Deus, a sexta-feira chegou como uma margem entre dois mundos: o que ainda ecoa da semana e o que já pede renascimento. Eu me apresento inteiro, sem enfeite espiritual, sem discurso bonito para esconder minhas sombras. Coloco diante de Ti o saldo real dos meus dias: palavras que curaram, palavras que feriram, silêncios que protegeram, silêncios que omitiram.
Passa Tua luz sobre essa memória recente como quem atravessa um campo depois da chuva, recolhendo o que presta e deixando ir o que apodrece. Ensina-me a arte difícil do fechamento consciente: não varrer culpa para debaixo da fé, não chamar de destino o que foi escolha, não chamar de fraqueza o que ainda é aprendizado.
Senhor, nesta sexta-feira, dá-me precisão interior. Onde houver autoengano, que surja lucidez. Onde houver orgulho ferido, que nasça humildade ativa. Onde houver cansaço sem sentido, que brote propósito. Quero terminar este ciclo sem dramatizar dores e sem minimizar responsabilidades.
Que eu solte o personagem que sustento para ser aceito e permaneça apenas com o que é verdadeiro. Se algo em mim já venceu o próprio prazo, que tenha coragem de encerrar. Se algo merece continuidade, que eu tenha disciplina para sustentar. Que meu espírito não procure atalhos, mas direção.
Deus, consagra este dia como câmara de depuração: queime o excesso, refine a intenção, alinhe minha vontade ao bem. Ao cair da noite, que eu não esteja apenas exausto, que eu esteja mais consciente. Mais sóbrio por dentro, mais transparente na alma, mais disponível para o próximo passo. Que assim seja!

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