«Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.»
Aqui neste texto, somos alertados para a forma correta de proceder perante a nossa consciência e perante o mundo que nos rodeia, aquando dos nossos esforços de evoluir,... de auto-evoluir. É nos recordada a importância relativa e superficial, da aparência dos nossos atos para o nosso crescimento, ou mesmo da aprovação ou testemunho do mundo. Tudo que é conquistado no sentido da nossa própria evolução, deve ser guardado como um tesouro precioso, frágil e secreto, que deve ser partilhado sem alarde, sob pena de sobre o populismo da nossa intensão residir a nossa própria recompensa, e precipitação do fim em si mesmo, sem possibilidade de vingar no próprio caráter da pessoa, que entretanto fascinada pelos seus auto-méritos logo sucumbe, à vaidade e egoísmo de sua auto-fascinação.
«E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.»
Aqui reforça o anteriormente descrito, também e sobretudo, para o acto sagrado da oração, meditação e as próprias manifestações da fé e da espiritualidade, que ganham muito mais em ser mantidas autenticas e discretas, que ser publicas, ritualizadas e até comercializadas. Todos os atos a estes níveis mantidos no intimo do nosso coração, são de muito maior proveito para o nosso crescimento espiritual, que aqueles que são despudoradamente expostos durante as cerimónias, e que logo no terminar destas, a pessoa age contrariamente, e denegride o que antes apregoou aos sete ventos. Mais valia silenciar, que perante a sua consciência e o mundo assim agir, pois isso constituiu a sua própria ruina.
A necessidade que cada um sente, de aprimorar a sua vida e a sua visão sobre o mundo, é acompanhada de uma sensação, de uma necessidade de algo, que transcende a própria natureza humana. É nestes momentos, que naturalmente o ser humano se aprofunda espiritualmente, e por consequência, se aprofunda moralmente e eticamente. Todas estas dinâmicas são como um precioso e divino néctar, a sacralizar o dia a dia de uma vida outrora cinzenta, experiência que deve ser estimada e cuidada com supremo esforço e delicadeza, para que se consolide no coração, no corpo e na mente.
Se ao invés deste delicado e harmonioso equilíbrio, de uma relação intima e sagrada, for exposta sem cautela e ponderação, sem consideração pelo próximo, apenas e só para reconhecimento da sua própria vaidade e prepotência, para efeitos de autopromoção... a caída do pedestal será a sua inevitável recompensa ou pagamento, e a breve curso se dará.

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