunde nossas escolhas. Nossas decisões tornam-se mais maduras, pois começamos a compreender as leis que regem toda a Criação. Já não mais rogamos a Deus que solucione nossos problemas, dificuldades e sofrimentos.

Antes, pedimos ao Senhor da vida que nos conceda a sabedoria, a resignação e a humildade para que, além de poder superá-los, possamos aprender com as preciosas lições que acompanham cada momento. Entrarmos em comunicação com Deus significa fazermos, diariamente, de nossa vida uma prece. E a prece se faz em cada gesto de abnegação, de renúncia, de fé.

A prece se faz quando olhamos para aquele que sofre, para aquele que passa fome, para aquele que não tem onde morar e, desinteressadamente, lhe estendemos a mão que ajuda, o ombro que consola, o abraço que afaga, a palavra que une. A prece se faz quando perdoamos quem nos fere e somos capazes de pedir perdão àquele que ferimos. A prece se faz quando nos reconhecemos parte integrante de toda a Criação, de todo o equilíbrio universal e, dessa forma, tomamos para nós a responsabilidade de contribuirmos para a construção de um mundo melhor.

Na oração a criatura suplica e se apresenta a Deus. Pela inspiração profunda e reconfortante responde o Senhor e se revela ao aprendiz.

Pensemos nisso.

domingo, 28 de janeiro de 2024

O nascer do sol e a presença de Deus

Após a sessão matinal de orações, o noviço perguntou ao abade:

Todas essas orações que o senhor nos ensina, fazem com que Deus se aproxime de nós?

Vou responder a você com outra pergunta. – Disse o abade.

Todas essas orações que você reza irão fazer o sol nascer amanhã?

Claro que não! O sol nasce porque obedece a uma lei universal!

Então esta é a resposta à sua pergunta. Deus está perto de nós, independente das preces que fazemos. O noviço revoltou-se:

O senhor quer dizer que nossas orações são inúteis?!

Absolutamente. – Respondeu, com serenidade, o abade. – Se você não acordar cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não orar, embora Deus esteja sempre por perto, você nunca conseguirá notar Sua presença.

Que bela lição encontramos aqui. Não oramos para que Deus esteja próximo e nos ouça. Oramos para criar uma ponte entre nós e o Criador de tudo e de todos. Em verdade somos nós que precisamos nos aproximar d´Ele, assim como das coisas do Espírito, dos verdadeiros tesouros do Universo. Somos nós que esquecemos da Providência Divina, de nossos protetores. Eles jamais se afastam de nós. Somos nós que, ao fecharmos os olhos e ouvidos da alma, nos afastamos de seus conselhos, de suas inspirações, de seu amparo.

A oração é a higiene do Espírito. Uma comunicação saudável da criatura com seu Criador. Precisamos adquirir esse hábito, mantendo-nos constantemente em contato com o Alto, tornando-nos assim mais fortes e mais preparados para enfrentar os reveses da vida, e as vicissitudes que se apresentarem.

A oração é um diálogo de coração com coração, em que abrimos os salões de nossa alma para receber a visita de nossos amigos, daqueles que, de outras esferas, velam por nossas vidas. Não nos preocupemos com a beleza dos dizeres, e sim com a sinceridade e a pureza de seu conteúdo. Quando houver mais sentimento, mais honestidade em nossas palavras, mais fortes serão os raios invisíveis que nossa oração emitirá em direção ao firmamento divino.

Vale lembrar a lição do abade ao noviço: Se você não acordar cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não orar, embora Deus esteja sempre por perto, você nunca conseguirá notar Sua presença.

A seara exuberante de grãos e de frutos se distende ante as suas necessidades. Contudo, para que dela se aproveite, você terá que cozer os grãos e preparar as polpas, a fim de utilizá-los devidamente. A chuva benfazeja se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo o amparo dos céus à fertilidade do chão e à manutenção das fontes. Mas, se você pretende dela valer-se, é preciso construir a calha conveniente ou providenciar o pote que a possa recolher. Pensando desse modo, vemos que as bênçãos do Criador, sob forma de energias balsâmicas e equilibradas, se espalham sobre todas as Suas criaturas. Porém, para que você possa ser dulcificado por essa benesse, torna-se necessário unir-se, em sintonia feliz, a essas faixas de luz.

E a prece propicia esse diálogo, essa união.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

E eis que o dia chega outra vez. E outra vez nos fala de amor, de esperança. É o aniversário do Ser mais importante que a Terra já agasalhou. Rei das estrelas, Governador de nosso planeta, Rei solar. Cristo de Deus, o ungido. Os homens lhe adivinham a existência, desde tempos recuados. Mais de uma vez, pela Sua grandeza, foi confundido com o próprio Deus.

No entanto, esse Ser especial, nosso Mestre e Senhor, veio habitar entre nós. Quando tantos reclamamos do planeta em que nos encontramos, das condições adversas em que se vive, o Rei solar tomou de um corpo e aqui nasceu. Nasceu indefeso, entregando-se aos cuidados de uma jovem mulher. Foi seu primeiro filho.

Quando tantos apontam a inexperiência das mães de primeira viagem, Ele não temeu se entregar aos cuidados de alguém que não concebera anteriormente. Nem mesmo temeu por ela ser jovem. Entregou-se, tanto quanto confiou em um homem a quem, durante os anos da infância e adolescência, honrou e chamou amorosamente pai, a ele se submetendo. E permitiu-se ilustrar na lei hebraica, na História de um povo sofrido, embora soubesse muito mais e além da ciência e da justiça dos homens.

Senhor e Mestre, escolheu uma noite silenciosa, quase fria para estar entre os Seus irmãos, Suas ovelhas, Seu rebanho. Pediu ao Grande Pai que, para atestar a Sua chegada, enchesse de estrelas os céus. Tudo porque Ele, a Luz do mundo, chegava ao planeta, para estar com os Seus mais demoradamente. Solicitou ainda ao Pai Celeste que enviasse um mensageiro às gentes simples, ao encontro das quais Ele vinha, para lhes dizer que Ele nascera. E que os aguardava, pobre e pequenino, numa manjedoura, resguardado pelo amor dos pais, envolto em panos.

E uma estrela de brilho inigualável pairou no céu, chamando a atenção de ilustres estudiosos, que aguardavam o sinal especial para seguir ao encontro do Rei. Recebeu a visita dos pastores e dos magos do Oriente, a uns e outros ofertando o Seu sorriso, assegurando-lhes que Ele viera. A esperança estava no meio dos homens.


Serviu na carpintaria, nas estradas da Galileia, da Judeia, da Pereia. Realizou proezas inimagináveis, devolvendo a vista a cegos, a audição a surdos, movimentos a membros paralisados, saúde a corpos enfermos. No lago de Genesaré, em plena natureza, dedilhou as mais belas canções que o amor pode conceber.

Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo que é suave e o meu fardo, que é leve. Quem toma da água que ofereço, jamais terá sede. Vinde a mim

Sua voz era de ensino, de alegria e de esperança. Quando tantos se rebelavam contra a escravidão a que eram submetidos, Ele ensinou que a liberdade está acima e além de questões materiais. Ensinou-nos a sermos livres, na consciência, no dever cumprido, na retidão, sem nada que nos detenha na retaguarda das dores. Mestre e Senhor. Mestre da sensibilidade, do amor e da sabedoria. Senhor da Terra. Nosso Pastor. Ele veio. Que no Natal O lembremos outra vez e unamos as nossas vozes às dos mensageiros celestiais:

Hosana ao Senhor da vida! Ave, Cristo! Os que desejamos estar contigo, Te recordamos a glória augusta e Te pedimos luz, paz e bênçãos. Sê conosco, Celeste Menino, hoje e sempre.