“Há um lugar dentro de ti onde todas as coisas são perfeitas, pois repousam na criação de Deus. Neste lugar és amparado pela luz e pelo amor e diante disso o que poderia machucar o teu coração ou fazer-te pequeno perante a alegria de Deus? Um lugar onde a respiração é pausada porque é feita de tranquilidade. Vai e toma teu lugar ...”
RODA DA VIDA
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Maria de Nazaré
"Maria de Nazaré, rainha de todos os Espíritos que trabalham na atmosfera da Terra, derrama sobre nós o mesmo amor que nos dispensou há dois mil anos, chamando-nos de filhos e servindo sempre de instrumento para a nossa alegria.
Ela foi o 'anjo' que se revestiu de carne no planeta Terra, para favorecer a descida mais arrojada que a Divindade determinou em favor dos homens. Ela trabalhou na sua mais profunda simplicidade, porque veio para ampliar os conceitos do seu filho, pelo exemplo."
Maria de Nazaré, psicografia de João Nunes Maia, ed. Fonte Viva.
domingo, 4 de agosto de 2024
O Monge e o Diabo
Há muitas pessoas que vivem de qualquer maneira durante todo o dia e depois, à noite, antes de se deitarem, fazem uma oraçãozinha pedindo perdão a Deus pelas suas faltas. Mas isso não basta, elas devem saber que, agindo assim, terão sempre o diabo consigo, como o monge da anedota.
Sim, num convento, havia um monge que bebia, bebia… Todos os dias o nível de vinho nos tonéis baixava a olhos vistos. Um pouco envergonhado, todas as noites ele fazia as suas orações, pedindo perdão a Deus; depois, em paz consigo, adormecia tranquilamente, até ao dia seguinte... em que recomeçava a beber. Isto durou anos... Ora, certa noite, ele esqueceu-se de fazer a sua oração e, a meio do sono, sentiu que era abanado e ouviu alguém dizer-lhe: «Eh! Não rezaste esta noite. Vá, levanta-te, despacha-te! Tens de rezar!» Ele acordou, esfregou os olhos, e quem é que viu? O Diabo! Sim, era o Diabo que estava a acordá-lo, era ele que o induzia a rezar todas as noites. Para quê? Para o impedir de se corrigir. Como fazia as suas orações pedindo perdão ao Céu, o monge tinha a consciência tranquila e, no dia seguinte, recomeçava a beber, para grande alegria do Diabo. Diz a história que, quando compreendeu isso, o monge ficou tão assustado, que renunciou a beber, de uma vez por todas.
sábado, 3 de agosto de 2024
Pensamento do dia
"O Reino de Deus não pode ser realizado no plano físico antes de ter sido realizado no intelecto, no pensamento.
Depois de realizado no pensamento, ele descerá ao coração, aos sentimentos, e então poderá, finalmente, exprimir-se por atos.
É este, obrigatoriamente, o processo de realização na matéria:
pensamento – sentimento – ação.
quarta-feira, 31 de julho de 2024
Como chuva generosa
Quando o sol parece castigar a terra com a intensidade dos seus raios, habitualmente, amados e desejados; quando os dias se sucedem, muito quentes, parecendo que a atmosfera se torna quase insuportável; quando a terra vai se abrindo em frinchas, parecendo gemer em sentimento de dor; quando as plantas se deitam sobre o solo, por não conseguirem manter a altivez, pela desidratação sofrida; quando parece que tudo queimará, secará, findará...
Pensamos nos campos semeados e nos perguntamos se os grãos conseguirão tomar forma, crescer e amadurecer, para abastecer as nossas mesas. Olhamos para as árvores e nos indagamos se haverá floração para que se transforme em abençoados frutos. Contemplamos os tímidos filetes d’água, aqui e ali, onde antes se agitavam caudalosos rios, povoados por peixes de variadas espécies. Adiante, o leito seco deixa entrever as pedras nuas, brilhando ao sol. Aqui e ali um tronco de árvore deitado, como quem se tivesse agachado para sorver uma última gota d´água do solo seco. O abastecimento nas residências, fábricas e hospitais sofre interrupções, com danos para a indústria, a saúde, a higiene. Então, quando o céu escurece e nuvens escuras se apresentam, todos os olhos se fixam nelas.
Aguardamos. Aguardamos a chuva que, por vezes, desaba forte, tempestuosa. Seu primeiro objetivo é lavar a atmosfera para que se torne respirável, leve. E quando as águas atingem o solo, é uma sinfonia, um concerto inigualável de sons. É o barulho da terra, sorvendo o líquido em largos goles, os rios desejando alargar as margens para a receção mais ampla. As cascatas voltam a cantar, as fontes brilham. As plantas bebem por todas as dimensões de si mesmas. As aves observam dos seus ninhos, os animais de suas tocas, alguns se precipitando para fora para se deixarem banhar...
Sentimos a leveza do ar, depois da chuva torrencial, e agradecemos pelo reabastecimento que se fará gradual, na constância da sua presença. Chuva, generosa chuva. Violenta ou branda, caindo mansa, é um benefício. Quanto dependemos dela.
Imitemos a natureza, convertendo-nos em vida para nosso semelhante, como chuva generosa...
segunda-feira, 29 de julho de 2024
Evangelho (Lc 10,38-42)
«Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!». O Senhor, porém, lhe respondeu: «Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada».
quinta-feira, 25 de julho de 2024
Os pedidos da alma
Comecemos o dia na luz da oração. O amor de Deus nunca falha. Oração espontânea, sem fórmulas prontas ou ensaios elaborados. Um sincero diálogo da alma com a Potência Suprema.
Se a tristeza morar em nossa alma, será um grito, um lamento dirigido aos céus. Se a alegria brilhar em nosso íntimo, será um cântico de amor, um manifesto de adoração. Pode se resumir num um simples pensamento, uma lembrança, um olhar erguido para o céu. Quando oramos, uma janela se abre para o infinito e através dela recebemos mil impressões consoladoras e sublimes. Uma excelente maneira de iniciar o nosso dia.
A sabedoria não está em pedir que somente tenhamos horas de felicidade, que todas as dores, as deceções, os reveses sejam afastados. A nossa deve ser a rogativa por auxílio das forças superiores a fim de que cumpramos os nossos deveres, com dignidade. E possamos suportar a eventualidade de um dia difícil, de horas más. Se pedimos por nós, podemos estender os mesmos benefícios da rogativa para os familiares, os amigos. Se tivermos uns minutos mais, que os possamos dedicar à rogativa ao Pai de todos nós. Haverá muito a pedir.
O mundo está tão sofrido. Não bastasse a pandemia, as notícias nos chegam de furacões, de vendavais, de países arrasados pela fúria dos ventos e das águas. Pela nossa mente, transitam as figuras de crianças, de idosos, de corações de mães destroçados pelo desaparecimento ou morte dos seus filhos. Recordamo-nos das palavras do Mestre falando dos últimos tempos, das tantas infelicidades que alcançariam a Humanidade.
Imaginamos quantas ainda deveremos enfrentar. Por isso, oração pelo nosso e pelo fortalecimento alheio. A prece nunca é inútil. Com certeza, não alteraremos a lei divina das provas e expiações dos que amamos e daqueles que nem conhecemos. Mas podemos lhes remeter vibrações de calma para as situações atormentadoras, resignação para as profundas dores. Lembremos quantas vezes as nossas preces acalmaram alguém em sentido pranto, quantas vezes asserenamos a angústia de um amigo...
Como Jesus, roguemos para que os bons Espíritos, que têm por missão assistir os homens e conduzi-los pelo bom caminho, nos sustentem nas provas desta vida. Que as possamos suportar sem queixumes. Que nos livrem da influência daqueles que queiram nos induzir ao mal. Enfim, que este dia, apenas esboçado, seja de progresso, luz e paz. Horas abençoadas nos aguardam.
quarta-feira, 24 de julho de 2024
A Oração
… O aposento secreto é, pois, um lugar de silêncio e de segredo. Os outros não devem perceber aquilo que dizeis, como o dizeis e a quem vos dirigis. É claro que algumas vezes não podereis impedi-los de se darem conta de que estais a orar. Mas, quanto menos eles se aperceberem, mais valor terá a vossa oração. Numa parábola, Jesus fala daquele fariseu que tinha subido ao templo de Jerusalém e que orava com grande ostentação… Pois bem, toda a sua atitude mostrava que ele não se encontrava no aposento secreto.
Podemos dizer que este aposento secreto é o coração, o silêncio do coração. Mas, evidentemente, o coração aqui não é o que corresponde ao plano astral, o lugar dos desejos inferiores, da avidez. O aposento secreto é o coração espiritual, quer dizer, a alma. Enquanto não se consegue chegar ao verdadeiro silêncio, não se penetrou nesse aposento. Há tantos "aposentos" no homem! E, de entre todos esses aposentos, muito poucas pessoas encontraram precisamente aquele em que o silêncio é valorizado. A maioria é desviada para os outros aposentos e é lá que ora; mas como aí não há aparelhos apropriados o Céu não recebe os seus pedidos.
Portanto, não é suficiente reservar um lugar da casa para a Divindade. Se, na verdade, quiserdes ser visitados, precisais de consagrar um lugar no vosso coração, na vossa alma, dizendo: "Este lugar é para o Senhor, ou para a Mãe Divina, ou para o Cristo, ou para o Arcanjo Miguel, porque - acreditai! - se houver um lugar para eles, eles virão.
Contudo, para que uma oração seja ouvida há que respeitar certas condições. Porque é que, por exemplo, os Iniciados do passado ensinaram o gesto de juntar as mãos quando se ora? É simbólico. É porque a verdadeira oração representa a união dos dois princípios: o coração e o intelecto. Se é o vosso coração que pede, mas o vosso pensamento não participa, não se junta a ele, a vossa oração não será recebida. Para ela ser recebida, tem que vir do coração e do intelecto, do pensamento e do sentimento, isto é, dos dois princípios, masculino e feminino, unidos.
Em quantos quadros se representam pessoas a orar, até crianças com as mãos juntas! Mas nunca se compreendeu a profundidade deste gesto. Isto não quer dizer que para orar é obrigatório juntar as mãos fisicamente. Não, não é a atitude física que conta, mas a atitude interior. É preciso juntar o coração e o intelecto, a alma e o espírito, porque é da sua união que resulta a força da oração. Nesse momento, projetais uma força para o Céu, em resposta, envia-vos a luz a paz. Portanto, ao mesmo tempo, vós dais e recebeis, sois ativos e receptivos.
terça-feira, 23 de julho de 2024
Para onde nos conduzem os sonhos
Imagem e semelhança de Deus, somos Espíritos imortais. Nosso verdadeiro lar é o mundo espiritual. Estabeleceu Deus que, criados simples e ignorantes, todos peregrinássemos pelas tantas casas da Sua morada. E a lei que determina que tenhamos experiências para adquirir conhecimento e sentimento de excelência, se chama lei de progresso. Por isso, nascemos e renascemos muitas vezes em diversos mundos.
Como numa gradação vamos do jardim de infância, do bê-à-bá aos bancos universitários, jornadeamos pelos tantos mundos de Deus, periodicamente e por tempos limitados. E porque sentiríamos saudades do local de onde viemos, das criaturas com quem convivemos e que nem sempre vêm para o mundo material, na mesma época, criou Deus algo maravilhoso. Definiu que teríamos dia e noite. Lemos os versos poéticos no primeiro livro bíblico: Deus pôs na luz o nome de dia e na escuridão o nome de noite. A noite passou, e veio a manhã.
Assim temos as horas de trabalho, de estudo, de agitação. Para o repouso, adormecemos. Dorme o corpo enquanto o Espírito voa livre ao encontro das suas aspirações. Tudo o que se passa nesse período do sono reparador das energias físicas, tudo o que recordamos ao reabrir os olhos na carne, se chama sonho. O que fazemos quando dormimos depende de cada um de nós. Vamos ao encontro de outros seres que como nós se libertam parcialmente. Encontros de almas viventes.
Podemos ter amores, amigos reencarnados em outros lugares, distantes. Alguns que conhecemos nesta vida, com quem mantemos laços de afeto. Ou até criaturas de outras vidas, com as quais nunca mantivemos contato durante a vigília. Isso explica por que encontramos e conversamos com pessoas, que reconhecemos durante o sono, mas, ao acordarmos, não sabemos dizer quem eram.
Podemos ir para junto de companheiros de nível superior. Podemos viajar com eles, nos instruir com eles, talvez até colaborar em alguma ação benemérita. Se estamos com problemas graves, sofrendo, podemos ouvir exortações, conselhos dos bons Espíritos, daqueles que nos amam, que se interessam por nós. Eles nos transmitem bom ânimo, coragem.
Em certas circunstâncias muito graves, poderão nos abrir o leque de vida ou de vidas anteriores, para nos explicar o porquê dos sofrimentos que ora nos alcançam. Podemos ser avisados da nossa desencarnação, de quando se dará e, inclusive, preparados para aquele momento. Aproveitarmos muito bem essas horas de repouso físico, depende de cada um de nós. O que nos leva a considerar a importância de nos prepararmos para o sono. Entregarmo-nos a um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração. Fazermos uma leitura amena, nobre, entregando-nos à proteção dos bons Espíritos.
sábado, 20 de julho de 2024
Auxílio mútuo
Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno. Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritadiço:
Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente. O outro, porém, mais piedoso, considerou:
Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.
Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima sem perda de minutos. E avançou para diante em largas passadas.
O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido. A chuva gelada caiu, metódica, pela noite adentro, mas ele, amparando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que havia seguido à frente. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, numa vala do caminho alagado.
Seguindo à pressa e a sós, com a ideia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.
Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo… Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.
sexta-feira, 19 de julho de 2024
As respostas do céu...
Se tendes a sensação de que a meditação e a oração vos trazem pouca coisa ou mesmo nada, é porque tentais elevar-vos sem antes vos terdes desembaraçado das vossas velhas vestes espessas, grosseiras, simbolicamente falando. Nessas condições, que quereis que a vossa alma possa receber?
A luz, as respostas do Céu, não podem vir até vós, não conseguem atravessar essa carapaça. Precisais de eliminá-la e apresentar-vos perante o Céu com vestes leves, transparentes, ou seja, começar por trabalhar para vos desembaraçardes das vossas cobiças, dos vossos calculismos, das vossas ideias falsas, das vossas mesquinhices. Quando o tiverdes conseguido, bastará fechardes os olhos para vos ligardes ao Céu, e sentireis as suas bênçãos afluírem a vós.
terça-feira, 9 de julho de 2024
Duas cerejeiras
Cena curiosa à beira do caminho. Duas árvores, duas cerejeiras plantadas no canteiro, próximo à calçada. Uma delas exuberante, repleta de vermelho, cheia de vida e chamando a atenção de quem passa. A outra, no entanto, a menos de cinco passos de distância, de aparência absolutamente oposta, totalmente seca, mirrada, como se estivesse morta. Causa estranhamento à vista de uns, causa pena a outros, olhar aquelas obras de Deus, assim, em desigualdade tão grande.
Estão no mesmo solo, recebem a mesma rega, o mesmo sol, mas tão distintas uma da outra. Um enigma. O tempo, contudo, tudo esclarece. As semanas passam, e o mistério é esclarecido. Quem olha com atenção, percebe que algo mudou significativamente: a bela cerejeira que antes estava florida, agora está desnuda, sem cores. E aquela que antes inspirava piedade, agora está deslumbrante e colorida. Cada uma teve seu tempo, cada uma realizou seu ciclo anual, em momento distinto, e ambas trouxeram beleza ao mundo da mesma forma.
Companheiros de coração endurecido, que se mostram insensíveis às dores alheias e que, muitas vezes, tornam a existência dos que os cercam um verdadeiro caos, também irão florir em seu tempo. Alguns, inclusive, podem até se manter como árvores secas durante uma ou algumas encarnações. Sua floração virá bem mais tarde. As semanas das árvores do caminho são séculos, milênios, por vezes, para as almas imortais. Por isso, saibamos cuidar e julgar com maturidade.
Em algumas ocasiões, agimos como o motorista apressado que, ao observar as duas árvores tão diferentes, logo conclui: Uma deu certo, a outra não! Ou ainda: Uma está viva, a outra morreu. A natureza é muito mais sábia do que imaginamos. Ela nos ensina a esperar e a saber olhar. Importante cuidarmos com os rótulos apressados. Pau que nasce torto pode sim, se endireitar. Aliás, nasceu justamente para isso. E ainda, não nasceu torto por um capricho da natureza, mas porque se tornou torto no passado. Rótulos são perigosos. Atrapalham e nada ajudam.
Todos têm jeito. Todos podem florir e vão florir. Talvez apenas não no tempo que nós esperamos ou que o mundo exige. Lembrando das árvores do caminho, aprendamos com a sabedoria do tempo. Olhemos mais vezes, olhemos o filme e não apenas a fotografia. Que a natureza continue nos ensinando e nos oferecendo essa visão ampla das coisas. Percebamos que na natureza nada é apressado, nada é instantâneo. Tudo se constrói, tudo se conquista. As leis divinas, que regem os mundos, são sábias. Aprendamos com elas. E, da próxima vez que observarmos uma árvore sem flores ou mesmo uma alma seca pelo caminho, recordemos das duas cerejeiras.
segunda-feira, 8 de julho de 2024
Apressada avaliação
Conta-se que um açougueiro atendia suas atividades habituais, quando entrou no estabelecimento um cachorro. Ele se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um saco à boca.
Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete. Atendeu o que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco, com carne bem acondicionada e troco dos valores que encontrara.
O animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do talho e foi andando pelo passeio. O açougueiro ficou intrigado: De quem seria aquele cão tão bem treinado?
Resolveu segui-lo. O cão chegou na esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o botão do semáforo para travessia de pedestres, parando o trânsito de veículos. Então, atravessou a rua na passadeira. Mais adiante, outro semáforo estava vermelho e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão atravessou a rua Chegou a uma paragem de autocarros e esperou. Quando o primeiro autocarro parou, o cão olhou para o letreiro e não entrou. Quando outro autocarro parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o letreiro.
Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o trajeto com atenção. O homem do talho estava perplexo. Nunca vira nada igual. Depois de vários quarteirões, o cão desceu do autocarro e andou um pequeno bocado.
Frente a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou frente à porta e começou a bater com a cabeça na madeira. Depois, foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro, várias vezes. Finalmente, a porta se abriu.
Um homem grande e zangado veio para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de estúpido, inútil, traste. O açougueiro não aguentou. Deteve a agressão e falou ao dono do cão:
Que é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente e o agride desta maneira?
Inteligente? – gritou o dono. Ele é um tonto. Já falei um milhão de vezes e este inútil vive esquecendo de levar a chave da porta.
Naturalmente, o conto é fictício. Pode levar ao riso. Ou podemos parar um momento e refletir. Quantas vezes agimos como o dono desse cão?
As pessoas nos servem, nos agradam e nós... só reclamamos.
Reclamamos da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos. E esquecemos de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário; os pratos preparados com esmero; as frutas, o sumo, o cereal no café da manhã.
Reclamamos dos pais que não entendem nossos sonhos, nossa conversa, nosso grupo de amigos. E não lembramos dos braços que nos carregaram, depois das brincadeiras, na praia; das horas exaustivas de trabalho deles para nos garantir a escola, o lazer, as viagens.
Reclamamos do funcionário que não atendeu uma ordem, em todos os detalhes. Não lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar, diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa empresa.
Reclamamos sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o real valor dos que nos cercam.
Pensemos nisso e tomemos consciência primeiro, que por vezes, nos tornamos pessoas um tanto desagradáveis, com esse tipo de atitudes. Segundo, perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor. É possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos digam que estamos reclamando, de verdade, por nos darmos conta de como somos dependentes dessas criaturas...
Pensemos nisso e foquemos de forma diferente a nossa apressada e tola avaliação.
quinta-feira, 4 de julho de 2024
Salmo 138 (Hebreus 139)
“Senhor, vós me perscrutais e me conheceis,
Sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto,
De longe penetrais meus pensamentos,
Quando ando e quando repouso, vós me vedes,
Observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua,
E já, Senhor, a conheceis toda.
Vós me cercais por trás e pela frente,
E estendeis sobre mim a vossa mão.
Ciência tão maravilhosa me ultrapassa,
Ela é tão sublime, que não posso atingi-la
Para onde irei, longe de vosso Espírito?
Para onde fugir, apartado do vosso olhar?
Se subir até aos céus, ali estais;
Se descer à região dos mortos, lá vos encontrais também.
Se tomar as asas da aurora,
Se me fixar nos confins do mar,
E ainda vossa mão que lá me levaria,
E vossa destra que me sustentaria,
Se eu dissesse: “Pelo menos as trevas me ocultarão,
E a noite, como se fora luz, me há de envolver.
As próprias trevas não são escuras para vós,
A noite vos é transparente como o dia,
E a escuridão, clara como a luz.
Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,
Vós me tecestes no seio de minha mãe.
Sede bendito por me haver feito de modo tão maravilhoso.
Pelas vossas obras tão extraordinárias,
Conheceis até ao fundo a minha alma.
Nada de minha substância vos é oculto,
Quando fui formado ocultamente,
Quando fui tecido nas entranhas subterrâneas.
Cada uma de minhas ações vossos olhos viram,
E todas elas foram escritas em vosso livro;
Cada dia de minha vida foi pré-fixado,
Desde antes, antes que um só deles existisse.
Ó Deus, como são insondáveis para mim vossos desígnios,
Quão imenso é o número deles!
Como os contar? São mais numerosos que a areia do mar;
Se pudesse chegar ao fim, seria ainda com vossa ajuda.
quarta-feira, 3 de julho de 2024
terça-feira, 2 de julho de 2024
Evangelho (Jo 20,24-29)
Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe: «Nós vimos o Senhor!». Mas Tomé disse: «Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei».
Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!». Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!». Jesus lhe disse: «Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!»
Que ensinamento é este que Yeshua nos oferta com esta parábola? adverte-nos que no decurso de nossas atividades devemos sempre confiar e ter esperança, nos resultados de nossos esforços. Quantas vezes desacreditamos somente por conta de nossa ansiedade, ou por conta de nossa razão? Quantas vezes, mesmo após em consciência tomarmos determinada direção, nas primeiras dificuldades desistimos, sem dar tempo para que os resultados de nossas investidas produzam os desejados frutos.
Que seria se os marinheiros de um barco, com rumo a uma costa longínqua, desistissem de sua viagem no momento em que deixassem de conseguir ver a costa de onde partiram? - jamais se aventurariam a atravessar o Oceano e a vislumbrar a chegada de uma outra "terra à vista!"
Os desafios da existência humana, com todas a vicissitudes que lhe são inerentes, com todos os apegos à materialidade que a procuram subjugar, não deverão nunca ter livre rumo, para dominar o gênio do espirito humano. Sim, os humanos estão a viver uma experiencia que lhes recorda constantemente a suas próprias limitações e fragilidades, mas todo esse manto de prantos deverá servir o propósito maior, de os preparar para a defesa incondicional de suas verdades espirituais, seja qual for o desafio a superar.
Nunca devemos acreditar que estamos sós, só porque momentaneamente estamos privados de vista… neste preciso momento, à nossa volta agitam-se mil mãos amigas que nos procuram conduzir discreta e docemente, à nossa suprema realização, à nossa de missão de vida, assim seja a Suprema vontade Divina e a nossa firme convicção, de o testemunhar em pleno ato de fé.
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Ontem, eu não morri
Conhecemos alguém que quase desistiu da vida, na idade adulta, mas manteve-se firme. Hoje, ela olha um passado que poderia não ter existido e valoriza cada segundo, cada momento precioso que a existência terrena lhe concedeu. Filha, mãe, esposa e avó, transformou aflição em poema:
Perdão, Pai, pelas loucas ideias.
Perdão, por querer desvendar o futuro.
Perdão, por não ter fé.
Perdão, por desvalorizar minha vida,
Esta vida que me emprestaste.
Se ontem tivesse morrido,
Não teria vivido sorrisos, chorado lágrimas, compadecido dores.
Se eu tivesse morrido,
Não teria visto tanta coisa,
A formatura do meu meninão vencendo a faculdade.
Não teria visto a filha, no seu primeiro vestido de baile, seus quinze anos, seu primeiro amor, os primeiros sonhos de mulher...
Como direi agora, Senhor?
Obrigada, pelas lágrimas que derramei,
Pelos sonhos que vivi,
Pela luz que recebi,
Pelos amigos que conquistei.
Obrigada, Senhor.
Pela presença dos meus filhos,
Pelas mãos que os encaminhei,
Pelas palavras que pronunciei,
Pelos passos que evitei,
Pela vida que desfrutei.
Rogo, Senhor,
Que derrames sobre nós a luz da sabedoria,
Para que possamos aceitar com alegria,
A vida que nos designaste.
Rogo, ainda, Senhor,
Que olhes pelos entes que se foram e pelos que ficaram.
Àqueles por não mais sofrerem nesta vida,
E os outros, pela saudade cruciante, nessa perda delirante,
Que mesmo com fé, não deixaram de chorar.
Senhor,
Que haja paz e amor em todos os lares,
Que eles se desdobrem, com outros risos e outros sonhos.
Que Teu manto os envolva numa doce harmonia,
Em hinos de felicidade!
Estas são palavras dos que vencem o mundo, dos que entendem o caráter educativo de toda experiência, na existência terrestre.
Ainda bem que eu não desisti. Ainda bem que suportei, que compreendi, mesmo a contragosto, as vicissitudes e provas que a vida me apresentou.
Ainda bem que não me contaminei. Ainda bem que não traí meus princípios.
Ainda bem que só saí daqui com esses arranhões, que doem, sim, mas que logo serão passado e depois nem lembrança mais precisarão ser.
Somos livros enormes, de múltiplos capítulos e volumes. E desistir é como querer fechar a obra, parar de ler, devido a uma frase, a um parágrafo que nos fez sofrer, que nos desagradou, que não foi escrito do jeito que esperávamos.
Muitas vezes, não temos nem o cuidado de reler aquele trecho para tentar entender de forma diversa. Julgamos à primeira vista e saímos revoltados pelo mundo.
Em muitos casos, bastava ter paciência, esperar o começo da página seguinte e entenderíamos algumas razões... Mas não, apressadamente atiramos tudo para o alto.
Ora, uma obra é muito mais do que isso.
Nesses momentos de tensão, que voltemos à grandeza da capa de nosso livro e observemos Quem assina connosco e nos sintamos mais seguros.
Nosso nome está escrito dentro de Outro Nome, muito maior e iluminado por bondade infinita, perfeito e repleto de beleza.
quarta-feira, 26 de junho de 2024
Que diríamos nós?
Conta-se que, naquele dezembro, o Senhor Deus examinou os documentos que se referiam a grandes personalidades da Terra. Deteve-se, de forma especial, sobre os que detalhavam as ações de um inquieto pesquisador. Dotado de poderes intelectuais, ainda na mocidade, ele lecionara na faculdade de medicina, na cadeira de fisiologia. Publicara estudos notáveis, que lhe haviam granjeado a admiração dos seus contemporâneos. Fora laureado com o Prêmio Nobel de medicina. No entanto, uma grande missão lhe fora confiada: a de afirmar a sobrevivência do Espírito após a morte.
Por isso, estivera com médiuns extraordinários, que, sob sua supervisão rigorosa, produziram fenômenos de variada ordem. Foi um investigador sincero, dedicado. Apesar de provar que nunca houvera fraude alguma, em tudo que lhe fora dado observar, jamais teve a coragem de afirmar a Imortalidade do Espírito.
Para ele, tratava-se de um sexto sentido, era inegável. Teve o mérito de escrever um livro, que contribuiu para chamar a atenção de outros sábios e pesquisadores: Tratado de Metapsíquica. Aos oitenta e cinco anos, ele estava, agora, sendo chamado para retornar ao grande lar. Era o momento de prestar contas dos tantos talentos recebidos. Anos lhe haviam sido ofertados para que pudesse aprofundar sua investigação e, como cientista, dizer da realidade imortalista. Em vão.
Agora, era o momento de deixar o corpo físico. Ele fechou os olhos da carne e os abriu para a dimensão espiritual. Amigos, que com ele haviam jornadeado, o aguardavam. Personalidades eminentes da França antiga, velhos colaboradores de suas pesquisas, foram abraçá-lo. Na sua bondade, Deus Pai lhe enviou formas luminosas que o arrebataram, desprendendo-o do corpo físico. O apóstolo da ciência caminhou, então, para a certeza divina da Imortalidade. Imortalidade que ele não admitira para o mundo mas que agora se lhe descortinava aos olhos. Ele se chamava Charles Richet.
Quando estas notícias nos chegam à mente, imaginamos se hoje fôssemos chamados à presença do Senhor da Vida, como seria a nossa prestação de contas. Será que estamos aproveitando todas as oportunidades que a Divindade nos oferece, nesta jornada terrena?
Podemos pensar o que estamos fazendo das chances de estudo, nos bancos escolares, universitários, do conhecimento que nos chega. Que estamos fazendo da possibilidade de ilustrar outras mentes, de realizar pesquisas nobres, de exercitar o bem. Que estamos fazendo das bênçãos da família, dos amigos, de tantos que nos estimam. Que estamos fazendo das horas de cada dia, da nossa biblioteca enorme, das oportunidades de progresso que a tecnologia nos oferta. Aprimoramos o próprio idioma para sermos melhor entendidos?
Que fazemos das letras que nos são ofertadas para ler, escrever, falar?
Que fazemos do talento musical, da nossa criatividade?
Importante nos servirmos de tudo que possuímos para aprimorar nosso intelecto. Também para apararmos nossas imperfeições morais. A hora é agora. Aproveitemos o dia que surge, anunciando bênçãos.
sábado, 22 de junho de 2024
De joelhos é melhor
Você nunca estará, em posição tão alta como quando está ajoelhada.
Um dia tempestuoso, acompanhada de dois guias experientes, uma mulher escalou a montanha Weisshorn, nos Alpes Suíços. Quando se aproximavam do pico, a mulher, - vibrando de emoção pelo magnífico panorama diante de si - deu um salto para frente e quase foi levada por uma rajada de vento. Um dos guias a segurou, forçando-a a se abaixar, e disse:
- De joelhos, madame! A senhora só estará segura aqui se ficar de joelhos.
Temos o hábito de achar que "de joelhos" é a posição típica para orar, mas a conversa com Deus não se limita a posições. Ele nos ouve… sempre.
Certa vez, três senhoras cristãs estavam conversando a respeito das "melhores" posições para orar. Uma delas falou da importância de encostar a palma de uma das mãos na outra e aponta-las para cima.
A segunda defendeu que a melhor posição para orar era estender-se ao chão. A terceira achou que orar em pé era melhor que de joelhos. Enquanto conversavam, um reparador de linhas telefônicas que trabalhava nas proximidades, ouvia o que elas diziam. Finalmente, ele não se conteve e participou da conversa:
- Descobri que a oração mais poderosa que já fiz foi quando eu estava dependurado de cabeça para baixo num poste, suspenso a 12 metros do chão.
O importante não é a posição em que você ora, mas o fato de você estar orando!
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sexta-feira, 21 de junho de 2024
Voz de Deus
Quando os hebreus se encontravam ao sopé do monte Sinai, em sua peregrinação pelo deserto, narra o livro bíblico do Êxodo que ouviram trovões e relâmpagos e um som de trompeta muito forte. Moisés falava e Deus lhe respondia em voz alta, diz o texto. A narrativa nos remete a um fenômeno mediúnico denominado voz direta.
Tratava-se de uma manifestação ostensiva porque diz que todo o povo ouvia. Era, com certeza, o Espírito protetor da nação hebraica que ali se manifestava, em nome do Todo Poderoso. Mas, quem de nós não apreciaria ouvir a Voz de Deus?
Num um poema de luz, lemos que quem ouve a voz dos imortais não esquece nunca mais. Como seria ouvir a Voz do Supremo Poder do Universo?
Em verdade, todos os dias Ela nos fala aos sentidos. Os povos primitivos acreditavam que os deuses gritavam, enfurecidos, nas tempestades, nas tormentas e nos ventos uivantes. Tinham uma certa razão porque Deus nos segreda doces melodias aos ouvidos quando sussurra o vento, docemente, debulhando as folhas das árvores. Elas caem, arrastam-se pelo chão, continuando a traduzir a Voz de Deus. Quando o vento nos alcança os cabelos e os desarranja, é porque Deus deseja que nossos ouvidos estejam abertos à Sua Voz. Deus canta na voz das águas das cascatas que se lançam de alturas imensas e caem, estrondosas, no rio abaixo, que segue, caudaloso, murmurando e murmurando. Deus fala nas cataratas exuberantes, ouvidas desde longe, enquanto respinga água em nossos rostos ao nos aproximarmos. Está dizendo: Você me ouve? Você me percebe? Lavo seu rosto para que possa me sentir.
A Voz de Deus. Quantos A teremos ouvido, na intimidade da alma, quando em prece. Quantos A ouvimos no riso da criança, que corre feliz, dizendo da alegria de ter nascido num mundo de tanta cor e beleza. Quantos teremos ouvido a Voz de Deus nos lamentos de dor de um mundo enlutado, atingido pela pandemia. Quantos entendemos que Deus nos pede que estendamos nosso socorro a quem sofre a dor do abandono, da ausência de amores. A quem padece a fome, o desabrigo, o desemprego, a ausência de condições de sobrevivência.
Voz de Deus. Sempre presente. Não lhe sufoquemos os brados de alerta, de compaixão que nos dirige. Somos todos filhos da mesma família, dependentes uns dos outros. Herdeiros do Universo, repartamos o pão, ofertemos a palavra amiga, socorramos nosso irmão, próximo ou distante. A Voz de Deus nos indaga: Como está seu irmão? Não cerremos os ouvidos, nem nos desculpemos. Atendamos a Voz de Deus.
quinta-feira, 20 de junho de 2024
Evangelho (Lc 12,54-59)
Naquele tempo, Jesus dizia também às multidões: Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. Hipócritas! Sabeis avaliar o aspeto da terra e do céu. Como é que não sabeis avaliar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, estás indo com teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto ainda a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e o oficial de justiça te jogará na prisão. Eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo.
segunda-feira, 17 de junho de 2024
O convite do Pastor
Narra o Evangelista João que Jesus foi a Jerusalém porque havia uma festa entre os judeus. Não se sabe ao certo que festividade seria porque não fez questão de mencionar. Mas assinala que havia, próximo à porta das ovelhas, um tanque chamado Betesda, que em hebreu quer dizer Casa de Misericórdia. Tratava-se, em verdade, de uma grande piscina, com acesso por cinco pórticos. O local fora edificado pela administração pública. Alguns o consideravam dedicado a Asclépio, deus da medicina e da cura. Em outras anotações, encontramos que o local era administrado por judeus que chegavam a negociar os melhores lugares, ou seja, os mais próximos à borda da piscina. Espalhara-se a lenda de que, periodicamente, um mensageiro celeste descia à piscina e revolvia suas águas. O primeiro que então adentrasse, sarava de qualquer enfermidade. Interessante que fosse procurada por grande multidão de cegos, mancos, paralisados, considerando que a algumas centenas de metros, estava o Templo de Jerusalém. Por que não buscavam os judeus as graças de Yaweh no Templo em que consideravam devia ser adorado e aderiam, ao contrário, a uma crendice?
Ontem, como hoje, parece que quando se trata de alcançarmos algo que muito desejamos, rapidamente desprezamos crenças ainda não sedimentadas em nós. Ora, havia ali um homem, paralítico há trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava há tanto tempo nesse estado, se aproximou e lhe perguntou: Queres ficar curado?
Aquele homem não sabia quem era Jesus. No entanto, seria natural que respondesse: Sim, quero. No entanto, a sua é a lamentação de que não tem quem o lance na água, assim que seja agitada. Quando conseguia chegar próximo, alguém já adentrara antes dele. Jesus lhe ordena então: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
O homem se ergue, e se vai, andando.
O que causa estranheza é que a multidão necessitada nada percebeu. Cada um estava focado somente em seu próprio problema, sem olhar ao redor. A grande lição de Jesus passou despercebida de todos eles, que poderiam, igualmente, se terem beneficiado do poder do Mestre. Continuaram ali, ao redor da piscina, aguardando o próximo movimento das águas. Ao curar o paralítico, testificava Jesus que a cura não estava na água. Ele, o Divino Pastor, era a cura para todos os males.
Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
Sigamos o Pastor.




















