RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Leão XIV e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa León XIV y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Leo XIV and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."

terça-feira, 29 de abril de 2025

Evangelho (Jo 3,16-21)

Eis um texto do novo testamento, que deveria fazer recordar a todos aqueles que julgam que suas ações malévolas passarão sem consequências para eles próprios, senão aqui neste tempo em qualquer momento, mas certamente num futuro mais adiante. Todos deveríamos estar atentos, vigilantes, não vá o que aqui neste texto se revela, acontecer connosco, e assim no final deste ciclo existencial, seja desperdiçada uma maravilhosa oportunidade, de uma existência para a conquista do nosso caminho de volta ao nosso verdadeiro lar.

"De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê nele não será condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. Ora, o julgamento consiste nisto: a luz veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo o que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que suas ações sejam manifestadas, já que são praticadas em Deus."

domingo, 27 de abril de 2025

Factores de Evolução

Nas múltiplas encruzilhadas do Caminho da Vida tenhamos nós a lucidez de preservar integra a nossa lealdade, intacta a confiança, límpida a prestabilidade.

São colunas de sustentação do companheirismo, do trabalho comum. São fatores régios da nossa evolução, quando os espelhamos nos outros.

Seja cada acto, decisão, encontro ou partida, uma oração embebida em frutuosa compaixão.

Sejamos abençoados pelas únicas lágrimas que viram Jesus verter, quando chorou Lázaro, seu irmão de coração.

Sejamos, essência desta oração.

terça-feira, 15 de abril de 2025

A força viva do progresso

O célebre artista japonês do século dezenove, Katsushika Hokusai, deixou um legado artístico memorável. Não apenas pela beleza das obras, mas por sua postura perante a arte. É dele a famosa série Trinta e seis vistas do monte Fuji, um conjunto de xilogravuras registando, de forma magistral, o citado monte em diferentes estações e de diversos locais distintos. A xilogravura conhecida como A grande onda de Kanagawa, está exposta atualmente no museu britânico. Hokusai deixou um interessante relato, quando estava com setenta e cinco anos de idade: 

Desde a idade de seis anos eu tinha a mania de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos cinquenta, havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes dos sessenta não deve ser levado em conta. Foi aos setenta e três que compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira natureza, as plantas, as árvores, os pássaros, os peixes, os insetos. Em consequência, aos oitenta terei feito ainda mais progresso. Aos noventa, penetrarei o mistério das coisas. Aos cem, terei decididamente chegado a um grau de maravilha. E quando eu tiver cento e dez anos, para mim, seja um ponto, seja uma linha, tudo será vivo. O artista não chegou aos cento e dez anos de idade. Desencarnou aos oitenta e nove, mas o ponto principal é a sua noção de que somos perfectíveis, estamos em constante aprimoramento. Além de tudo, ele sabia também que a morte não seria o fim. Pouco antes de partir, em maio de 1849, deixou um haicai, um curtíssimo poema, que dizia: 

Agora como Espírito

Devo atravessar

Os campos de verão.

Certamente, o artista continuou seu trabalho na nova esfera e ainda percebeu, com alegria, o quanto poderia crescer, o quanto poderia ir adiante. Todos precisamos dessa visão. E que ela não seja uma visão de desânimo, como quando se olha uma estrada longa pela frente pensando em tudo que falta. Que seja a visão da disposição, do ânimo do caminhante que não vê a hora de conhecer o que os novos caminhos trarão. Quem conhece e aceita a lei do progresso sabe que caminhamos sempre para frente; que, embora enfrentemos crises, elas nos empurram para diante. Progredir é inevitável. Quando e como será é decisão pessoal.

Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem a ele se opor. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis humanas más. 

Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em concordância com a Justiça Divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em detrimento do fraco. 

Eis aí expressa a força viva do progresso. Podemos até retardá-la, criar-lhe embaraços. Contudo, jamais a poderemos anular. É Lei Divina.

Haverá dia em que tudo será vivo, como afirmou o artista. Haverá dia em que estaremos próximos de Deus e entenderemos tudo com mais clareza.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Celebração da Quaresma e da Páscoa

Ainda que haja diferenças entre os calendários do Oriente e o do Ocidente, a Páscoa é geralmente celebrada em toda a parte do mundo na mesma altura do ano. Por ocasião do estabelecimento e estruturação da Religião Cristã, no ano 325 A.D. no Concílio de Niceia, convocado pelos clérigos Romanos, e presidido pelo Imperador Constantino, ao qual assistiram em maior número bispos do oriente e poucos do ocidente, foi determinado que a celebração da Páscoa Cristã deveria ser sempre solenizada no domingo seguinte ao plenilúnio da Primavera, o que se mantém até hoje.

Aproximadamente 200 anos depois de Cristo, os cristãos costumavam dedicar os três dias antes da Páscoa à meditação, oração e jejum como sinal de luto pela morte de Jesus Cristo. Arranjaram, ademais, uma forma de prolongar a alegria e a riqueza espiritual da Páscoa, instituindo um período de sete semanas depois da Páscoa, isto é, de cinquenta dias de Pentecostes, que deveriam ser celebrados com alegria. Assim, durante os dias de Pentecostes era costume orarem de pé, não era permitido jejuar e o baptismo era também administrado.

Para os Seres da Grande Fraternidade Branca Universal, a Páscoa, junto com os festivais do Natal, Wesak (Lua cheia de Maio) e Asala (Lua cheia de Julho), insere-se numa das datas mais importantes do ano, no campo espiritual, em que se dá a descida de energias muito fortes e intensas sobre a humanidade. Essas energias têm o poder não só de influenciar e beneficiar espiritualmente todos os homens que estiverem alerta e sigam de maneira séria o caminho espiritual, como também poderão exaltar em sentido menos positivo todos os que se encontram afastados do caminho do bem. 

Além disso, o Plano espiritual permite aos espíritos que ainda não atingiram a sua evolução, se aproximarem da órbita terrestre durante o período de preparação Quaresmal, influenciando e envolvendo, ao mesmo tempo, as pessoas na Terra, numa atmosfera taciturna e triste. Por isso, é conveniente vigiarmos os nossos pensamentos nestas alturas e não nos deixarmos envolver por uma atmosfera de depressão e de problemas, que naturalmente termos a tendência de projectar para o nosso interior.

Páscoa significa renascimento, renovação, ressurreição das energias antigas e limitadas, dos problemas e sofrimentos, cujo processo está ligado à passagem de Jesus pela Terra. Porém, a Páscoa é precedida pela Quaresma, que simboliza o período de quarenta dias de preparação para o grande acontecimento que é a Páscoa. A Quaresma está por isso ligada ao tempo de introspecção, vigília, renovação da própria vida, de confronto com os nossos receios, limites e medos que deveríamos saber transmutar. A simbologia do número quarenta está ligada a diversos factores significativos. Na Bíblia o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo da nossa vida na Terra, com todas as provações e dificuldades. Por conseguinte, a duração da Quaresma baseia-se no símbolo deste número na Bíblia. Temos como exemplo o dilúvio bíblico que durou quarenta dias e quarenta noites. O povo de Israel passou quarenta anos no deserto, a preparar-se para entrar na Terra Prometida. Os habitantes de Ninive fizeram penitência durante quarenta dias até receberem o perdão de Deus. Os Judeus passaram quatrocentos anos exilados no Egipto. Moisés e Jesus jejuaram por quarenta dias e quarenta noites a fim de prepararem a sua missão. Verificamos que esses períodos precedem sempre factos importantes, relacionados com a necessidade de se criar um clima apropriado para dirigir o coração para algo especial que deverá acontecer. 

Na verdade, Jesus jejuou sozinho durante quarenta dias, em completo confronto não só com o seu Eu Inferior mas também com o seu Ego Superior. Pelo que sabemos da Bíblia, Jesus durante aquele período que esteve só, sofreu muitas tentações do demónio. Entende-se que a personificação do mal, do demónio, só existe para os que acreditam no limite do ego. Essa explicação permite-nos compreender que nos sentimos envolvidos por várias energias mentais, sendo que a mente racional é regulada pelo poder do ego, isto é, pelo poder dos nossos diversos “Eus”: o racional, o inconsciente, o subconsciente e pela nossa mente ou ego superior.

Desta forma, seria muito importante que aprendêssemos a entrar em sintonia, não só com a nossa mente ou ego superior, como também com a nossa mente Crística interna, onde habita o Espírito Santo, visto neste período quaresmal afluírem energias muito especiais. Por conseguinte, se mantivermos, entretanto, o nosso Ego em vigília ser-nos-á possível transmutá-lo em Luz e Amor. Seria, aliás, muito positivo se conseguíssemos sintonizar o nosso pensamento com o que sentimos para podermos regular as nossas acções dentro da esfera da nossa própria verdade. Deveríamos igualmente livrar-nos, neste período, de pensamentos destrutivos e envolvermo-nos em amor e harmonia, para que possamos irradiá-los à nossa volta, pois como magnetos que somos, temos o poder de atrair estas boas energias também para nós próprios.

O dogma da revelação cristã, da redenção operada por Jesus Cristo pela Cruz, explica que o Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade Divina assume a natureza humana, para poder reparar todos os males do mundo. Deus precisava de uma reparação infinita que só Ele poderia dar, sendo que o homem deveria pagá-la, tendo o Verbo de Deus assumido em Cristo a natureza humana. Jesus sacrificou-se até à morte pela cruz, para dar toda a glória possível à infinita majestade de Deus, no reino do mal e da dor proveniente do pecado, tendo sido a glória de Deus o fim ulterior de toda a actividade divina. 

O Plano Espiritual sugere-nos que durante este período quaresmal, de reflexão, deveríamos orar muito e meditar. Acender velas de cor violeta, que ajudam a transmutar as energias que não estiverem em sintonia com o Poder da Luz de Deus. No Domingo de Páscoa iluminar a casa com velas amarelas, douradas ou brancas, porque estas cores simbolizam o renascimento, a iluminação, a ressurreição da passagem do antigo para um novo ciclo. As orações sugeridas são o Pai-Nosso, e a Grande Invocação, que se segue:

A GRANDE INVOCAÇÃO

Do ponto de Luz da Mente de Deus, 

que a Luz aflua à mente dos homens, 

que a Luz desça sobre a Terra. 

Do ponto de amor do coração de Deus, 

que o amor aflua aos corações dos homens

que Cristo volte à Terra. 

Do ponto donde a Vontade de Deus é conhecida, 

que o propósito guie a fraca vontade dos homens, 

o propósito que os Mestres conhecem e servem. 

Do centro a que chamamos a raça humana

que se cumpra o Plano de Paz, Luz e Amor 

que se encerrem para sempre as portas do mal. 

Que a Luz, o Amor e o Poder 

restabeleçam o Plano Divino na Terra. Amén.


Votos de uma Páscoa repleta de Amor de Cristo, Harmonia e Luz.

Lubélia Travassos

Ponta Delgada, 10 de Abril, 2025


domingo, 6 de abril de 2025

Saber morrer

Morrer. Desse destino, nenhum ser humano escapará. E, no entanto, como tememos esse momento! Com que dor a maioria de nós pensa no instante da morte. É que fomos ensinados a temer a morte. Ela nos é apresentada como sinónimo de lágrimas, instante de trevas, definitiva separação dos seres amados. Abismo e tristeza. Aprendemos que a morte se faz de luto e mistérios, névoa e saudade. Mas é preciso se preparar para a chegada da hora final. 

Afinal, a cada dia se reduz nossa estadia na Terra. Desde que nascemos, cada respiração assinala a diminuição de nosso tempo no planeta. Porque o ritmo da vida material nos envolve, quase sem perceber, deixamos de lado a lembrança de que caminhamos mais um passo em direção à morte. O fim é apenas do corpo físico, pois a alma – a essência do que somos – esta existirá para sempre. Os séculos correrão, mas nós… nós sobreviveremos. 

Nessa longa estrada que é a vida, muito iremos aprender. Outros amores, parentes, lugares e situações irão enriquecer a nossa experiência. E muitos outros corpos servirão de instrumento para o nosso aprendizado. Por isso, nada de demasiado apego ao corpo. Ele é importantíssimo, mas é uma ferramenta de trabalho. Nele temos apenas um auxiliar para a nossa educação. Com a ajuda desse corpo, vivemos na Terra, construímos uma família e nos relacionamos com outros seres humanos. Ele é essencial para a vida em sociedade que burila o nosso Espírito. 

É que no contacto com as outras pessoas temos a oportunidade de exercitar paciência, tolerância, solidariedade e ética. Enfim, pôr em prática gestos e situações que são puras manifestações de amor. E não é esse o objetivo maior de nossa vida: descobrir, exercitar e vivenciar o amor?

Nada há a temer na morte quando a vida é plena em amor, quando os dias são perfumados pela bondade, quando a consciência é recta e o dever cumprido. Quem vive assim – de coração sossegado e plantando alegrias – aguarda que a vida cumpra seu ciclo natural. Para este, a hora da morte é serena. Abrirá os portais de um mundo novo, cheio de descobertas: a Casa do Pai Celeste.

Um homem de bem morre como alguém que descansa após um dia de trabalho bem feito. Não tem apego a nada, pois sabe que deve devolver a Deus tudo o que recebeu. A renovação é a regra geral da natureza. 

Quando a morte chega é a hora de devolver ao mundo o corpo frágil, que se misturará às águas e à Terra. Será consumido, alimentará micro-organismos. Outros seres viverão a partir dali. 

E o homem que usou aquele corpo estará longe: abrirá os braços para o infinito. Seus olhos contemplarão estrelas, luzes, cores e formas nunca sonhadas. Seguirá com o coração em festa. Pronto para novas experiências, disposto a aprender e a amar.
O poeta Rabindranath Tagore, Prêmio Nobel de Literatura, escreveu sobre a própria morte:

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs.
Eu já devolvi as chaves de minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro, apagou-se. 
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não perguntem o que levo comigo: 
Sigo de mãos vazias e coração confiante.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Oração a Maria

 Ave-Maria, cheia de graça

O Senhor é convosco,

Bendita sois Vós entre as mulheres,

Bendito o fruto do Vosso ventre, JESUS!

Santa Maria, Mãe de JESUS,

Rogai por nós Filhos e Filhas de Deus,

Agora e na hora da nossa vitória,

Sobre o pecado, a doença e a morte!

AMEN!

quarta-feira, 26 de março de 2025

Pensamento do dia

"Ao conceder dons artísticos a algumas pessoas, o Céu pôs nas suas mãos um grande tesouro, graças ao qual podem realizar maravilhas; mas, muitas vezes, elas não têm consciência disso e não acreditam muito no poder desses dons.

Um artista deve ter como ideal conduzir os seres para a Divindade; então, o seu nome será inscrito no Livro da Vida: será anotado que ele salvou várias almas das tribulações e da morte. E ele que não se inquiete com a sua própria alma. Se salvou as almas dos outros, alguém virá salvar a sua. Àquele que espalha alegria à sua volta, outros virão trazer alegria!"

segunda-feira, 10 de março de 2025

Orar pela paz mundial

"Queridos irmãos, irmãs, amigos........

Nunca tivemos tanta insegurança todos os dias, um mundo que sofre tanto com a opressão de tantos governos, com tantos vícios, crimes, corrupção, violência, abusos e medo pelo futuro dos nossos jovens.

Inspirando-se numa iniciativa tomada durante a Segunda Guerra Mundial, em que um conselheiro do primeiro-ministro Winston Churchill organizou um grupo de pessoas que, numa hora determinada, todos os dias, paravam, independentemente do que estivessem a fazer, para rezar em comunhão pela paz, para a segurança e para o povo de Inglaterra.

Faziam isso todos os dias e era como se a cidade permanecesse suspensa, tal era o poder da oração comunitária.

O resultado foi tão prodigioso que, em pouco tempo, os bombardeios pararam!!!

Agora estamos nos organizando novamente, um grupo de pessoas de diferentes nacionalidades, que rezam *um minuto* pela segurança dos nossos países, pelo fim dos problemas que nos oprimem e angustiam e para que Deus guie as decisões dos nossos governantes.

Estaremos unidos em oração nos seguintes horários:

Inglaterra 15h

Espanha  16h

Portugal 15h

Ilhas Canárias 15h

Costa Rica 20h

Colômbia 19h

Nicarágua  20h

Equador 19h

Guatemala 20h

México  20h

Panamá 19h

Honduras 18h

El Salvador 20:00h

Venezuela  18h

Uruguaio 17h

Paraguai 17h

Brasil 18h

Argentina 17h

Chile  17h

Itália 16h

Convido você, se desejar, a aderir a esta iniciativa. Pararemos um *minuto* todos os dias, nos horários indicados, para pedir a paz no mundo, o fim dos conflitos e o restabelecimento da tranquilidade em todas as nações da terra e para que as famílias busquem sua segurança e salvação em Deus.

Se entendêssemos o enorme poder da oração, ficaríamos maravilhados.

Se puder, envie este pedido aos seus contatos, poderemos obter um milagre com a nossa oração.

Coloque o alarme no seu telefone todos os dias, no horário definido para o seu país, e ore por um minuto pela paz 🙏🙏🙏."

(Mateus 19:20: Novamente em verdade vos digo: Se dois de vocês na terra concordarem sobre qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou entre eles ).

Por favor, transmita esta mensagem às pessoas que oram.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Evangelho (Lc 19,41-44)

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: 

«Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos!. Dias virão em que os inimigos farão trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados. Esmagarão a ti e a teus filhos, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada».


Passados mais de 2000 anos desta profecia, o coração do médio oriente continua desavindo, envolvido em chamas, um rasto de morte, pobreza e desgraça entre os seus povos, Israelitas e Palestinianos, irmãos de terra inimigos.

A mensagem da profecia continua viva, e no coração de cada ser humano faz-se ferida, a cada dia de vida que passa, as escolhas feitas nas decisões tomadas, estão a determinar o nosso destino face a um porto seguro ou face a um abismo sem fim.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Sobre o Amor

"Existem várias atitudes possíveis em relação ao amor: pode-se comê-lo, pode-se bebê-lo, pode-se respirá-lo, pode-se viver nele. Quem come o amor, permanece no plano físico e nunca estará satisfeito, pois contenta-se com prazeres inferiores. Quem bebe o amor, saboreia prazeres menos grosseiros, mas ainda está mergulhado nos gozos e nas satisfações do plano astral. Quem conseguiu alcançar as regiões do plano mental, graças à arte ou à filosofia, respira o amor.

Quanto àqueles que vivem no amor, no lado subtil e etérico do amor, esses possuem-no como luz no espírito e como calor no coração, e podem espalhar essa luz e esse calor sobre todos os seres ao seu redor. Quem vive neste amor saboreia a plenitude."

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Evangelho (Lc 19,41-44)

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. 

E disse: «Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos!. Dias virão em que os inimigos farão trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados. Esmagarão a ti e a teus filhos, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada».


Da figura história de Yeshua muitos corações  amordaçadamente se confrontam. Afinal passados mais de 2.000 anos, dos testemunhos da vida deste homem que nada escreveu e nada deixou por dizer, chegaram vários testemunhos de quem o seguiu, primeiramente de forma oral e cerca de 70 anos depois de sua crucificação, pelos primeiros registos escritos que chegaram até nós, da história de sua vida e da importância de sua mensagem. Ainda mais surpreendente, a sua filiação Divina, num tempo em que a abundancia de várias Divindades era aceite, eis que surgia um homem que se declarava como o primogénito de Deus.

Nunca mais o mundo seria o mesmo. A força desta revelação viria a inquietar muitos daqueles que temeram deixar de ser considerados poderosos e a apaziguar muitos mais, aqueles que em suas vidas difíceis procuravam um sentido para tanto sofrimento e esforço. 

Entre uns e outros constituíram-se aqueles que viriam a mediar sobre uns e outros, tantas vezes pensando na sua própria subsistência e preponderância, como de forma genérica todas as Igrejas oficiais, ritualizadas e organizadas.

Entre toda esta dinâmica temporal, por incrível que pareça, desde essa altura até agora a imagem e a mensagem de Yeshua permanece intacta. Muito mais pelo que o coração sente que pela maioria dos maus exemplos praticados pela humanidade, o coração continua sentindo um apelo irresistível, como se tentasse negar a própria respiração que mantém a vida.

Coração por dominar, resta à mente de muitos homens procurar desacreditar a veracidade de Yeshua dentro de si mesmos, remetendo este profeta para o canto mental das fábulas, dos mitos, das utopias criadas pelo tempo. Assim muitos homens vivem fascinados pelo materialismo hoje. fascinados procuram fascinar o coração, enquanto este resiste o quanto pode, sabendo que na hora do seu fascínio será ditada a hora do seu declínio espiritual.

Esta episódio da vida de Jesus, escrito e registado à mais de 2 mil anos deveria ser suficiente, para qualquer pessoa com conhecimento da atualidade mundial crer confirmando, a clarividência e veracidade desta reflexão milenar. Sabemos justamente com esta observação, que toda aquela região do médio oriente nunca mais se recompôs até aos dias de hoje. 

Jesus advertiu entristecido, que Jerusalém não veria a paz e prosperidade no seio de seu povo: Hoje verificamos que nunca mais existiu ali a paz entre o seu povo. Crianças e jovens são mortos sem pudor, irmão contra irmão, baixas entre os que estão no enclave e os que os comprimem a uma existência de miséria. Uns e outros reféns da guerra e de seus horrores, às mãos de políticos tão intolerantes como à 2.000 anos atrás, em que os ancestrais deles mesmos sacrificaram por interesses escusos, um inocente, o cordeiro de Deus.

A todos nós, mundo ocidental moderno, desenvolvido e com nossas próprias chagas de egoísmo por sarar, deveríamos estudar melhor a ciência deste homem santo, que em nome do amor, do progresso e da igualdade entre todos, da paz entre todas as fronteiras, veio a entregar a sua vida por nós.

Eu Acredito! Eu dou Graças!...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

A prece

A prece é uma ligação que o ser humano tenta restabelecer com o Ser Supremo, o Criador do Céu e da terra. Pela oração, ele liga-se a esse Ser, que é a eternidade, que é o infinito, e graças a essa ligação tem a possibilidade de atrair os elementos dos mundos superiores, para deles beneficiar e fazer com que também deles beneficiem todas as criaturas.

Os elementos que vêm das regiões sublimes são de um tal poder, que, se conseguirdes captar um só, que transformações ele produzirá! Senti-lo vibrar em vós, ele purifica-vos, ilumina-vos, restabelece a harmonia em todo o vosso ser; e este estado benéfico age sobre todos ao vosso redor, que também são influenciados e se transformam.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Só se influencia os outros pelo exemplo

Mal descobrem algumas verdades da Ciência Iniciática, muitas pessoas querem imediatamente instruir as outras e começam a pregar a torto e a direito e a tentar convencê-las. E, se não o conseguem, criticam-nas e consideram-nas com desprezo. Pois bem, elas vão demasiado depressa, ainda não aprenderam uma regra essencial da Ciência Iniciática, segundo a qual o discípulo deve começar por viver uma verdade antes de querer convencer os outros acerca dela. E vivê-la significa experimentá-la por muito tempo, fazer exercícios com ela, ao ponto de ela se tornar carne e osso nele, ser um com ele. Quem quer começar imediatamente a convencer os outros das verdades espirituais não só não consegue, como até se arrisca a perdê-las.

Sim, deveis guardar essas verdades convosco durante algum tempo sem dizer nada, viver com elas, fazê-las vossas, para que elas vos tragam forças e vos ajudem a triunfar nas provações que tereis de atravessar; então, não só elas já não vos abandonarão, como, quando as transmitirdes aos outros, devido à vossa tónica de sinceridade elas terão uma grande força de persuasão.

Mas também neste domínio há imensas coisas a conhecer antes de se procurar transformar os outros, porque, se eles mesmos não sentirem essa necessidade, se eles não tiverem compreendido a importância de uma filosofia e de uma disciplina espirituais, não haverá nada a fazer senão deixá-los. A sua atitude prova apenas que eles ainda são muito jovens e têm necessidade de experiências, de lições. Sofrerão, claro, e esse sofrimento abrigá-los-á, um dia, a mudar de vida. Mas, entretanto, deixai-os tranquilos. Aliás, deixai toda a gente tranquila; ocupai-vos apenas de vós próprios, procurando melhorar-vos. Só o vosso exemplo mostrará aos outros que estão enganados ou que estão a agir mal. Sim, o vosso exemplo. É trabalhando sobre vós próprios que trabalhais sobre os outros: eles apercebem-se de que possuís qualidades que eles não possuem e, como também desejam possuí-las, são levados a imitar-vos e a aperfeiçoar-se.

Parai, pois, de vos ocupar dos outros para fazer notar as suas insuficiências e fraquezas, porque desse modo não só não lhes proporcionais nada de bom, como também vos tornais pessoas sem brilho e desagradáveis como eles. Aceitai-os como são, sede pacientes e trabalhai noite e dia para vos aperfeiçoardes, até lhes mostrardes que há algo de magnífico a adquirir. Enquanto eles não souberem isso, não será por palavras que os ensinareis. Como podereis pensar em convencer as pessoas a libertarem-se de fraquezas de que vós próprios nem sempre vos libertastes? Como pode um medroso transmitir audácia aos outros? Se ele gritar «Avante!» com as pernas a tremer, como irá arrastar multidões? Ficai sabendo que só a vitória sobre as vossas fraquezas vos dará poderes, e esses poderes, mais tarde ou mais cedo, transparecerão através dos vossos olhos, dos vossos gestos, do vosso rosto, da vossa voz; eles transparecerão, ainda que queirais escondê-los. Não penseis que é fácil alguém imiscuir-se nas fraquezas dos humanos; são precisos anos e anos de trabalho sobre si próprio antes de se estar apto a fazê-lo.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

- Insistir Paulo - Roberto Gaefke

Para os grandes conflitos da alma,
uma tomada de decisão.

Para a ausência de soluções,
uma nova experiência.

Para a desilusão do amor,
uma nova forma de amar.

Para o desespero da solidão,
a solidariedade.

Para o momento de aflição,
o poder de uma oração.

Para grandes perguntas,
pequenas respostas,
Para o que parece complicado,
a simplicidade do fazer.

Para a dor da separação,
a esperança de uma reconciliação;
Para a ausência da morte,
a certeza da vida eterna.

Para a decepção do que não conquistamos,
nasce  um novo dia.

Para quem se perdeu,
a luz de uma nova OPORTUNIDADE,
para quem desistiu de si mesmo,
um recomeçar.

Ainda que as portas estejam fechadas,
ainda que tudo pareça estar contra você,
ainda que juntem provas e queiram o seu fim, ainda assim, não desista, 
Deus é contigo,

por isso, eu insisto;
em tudo e por tudo,
tente outra vez!

Eu acredito em você 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Senhor, eu sei que Tu me observas

Naquele entardecer, eu caminhava pelas ruas, desolado. As pessoas passavam por mim e eu as observava com atenção.

Muitas sorriam largamente, em conversas triviais. Outras, sérias, guardavam profunda concentração. Também vi pedintes desesperançados, tarefeiros exauridos.

Em minha caminhada solitária, na caminhada solitária de tantos outros, onde estava Deus? Por que não curava todas as dores, a fome, a violência, a desigualdade?

Quando o sol se despedia, percebi que meus passos questionadores me haviam conduzido frente a um lar de crianças. Uma religiosa, que buscava os últimos pequenos, que teimavam em ficar um pouco além da hora no empobrecido parquinho, viu-me ali parado, observando a cena. Ela sorriu e fez um gesto para que eu entrasse no modesto local. Sem saber exatamente o porquê, aceitei o acolhedor convite.

Depois que os pequenos entraram, a senhora explicou que ali viviam crianças, abandonadas por seus pais biológicos ou devolvidas depois de breve e frustrada adoção. Elas foram para o banho, pois logo o jantar seria servido.

Quando todas estavam no refeitório, a senhora me conduziu até lá e me ofertou um prato de sopa, o mesmo servido para todos. Tratava-se de uma sopa rala, que as crianças sorviam como se fosse um banquete. Para elas, arroz com feijão apenas três vezes na semana. Carne, duas vezes no ano: no domingo de Páscoa e na ceia de Natal. Tomando aquele caldo tão singelo, lembrei-me de minha casa, da minha despensa repleta, das minhas refeições fartas.

Após o jantar, os pequenos foram para os dormitórios. Antes de dormir, ajoelharam-se e juntos proferiram comovente prece, agradecendo o dia, a refeição e pedindo a Deus que olhasse por aqueles que tinham menos do que eles. Quando dormiram, as irmãs reuniram-se na humilde capela e convidaram a unir-me a elas.

Elas oraram em agradecimento pela vida, pelo trabalho, por terem condições de oferecer um abrigo àqueles esquecidos do mundo. Naquele pobre lugar tão rico, fui às lágrimas. Naquele lar eu, que me sentia órfão de Deus, O encontrei.

Ali, finalmente, percebi que a ponte entre o Criador e a criatura é o amor, expresso pela doce e suave melodia da gratidão.

Senhor, eu sei que Tu me observas. Sabes quando me sento e me levanto. De longe percebes o meu pensamento. Os versos do Salmo nos revelam que Deus se faz presença viva em todos. Conhece nossas alegrias e dores. Connosco está em nossas conquistas. Também quando contra Ele nos revoltamos diante de nossas dificuldades.

Deus, Pai amoroso que é, não nos abandona quando os sofrimentos nos assaltam, pois são eles que nos auxiliam a banir as mazelas morais que tomam nosso foro íntimo e que nos apartam da verdadeira felicidade.

Sejamos, pois, gratos. Em tudo há a mão do Pai. Ricos ou pobres, alegres ou tristes, realizados ou frustrados, em tudo Deus nos observa, nos acompanha e jamais, em instante algum, separa Sua Divina mão da nossa.

Lembremo-nos: não são as pessoas felizes que são gratas. São as pessoas gratas que são felizes.

Pensemos nisso! Sejamos gratos!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Nossas recordações...

Em determinadas datas decidimos organizar aqueles papéis que guardamos há muito tempo. Fazemos isso no final do ano, ou durante nossas férias. Ou quando temos necessidade de encontrar algum documento.

Num desses momentos, Ana decidiu organizar a sua caixa de guardados antigos.

Começou por separar uma enorme pilha de documentos. À medida em que cada um deles foi lhe passando pelas mãos, ela acionou o baú das memórias. Ao olhar os papéis de um internamento hospitalar, lembrou do acidente de trânsito que tinha sofrido. Recordou do tumulto na rua, do socorro médico, das dores. Também do atendimento que recebeu, do cuidado dos profissionais no hospital, do carinho da sua família. Aquelas lembranças a fizeram agradecer a Deus pela sua total recuperação, sem nenhuma sequela.

Ao separar certidões de nascimento, de casamento e de óbito de familiares, foi reconstruindo em sua mente a vida e os ensinamentos que cada um daqueles entes queridos havia deixado.

Lembrou da vida difícil, mas feliz de seus avós. Lembrou do trabalho árduo e dedicado do seu pai. De todas as lições de honestidade e integridade que ele lhe transmitira ao longo da vida.

Sentiu uma imensa saudade...

Ao mesmo tempo, profunda gratidão por ter convivido e aprendido tanto com esses familiares e se dar conta do quanto eles foram importantes para a formação do seu caráter.

Quando apanhou papéis de lugares onde havia morado, a memória lhe falou dos bons momentos vividos em cada localidade. Recordou sua infância, suas amigas, as brincadeiras que faziam, o cheiro das plantas, a sensação de liberdade e alegria. Depois, foram as lembranças da adolescência, dos colegas de escola, das músicas que ouvia, das noites olhando o céu estrelado. E foram se sucedendo as recordações felizes que fizeram com que Ana agradecesse a Deus por todas as experiências vivenciadas.

As horas da tarde foram consumidas na leitura, separação de papéis e lembranças e mais lembranças. Percebeu quantas coisas boas e outras, que tinham parecido ruins, mas que, ao recordar, após tantos anos, verificou terem lhe ensinado lições importantes.

Somos o resultado da somatória de todas as experiências que vivemos. Importante saber olhar ao nosso redor e verificar quantas pessoas contribuíram para nossa formação e valorizar essa rede, que tecemos pelos vínculos que criamos em nosso caminhar.

Tem razão o poeta ao escrever que a vida do homem é feita de etapas, como as do ano são divididas em estações. Há beleza especial em cada fase e tem finalidade própria cada ocasião.

Mudam as cores, passam os perfumes, vão-se os ritmos e ficam as lições. Sucedem-se rápidas com as suas canções e flores, as suas tristezas e cores cinzas, os seus crepúsculos e amanheceres, todos os instantes que abrem e fecham as portas dos acontecimentos.

Essa dádiva dos deuses, que é viver, torna-se a semente da abundância do tempo, sem limite de tempo, que se conquista ao morrer, quando bem se passou cada etapa na condição de sábio aprendiz da verdade.

Aprendamos com o poeta...

domingo, 26 de janeiro de 2025

Encontro marcado

A doutora Leandra, logo que saiu da residência médica, foi trabalhar num Pronto-Socorro de uma pequena comunidade, na Califórnia. No primeiro Natal, por ser novata, foi escalada para o plantão. Um tanto contrafeita, despediu-se da família e foi para o hospital.

Às 21h, a ambulância chegou trazendo um senhor de uns sessenta anos, com ataque cardíaco. Seu rosto estava pálido, acinzentado, e ele parecia muito assustado. Após os procedimentos de emergência, a doutora o transferiu para a U C I.

No dia seguinte, antes de retornar ao lar, ela foi saber como ele estava. O estado ainda era grave, mas ele sobrevivera e agora dormia. Ela nunca mais teve contato com ele, porque Pronto-Socorro é assim. Os doentes graves, os feridos chegam, muitas vezes apavorados, são atendidos e se vão.

Na véspera do Natal do ano seguinte, novamente Leandra foi escalada para o plantão. Exatamente às 21h, ela foi chamada pela atendente de enfermagem. Um casal desejava-lhe falar. O senhor, que se apresentou como Lee, disse-lhe:

A Dra. provavelmente não se lembra de mim mas, na véspera do Natal passado salvou a minha vida. Obrigado pelo ano que me deu. O casal a abraçou, deixou-lhe um presente e se foi. A doutora ficou surpresa e comovida. 

No ano seguinte, ela fez questão de fazer o plantão. Queria ver se o casal voltaria. Exatamente às 21h, os Lee chegaram, trazendo o mais novo neto nos braços. Ela foi abraçada. Eles prometeram que retornariam para vê-la, em todas as vésperas de Natal. Se ele não aparecesse, ela saberia que ele morrera. Durante as treze vésperas de Natal seguintes, o senhor Lee e a esposa vieram, sempre às 21h.

Todo o hospital sabia da história e os colegas davam um jeito para que ela ficasse em torno de meia hora com eles, na sala de descanso. Nesse tempo, ele trouxe, num dos Natais, outro neto e um bisneto. E a cada Natal, ela ganhava um mimo, símbolo da gratidão de um homem e sua esposa.

No último Natal, ele trouxe um presente todo especial. Ela desembrulhou o pacote e encontrou um sino de cristal, com uma única palavra gravada: Amizade.

No ano seguinte, ele não voltou, pois fizera a grande viagem, rumo à pátria espiritual. A doutora mudou-se, algum tempo depois, para o Estado do Colorado, nos Estados Unidos. Porém, todos os anos, a cada véspera de Natal, exatamente às 21 h, ela toca o pequeno sino de cristal e recorda do homem que nunca se esqueceu de agradecer.

Naturalmente, quando se está cumprindo o dever profissional, não se aguarda gratidão. Executa-se o melhor porque isso nos realiza, na qualidade de profissionais. Contudo, quando em nossa jornada encontramos pessoas como o senhor Lee, que sabe agradecer, reconhecendo o nosso esforço, nossa vida adquire sentido mais amplo. Saber que para alguém fizemos a diferença nos engalana a alma de felicidade e nos estimula a que mais nos dediquemos na causa a que nos entregamos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Quando Jesus teria sido maior?

Não se sabe bem quando Jesus teria sido maior. Se ao nascer em Belém sobre as palhas de uma manjedoura, com isso iniciando Sua incomparável exemplificação da humildade; ou quando no templo, ainda na infância, discutia com os doutores, confundindo-os.

Não se sabe bem quando Jesus teria sido maior. Se ao ensinar: Ame seus inimigos, bendiga os que o maldizem; faça o bem aos que o odeiam, e ore pelos que o maltratam e perseguem; ou quando recomenda que, ao darmos uma esmola, cuidemos que não saiba nossa mão esquerda o que fez a direita.

Teria sido ao dizer que, para orar, devemos entrar em nosso aposento e, fechando a porta, dirigir-nos ao nosso Pai que está oculto, pois que Ele, que vê secretamente, nos recompensará; ou quando nos previne a respeito dos falsos profetas, que vêm vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

Não se sabe bem quando Jesus teria sido maior. Se ao alertar-nos de que não deveríamos julgar, para não sermos julgados; ou quando indicava sensatamente a medida desse conceito, mencionando que não estávamos impedidos de julgar de acordo com a reta justiça.

Se proferindo coisas que teriam lugar vinte séculos após: O irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e os filhos se levantarão contra os pais. Ou quando profetizava: Não vim trazer a paz, mas a luta, a divisão, a espada.

Isso porque Ele conhecia a Humanidade e, portanto, sabia de antemão que Sua doutrina, pelas diferentes interpretações que os homens lhe dariam, seria dividida em mil pedaços, com lutas, incompreensões e perseguições.

Teria sido ao dizer aos discípulos que fossem e ensinassem a verdade, curassem os enfermos, dando de graça o que de graça recebessem; ou quando acentuava que não necessitavam de médico os sãos, somente os doentes.

Se ao dizer, em maravilhosa síntese: Eu sou o caminho, a verdade, a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim; ou quando, interpelado por Nicodemos, sublinha: Aquele que não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.

Não se sabe bem quando Jesus teria sido maior. Se no famoso episódio da pecadora: Mulher, onde estão seus acusadores? Ninguém a condenou? Nem eu também a condeno. Vá e não peques mais. Ou quando, diante do sumo sacerdote e dos que O acusavam, respondia com o silêncio e a serenidade dos inocentes e dos justos.

Se ao recomendar aos discípulos fossem pelo mundo a pregar o Evangelho a toda criatura, em Seu nome, falando novas línguas; Ou ao erigir o portentoso monumento, que é o Sermão da Montanha, no qual traçava para a Humanidade de todos os tempos o mais autêntico e belo código de conduta. Não sabemos, francamente, quando Jesus teria sido maior.

Sabemos que, passados quase dois mil anos, ainda rastejamos na Terra, num intérmino aprendizado da Sua doutrina.

Até quando continuaremos como aprendizes? 
Quando nos disponemos a praticá-la?
Quando a excelsa doutrina passará do nosso cérebro ao nosso coração, da teoria à prática?

Pensemos nisso. E nos disponemos à ação.


terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Nosso reencontro

Tu partiste. O terrível vírus te levou. Para mim, ficou a saudade que, a cada hora, me recorda tua ausência física. Tínhamos tantos sonhos: uma viagem a França, um filho. Tudo esquematizado, planificado.

Desejávamos rever paisagens que, em nossa lua de mel, nos haviam enchido os olhos de beleza e enriquecido a mente de cultura: o Monte Saint-Michel, as praias da Normandia, a Torre Eiffel, a Catedral de Notre Dame...

Cada coisa a seu tempo, é o que dizíamos. E esperamos. Mobiliar o apartamento, melhorar o orçamento doméstico, guardar algum dinheiro. Mas, então, de forma inesperada, a pandemia chegou e destroçou todos os sonhos. Nem pudemos nos despedir. E um grande vazio pareceu se instalar em minha alma. No entanto, abençoados que fomos com o esclarecimento espírita, recordei das lições do sono e dos sonhos. Do sono que nos é dado para o repouso físico, enquanto a alma, parcialmente liberta, transita pelo mundo espiritual, sua verdadeira pátria. Passei a rogar a Deus que me permitisse reencontrá-la, poucos minutos que fossem.

Minhas noites sempre foram povoadas de sonhos. E, foi assim, que numa madrugada dessas, vieste ao meu encontro. Mal adormecera e senti a tua presença. Parecias mais jovem. Disseste que estavas bem e ali ficamos, de mãos dadas, por tempo que não sei dimensionar, a conversar, a amenizar a dor da ausência de tantos meses. Sei que conversamos muito, disse-te como ocupo os meus dias, contaste-me tuas experiências na vida espiritual.

Não recordo tudo que dissemos, nem o que fizemos. Porém, quando a manhã me despertou, acordei com a sensação de um grato presente. Senti-me leve, feliz como há muito não me sentia. Agradeci a Deus o ter despertado mais uma vez, para a vida que ainda me resta a viver, e o desejo de o fazer com muita dignidade, aproveitando cada precioso dia.

Agradeci a Deus essa maravilha com que nos presenteou. As horas intensas de trabalho, de estudo, de construção e aquelas para o restabelecimento das energias físicas, enquanto dorme nosso corpo. Ao mesmo tempo, essa possibilidade de adentrarmos o mundo espiritual, de onde viemos todos, e ir ao encontro de quem precisou partir.

Como se pode descrever a alegria de um reencontro de almas? Como se pode descrever os sentimentos que nos tomam por inteiro, quando reencontramos um amor tão amado?

Nosso desejo é que se eternizem aqueles momentos. Mas, toda alegria é justamente inédita, especial, porque não é perene. A vida nos ensina isso. São momentos que passam. Momentos que podemos bem aproveitar ou somente lamentar. A escolha nos pertence.

Agradeço a Deus por ter estado contigo, pelo aconchego, pelo reviver do teu carinho. Agradeço a Deus o despertar no corpo, mais um dia, onde ainda me aguardam tarefas a realizar e pessoas a servir. Oro e aguardo. Quem sabe, em algum outro momento, em que minha alma esteja leve, a saudade intensa, Deus nos permita um novo reencontro.

Viveremos assim: tu lá e eu cá, atendendo os próprios deveres.

Até breve, meu amor!