RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Leão XIV e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa León XIV y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Leo XIV and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."

domingo, 6 de março de 2022

Cozinhando nossos feijões

Conta certa lenda que um monge, muito sábio e já idoso, se dispôs a encontrar um substituto para a administração da comunidade a que servia. Eram muitos os seus pupilos, mas a convivência com eles deixava claro que nem todos possuíam as condições necessárias para ocupar o cargo. No entanto, dois rostos se realçaram em sua mente, por lhe parecerem os mais preparados. Como somente um poderia substitui-lo, ele resolveu lançar um desafio que poria a capacidade de ambos em cheque e mostraria o mais apto a sucedê-lo.

Dessa forma, convocou os dois monges e deu, a cada um, alguns grãos de feijão, que deveriam ser colocados dentro de seus sapatos, na hora de fazerem a prova. O desafio seria subir uma grande montanha usando os sapatos com os grãos de feijão dentro. Chegados o dia e hora marcados, teve início a prova.

Logo nos primeiros metros, um dos candidatos começou a mancar. Não foi além do meio da subida. Seu rosto estava marcado pela dor. Ele parou e tirou os sapatos. As bolhas, em seus pés, eram imensas e sangravam. Sentou-se à beira do caminho, reconhecendo que não teria condições de prosseguir. Para sua surpresa, verificou que o outro concorrente sumiu de vista, andando ligeiro, montanha acima. Quando a prova foi encerrada, todos se reuniram para aplaudir o vencedor.

Mais tarde, após colocar curativos nos próprios pés, o perdedor aproximou-se do vitorioso e lhe perguntou como conseguira fazer todo o percurso com os grãos nos sapatos. Ah! – elucidou ele - é que antes de colocá-los nos sapatos, eu os cozinhei.

São variados os desafios que enfrentamos no decorrer de nossas vidas. De um modo geral, saímos afoitos querendo resolvê-los o mais depressa possível. Quase sempre nos esquecemos de buscar, antes, uma forma de amaciarmos nossas rudes dificuldades. 

Por mais difícil seja a prova que a vida nos apresente, em determinados momentos, podemos encontrar uma forma para, ao menos, amenizar a situação. Talvez baste a disposição de conversarmos com alguém que nos possa auxiliar a ver uma solução para um facto que nos pareça impossível de ser resolvido. 

Em certas situações, muitas vezes, bastará um gesto, algumas palavras que retratem nosso desejo de encontrar uma saída, com sabedoria e humildade. Por vezes, teremos que nos colocar no lugar do outro, para compreender melhor a sua problemática, o que nos levará a perceber o quanto nós também, ainda, necessitamos nos amaciar interiormente. 

Os desafios são inevitáveis mas, sempre poderemos usar nossa inteligência, nossa criatividade, na busca de soluções. Se não resolvermos as situações difíceis que nos envolvem, carregaremos nossos problemas para onde formos. 

São exatamente o nosso orgulho, o nosso egoísmo ou a nossa vaidade que nos colocam traves nos olhos, impedindo-nos de ver o que pode ser uma solução. Esses monstros nos perseguem porque os alimentamos. Problemas, todos os temos. Maiores, menores. Somos nós que determinamos se eles nos dominam ou se nós os vencemos. Lembremo-nos de que, às vezes, bastará cozinharmos os nossos feijões.

Evangelho (Mc 10,28-31)

Pedro começou a dizer-lhe: «Olha, nós deixamos tudo e te seguimos». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida — casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, vida eterna. Muitos, porém, que são primeiros, serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros».

terça-feira, 1 de março de 2022

Paz e união no mundo

Que da obra dos infelizes, inconscientes e assombrados pelas ambições desmedidas, resulte a forte determinação de união, solidariedade e fraternidade de todos os outros. São tempos de oportunidade de banir dos corações humanos, a indiferença, a desumanidade e a intolerância. Também nós, que cremos, que sabemos do enorme poder da verdade e da oração, façamos de todos os nossos momentos, uma prece de coragem e de força, a todos que se unem para enfrentar os regimes autoritários e desumanos no mundo que é de todos🙏🏼

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Omraam Mikhaël Aïvanhov

"Os acontecimentos que se realizam na terra são consequência de acontecimentos que já se desenrolaram no Alto, nos planos subtis. É isto que explica que um clarividente possa predizer o futuro: ele já viu esses acontecimentos anunciados no mundo invisível. É necessário um certo tempo para eles chegarem ao plano físico, mas chegam obrigatoriamente, porque já estão inscritos no Alto. Observai uma serpente: seja qual for o seu comprimento, a cauda passa sempre por onde a cabeça já passou. A cabeça representa o pensamento e a cauda representa os atos. A cauda vem depois da cabeça. Como a cauda, o mundo físico é sempre a continuação, ou seja, a concretização do que já teve lugar no mundo subtil.

A consequência prática desta verdade é que aqueles que tiverem a paciência de alimentar o seu ideal por muito, muito tempo, com bons pensamentos e bons sentimentos, sem nunca desanimarem, conseguirão levar atrás de si a cauda, isto é, modificar os seus atos, o seu comportamento, os seus instintos, o seu corpo físico."


"Deus introduziu na alma das criaturas um sentimento de insatisfação e de carência que só poderá ser satisfeito no dia em que elas conseguirem unir-se a Ele. Enquanto não tiverem realizado esta fusão, andarão à procura e farão experiências, acreditando, de cada vez, que conseguirão obter o que desejam. Mas ficarão sempre decepcionadas, sempre desapontadas. Na realidade, esta decepção não é assim tão má, pois é ela que impele as almas humanas a irem sempre em frente, a procurarem, e a tentarem reaproximar-se continuamente do Bem-Amado."

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Evangelho (Mc 10,13-16)

Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: «Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!». E abraçava as crianças e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

Os dias de nossa infância
Aprendemos, com os instrutores espirituais, que a infância se constitui em período de repouso para o Espírito. Vindos do mundo espiritual, retornamos à cena no palco da vida física. Trazemos as conquistas realizadas, em existências anteriores. E todos passamos pelo período da infância, que se reveste de muita importância. É nesse período que se nos alicerçam as virtudes e que a educação realiza o seu grande papel. O Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.
É também um período mágico em que acreditamos que tudo é possível. Por isso sonhamos tanto, por isso a magia, o encanto são companhias constantes. Quem de nós não recorda de momentos desse período e, ao mesmo tempo, das traquinagens, das brincadeiras, no tempo em que os telemóveis e os games não faziam parte do universo infantil. O poeta Casimiro de Abreu cantou em versos as saudades da sua infância. As tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais. Ia colher as pitangas; trepava a tirar as mangas; brincava à beira do mar. De um modo geral, são salutares as lembranças desse período em que achamos o céu sempre lindo, em que adormecemos sorrindo e despertamos a cantar.
Interessante notarmos que quanto mais avançam os anos, mais nos afloram as lembranças daqueles dias de despreocupação, em que corríamos pelos campos, cabelos soltos ao vento. Tempo em que andávamos descalços, sentindo a terra molhada, a relva fazendo cócegas nos pés. Tempo em que subíamos em árvores, em muros, sem nos importarmos com a altura. Tempos em que vivíamos com o joelho ferido, o braço esfolado, as mãos machucadas. O nosso desejo era explorar, conhecer, experimentar. Segundo Jean Piaget a infância é o tempo de maior criatividade na vida de um ser humano. Possivelmente, nenhum de nós tenha pensando que chegaria onde se encontra.

Sonhamos, idealizamos, mas, no final, a vida nos conduz para outros caminhos e trilhamos outras estradas. O importante é que aqui nos encontramos, vivendo o hoje. Vencemos os dias primeiros da infância e os vivemos com intensidade. Correndo ao sol ou debaixo da chuva, divertindo-nos na tentativa de fugir aos pingos grossos, como se pudéssemos andar entre eles. Dias gloriosos cujas lembranças nos sustentaram através dos anos da juventude à maturidade. Dias lembrados, com certa nostalgia. Uma saudade cálida, doce, de algo intensamente vivido. E com imensa gratidão.

Gratidão por todos aqueles que fizeram a diferença em nosso caminho. Os que nos desvendaram o mistério das letras, dos números, os que nos ilustraram noutro idioma além do pátrio. Aqueles que nos ensinaram a reverenciar os símbolos nacionais, a amar esta terra que, no dizer do poeta Olavo Bilac, não veremos outra igual!

Os que nos ensinaram que, acima de todos nós, a imensa família universal, há um Pai Amoroso e Bom, cujo Amor nos criou e nos sustenta. Um Pai que nos ama e que aguarda nosso retorno ao lar paterno, com o livro da vida assinalado: Vitória!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Evangelho (Mc 9,14-29)

Quando voltaram para junto dos discípulos, encontraram-nos rodeados por uma grande multidão, e os escribas discutiam com eles. Logo que a multidão viu Jesus, ficou admirada e correu para saudá-lo. Jesus perguntou: «Que estais discutindo?». Alguém da multidão respondeu-lhe: «Mestre, eu trouxe a ti o meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o agride, joga-o no chão, e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente duro. Eu pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram».

Jesus lhes respondeu: «Ó geração sem fé! Até quando vou ficar convosco? Até quando vou suportar-vos? Trazei-me o menino!». Levaram-no. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e rolava espumando. Jesus perguntou ao pai: «Desde quando lhe acontece isso? O pai respondeu: «Desde criança. Muitas vezes, o espírito já o lançou no fogo e na água, para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão e ajuda-nos». Jesus disse: «Se podes…? Tudo é possível para quem crê». Imediatamente, o pai do menino exclamou: «Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé».

Vendo Jesus que a multidão se ajuntava ao seu redor, repreendeu o espírito impuro: «Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai do menino e nunca mais entres nele». O espírito saiu, gritando e sacudindo violentamente o menino. Este ficou como morto, tanto que muitos diziam: «Morreu!». Mas Jesus o tomou pela mão e o levantou; e ele ficou de pé. Depois que Jesus voltou para casa, os discípulos lhe perguntaram, em particular: «Por que nós não conseguimos expulsá-lo?». Ele respondeu: «Essa espécie só pode ser expulsa pela oração».

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Instrumento nas mãos de Deus

Qual é a minha missão? Não é esta uma pergunta que, por vezes, nos vem à mente?

Gostaríamos de saber para que estamos aqui, em que contribuímos para a melhoria das pessoas ou do mundo. 

Quando nos extasiamos com a performance de um grande músico, dizemos que a sua música nos alimenta a alma, nos traz recordações, nos emociona. Contudo, o primeiro violinista da Orquestra Sinfônica do Paraná, maestro convidado e maestro adjunto por alguns anos, descobriu o maravilhoso sentido da sua vida, de forma surpreendente. De uma família de músicos, ele é Doutor em artes musicais pela Universidade Estadual de Michigan. É sobrinho-neto do maestro Bento Mossurunga, compositor do hino do Paraná. Pode-se dizer, portanto, que a música lhe está no sangue. Mais do que isso, na alma. Confessa que abraçou o violino porque suas três irmãs tocavam piano e ele cansou de ouvir tantas horas diárias desse instrumento. 

Certo dia, visitando uma tia hospitalizada, levou seu violino e tocou para ela. A música atraiu muitos pacientes. Ele percebeu o benefício da música e passou a tocar, voluntariamente, em hospitais, clínicas e presídios. Ele narra surpreendentes fatos. Ouvindo-o, constatamos, verdadeiramente, como Deus se serve dos homens de boa vontade.

Certa feita, tocando no corredor de um hospital, ao chegar em frente ao quarto de um senhor, se deteve. Quando concluiu a execução musical, viu que o enfermo estava em pé, na porta entreaberta. Paulo Torres o olhou e lhe desejou que Deus estivesse com ele. Ouviu a fala, entre lágrimas: Acredite, maestro, Deus acabou de me fazer uma visita.

O violinista fala do poder da música e como se sente feliz em realizar o que faz. Em um dos hospitais de Curitiba, toca semanalmente, enquanto peregrina por vários outros. Emociona-se ao narrar que, entrando em um quarto, viu uma menina que dormia, enquanto sua mãe, sentada ao lado, mantinha a bíblia aberta. Ele tocou um hino, com alma e coração e verificou que a menina abriu os olhos. Parecia querer falar sem que palavras compreensíveis lhe saíssem da garganta. A mãe se precipitou sobre a filha, em choro convulsivo. Médicos, enfermeiros invadiram o quarto. O maestro ficou preocupado. O que acontecera? O que ele provocara? E foi saindo do quarto, de mansinho. Então, a mãe foi até ele, o abraçou e lhe disse: Obrigada. Minha filha estava em coma há três anos. Sua música a despertou. 

Em suas entrevistas, ele fala dos benefícios da arte musical e como se descobriu instrumento nas mãos de Deus.

Uma senhora lhe disse que, na UCI, teve o diagnóstico de morte breve. Religiosa, orou intensamente a Deus: Senhor, dá-me uma prova de que não Te esqueceste de mim. Na manhã seguinte, o maestro visitou a UCI. Tomou do seu instrumento e executou o hino Não me esqueci de ti. Lágrimas romperam dos olhos da enferma. Duas semanas depois, recuperada, encontrando o maestro no corredor do hospital, lhe beijou as mãos, dizendo que ele fora o mensageiro do recado divino. Instrumento nas mãos de Deus.

Oxalá nós mesmos possamos descobrir como podemos nos tornar esse instrumento dócil, nas mãos divinas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Ouvidos de ouvir

Uma reunião com índios americanos revela um ensinamento importante e urgente. Agrupados os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos calados à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. Esses pensamentos são estranhos aos demais. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se alguém falar logo a seguir, são duas as possibilidades que se pode pensar.

Primeira: quem falou está dizendo: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua fala.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

Em ambos os casos, está se chamando o outro de tolo. O que é pior do que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz silêncio dentro, começa-se a ouvir coisas que não se ouvia.


Muitos são os cursos oferecidos pelo mundo afora, pretendendo ensinar a falar. Ter uma boa oratória é fundamental nos dias de hoje. Mas será que apenas saber falar é suficiente? Não estamos esquecendo o que vem antes? Não estamos esquecendo de aprender a ouvir? Não existem cursos de escutatória, é certo, mas aprender a ouvir corretamente é de suprema importância.

A postura humilde de quem ouve, de quem presta atenção nas palavras do outro, do que o outro diz ou não diz, é a postura do homem de bem. Ninguém se educa, ninguém cresce, se não aprende a escutar.

Alberto Caieiro dizia que não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma. Silêncio dentro da alma significa que os pensamentos devem emudecer de quando em vez. As ideias preconcebidas, a tal maneira como sempre pensei, devem calar um pouco, e considerar algo distinto, saborear o novo. Todos os grandes da Terra souberam ouvir, souberam se desprender de suas ideias e considerar novas, considerar o algo mais. Grandes escritores são antes grandes leitores. Sabem escutar outros livros, antes de recitar os seus próprios. Que possamos aprender a ouvir mais, a respeitar mais a opinião do outro, e assim aprender com todos, independente se sabem mais ou menos do que nós. Exercitemos a tal escutatória e cultivemos o silêncio na alma, nos pensamentos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Fernando Pessoa rezava assim:

"Senhor, Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faz com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a Lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim."

Esta era a belíssima oração de Fernando Pessoa, num texto que deve ser de 1912. Rezar é ficar à escuta do que Deus no silêncio tem para nos dizer

Rezar é fazer a paz dentro de nós e lembrar o essencial e olhar para o Infinito e ver o Divino em todas as coisas e contemplar a Presença viva de Deus no mais íntimo de nós e no rosto de cada homem e mulher...

Excerto de uma publicação do Padre Anselmo Borges 💖

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Dar graças por tudo

O Apóstolo Paulo, com sua lucidez inconfundível, recomendou que devemos dar graças a Deus por tudo o que nos acontece, tanto pelas coisas boas como pelas que nos pareçam ruins. E era dessa forma que agia aquele homem. Dava graças por tudo.

Certa vez, numa de suas viagens, quando o avião sobrevoava o oceano, um dos motores falhou. O piloto realizou uma aterrisagem forçada nas águas. Todos os passageiros morreram e milagrosamente apenas ele conseguiu agarrar-se a algo que o manteve boiando, à deriva.

Depois de muito tempo, chegou a uma ilha não habitada. Cansado, agradeceu a Deus por tê-lo livrado da morte. Naquele lugar deserto, ele conseguiu se alimentar de peixes, ervas e até de alguns frutos. Com muito esforço, conseguiu derrubar umas árvores e construiu uma cabana. Não era bem uma casa, somente um abrigo tosco, com paus e folhas, que lhe conferia alguma proteção. Ele ficou satisfeito e, mais uma vez, agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez existissem na ilha. 

Um dia, depois de ter apanhado muitos peixes, agradeceu ao Criador pela comida abundante. No entanto, ao voltar para sua cabana, a descobriu em chamas. Desolado, sentou-se sobre uma pedra e, entre o pranto convulsivo, reclamou: Deus! Como é que o Senhor pôde deixar acontecer isso? O Senhor sabe que eu preciso muito da cabana para me abrigar. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?

Então, ele sentiu uma mão sobre seu ombro. Logo, uma voz lhe disse: Vamos, rapaz? Ele se virou, assustado. Para sua surpresa, ali estava um marinheiro sorridente, convidando-o: Vamos logo, rapaz, nós viemos buscá-lo.

Mas, como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui? - Falou o homem, surpreso.

Amigo, explicou o marinheiro, vimos os seus sinais de fumo pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir buscá-lo naquele barco que está ali adiante. Então, o homem foi para o navio, que o conduziu, são e salvo, de volta para os seus amados, o seu mundo, a sua vida. Em segurança, ele agradeceu uma vez mais a Deus e pediu perdão pela falta de confiança na Sua Providência e Misericórdia.

Assim acontece, por vezes, em nossas vidas. Alguns acontecimentos nos surpreendem e nem sempre conseguimos ter a dimensão dos seus benefícios. Um transtorno que nos impeça de chegar a um determinado lugar, no tempo que havíamos estabelecido, pode nos evitar alguma tragédia. O não alcançarmos êxito, hoje, num concurso, pode nos entristecer, porque víamos ali a oportunidade de crescimento profissional. Porém, quase sempre, pouco depois, uma nova e melhor chance se apresenta. Aprendamos, assim, a dar graças por tudo: pelo positivo e pelo aparentemente negativo. E, se for mesmo algo que nos magoe, entristeça, fira, ainda assim, pensemos que a experiência nos poderá auxiliar a crescer, a aprender. Dessa maneira, em tudo demos graças a Deus, nosso Pai.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Pensamento do dia

"Imaginai uma família a discutir: o pai, a mãe, os filhos... Que espectáculo, que cacofonia! De repente, bate à porta um amigo que todos estimam e respeitam. É uma surpresa, ninguém o esperava. Todos se esforçam logo por estar à altura da situação. «Oh! Estamos muito contentes por te ver! Senta-te! Como tens passado? Queres tomar alguma coisa?»... E até se olham com simpatia, para que o amigo não se aperceba de que estavam em plena tragédia. Já vivestes esta experiência algumas vezes, não? Nesse caso, porque não tirais daí conclusões para a vossa vida interior?

Quando eclodirem em vós discussões, tumultos, revoluções, se vos puserdes a orar com muito ardor, podereis verificar que, de repente, tudo se apazigua e recuperais a calma e a alegria. Porquê? Porque, interiormente, veio até vós um amigo e, na sua presença, todos os outros habitantes do vosso foro íntimo, receando mostrar-se grosseiros, se calaram. E se orardes a este amigo com mais assiduidade e fervor, para que ele nunca mais vá embora, para que fique convosco para sempre, se instale no centro de vós e não mais vos deixe, então a paz e a luz reinarão eternamente em vós."

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O sonho de Karina

Desde pequena, Karina só tinha uma paixão: dançar e ser uma das principais bailarinas do Ballet Bolshoi. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade. Tudo era deixado de lado pelo objetivo de se tornar bailarina do Bolshoi. Um dia, Karina teve sua grande chance. Conseguiu uma audiência com o diretor master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia. Nesse dia, ela dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo o que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único passo. Ao final, aproximou-se do renomado diretor e lhe perguntou: Então, o senhor acha que posso me tornar uma grande bailarina?

Na longa viagem de volta à sua aldeia, Karina, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele não deixaria de soar em sua mente. Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha, ou fazer seu alongamento em frente ao espelho. Dez anos mais tarde, Karina, uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir à performance anual do Bolshoi, em sua região. Sentou-se bem à frente e notou que o senhor Davidovitch ainda era o diretor master. Após o concerto, aproximou-se dele e contou-lhe o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto lhe doera, anos atrás, ter ouvido dele que ela não seria capaz disso. Mas, minha filha... – disse o diretor – eu digo isso a todas as aspirantes.

Com o coração ainda aos saltos, Karina não pôde conter a revolta e a surpresa dizendo: Como o senhor pôde cometer uma injustiça dessas? Eu poderia ter sido uma grande bailarina se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou!

Havia solidariedade e compreensão na voz do diretor, mas ele não hesitou ao responder: Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se foi capaz de abandonar o seu sonho pela opinião de outra pessoa.


Quando estabelecemos metas específicas é muito maior a nossa chance de conquistarmos nossos sonhos. Dedicação e empenho também são requisitos indispensáveis nessa dura jornada. No entanto, mais importante do que tudo é acreditarmos, efetivamente, na própria capacidade de alcançarmos os objetivos propostos. Muitos serão aqueles que, pelas mais variadas razões, colocarão obstáculos em nossa caminhada. Alguns dirão que nosso sonho é um grande disparate. Ou, ainda, que se trata de muito esforço à toa. Outros falarão que não somos capazes de alcançá-lo e que deveríamos optar por objetivos mais fáceis. E assim, muitos desistem da luta, por medo, por preguiça. Ou porque acreditaram nas previsões negativas dos outros. No entanto, nossos sonhos continuarão lá, dentro de nossos corações e diante de nossos olhares.

Mesmo que deixemos de nos esforçar para ir ao encontro deles, eles permanecerão fazendo parte de nós, como uma tarefa não cumprida. Projetos nobres e ideais justos não devem ser abandonados nunca. Convictos de sua importância perante a vida, esforcemo-nos para alcançá-los, não importando quantas tentativas sejam necessárias para isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Pensamento do dia

"Imaginai uma esfera e que está um homem no seu interior e outro no exterior. Evidentemente, o que está no interior vê-a côncava e para o que está no exterior ela é convexa. Os dois discutem, brigam, e é impossível fazê-los chegar a acordo. 

Agora, interpretemos. Aquele que está dentro da esfera é o religioso, que observa a vida a partir do interior, subjetivamente, isto é, pelo coração, pelo sentimento. O que está no exterior é o cientista, que estuda tudo de fora, objetivamente, pelo intelecto. Assim prossegue uma luta secular entre a religião e a ciência. Quem tem a verdade? Ambas, mas cada uma em cinquenta por cento.

Por isso, chega um terceiro observador, que diz: «A esfera é, simultaneamente, côncava e convexa.» Os outros dois ficam zangados e chamam-lhe insensato. Todavia, ele é um sábio que contempla a verdade completa. Este sábio é a intuição, que tem a capacidade de reunir o pensamento e o sentimento, para ver as coisas simultaneamente do interior e do exterior. Sim, para se conhecer a verdadeira realidade das coisas, é preciso conseguir, ao mesmo tempo, ser subjetivo e objetivo, situar-se no interior e no exterior."

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

A faixa preta

O dia, tão esperado, afinal chegara. O disciplinado aluno de artes marciais preparou-se para receber a faixa preta. Contudo, antes de recebê-la das mãos do seu mestre, lhe foi dito que precisaria passar por um derradeiro teste. Deveria responder a uma pergunta: Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?

O jovem respondeu, de imediato, com uma pontinha de orgulho. Afinal, ele se esforçara para chegar a esse ponto. Ela representa o fim de minha jornada. Será uma recompensa merecida por meu bom trabalho. Logo percebeu que a sua resposta não satisfizera ao seu professor. O silêncio constrangedor foi interrompido pela sentença: Você não está pronto para receber a faixa preta. Volte dentro de um ano.

Desapontado, o aluno se foi. Ansioso, um ano depois, tornou a se apresentar, com a certeza de que, agora, lhe seria entregue a tão desejada faixa preta. Como da vez anterior, lhe foi feita a pergunta: Qual é o verdadeiro significado da faixa preta? 

Ele se preparara para isso e respondeu, com convicção: É o símbolo da excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte. O silêncio disse ao jovem que, novamente, a sua resposta não fora satisfatória. Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano. – Foi o que ouviu.

Pela terceira vez, passado o tempo exigido, chegou ele diante do seu mestre. Para a indagação habitual, respondeu, respirando fundo: A faixa preta representa o começo. É o início de uma jornada sem fim de disciplina, trabalho e busca por um padrão cada vez mais alto.

Com um sorriso, o mestre lhe entregou a faixa. Agora, lhe foi dito, ele estava pronto para recebê-la e iniciar o seu trabalho.


Todos nos encontramos a caminho. A caminho do progresso, da elevação moral, do crescimento intelectual. Alguns percorremos um longo caminho. Outros, nos encontramos apenas nos primeiros quilômetros da grande jornada. De toda forma, olhando para trás, vemos o quanto realizamos, o quanto vencemos. Atravessamos vales extensos, rios de correnteza inclemente, desfiladeiros traiçoeiros, pântanos sombrios. Enquanto estávamos na tribulação, na dificuldade, talvez, mais de uma vez, tudo tenha parecido impossível de ser alcançado ou superado.

É possível que tenhamos pensado, em algum momento, que seríamos derrotados. E desejamos abandonar a luta.

Entretanto, nessa retrospectiva da vida, também lembramos de termos andado pelos campos floridos da amizade, pelas praias de areia branca do apoio de familiares. Lembramos dos que se transformaram em árvores frondosas oferecendo-nos sombra e abrigo. Tudo parece distante. Algumas paisagens nos enchem de saudade. Outras nos sinalizam a nossa força, a nossa determinação. Continuamos a caminho. A jornada somente finda no último passo. Olhamos para frente e cenários novos se apresentam. O que nos reservarão as curvas da estrada?

Dores esperam por nós. Apoio, conquistas, alegrias também. Vencemos tantos quilômetros. Haveremos de vencer todos os demais que nos estão estabelecidos a percorrer, nesta vida. Sigamos. Em frente.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Razão e sensibilidade

Oito da noite, numa grande e movimentada capital. O casal está atrasado para jantar na casa de alguns amigos. O endereço é novo, assim como o caminho, que ela conferiu antes de sair. Ele dirige o carro. Ela sugere que use o GPS ou o WAZE.

Ele diz que não precisa. Conhece a cidade, tem senso de direção. Tem certeza da rota a seguir. Ela ainda insiste mas, percebendo que poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita aqui, à esquerda ali, faz um retorno e se dá conta: está perdido.

Embora com certa dificuldade, admite que não conhece as ruas daquele bairro. E agora estão ainda mais atrasados. Ela sorri e diz que não há problema algum. Os amigos haverão de entender. Mas ele quer saber por que se ela tinha tanta certeza de que estava errado, não insistiu um pouco mais. E ela diz: Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite.

Certamente, uma sábia decisão. Muitas vezes, perdemos oportunidades de viver momentos felizes porque queremos provar que estamos com a razão. Ou, pensamos estar. Não defendemos a omissão ou o não uso da razão, mas tão somente o uso da razão com sensibilidade. Quantas amizades destruímos por causa de uma obstinação em defender um ponto de vista?

Quanto tempo perdemos na elaboração de argumentos para convencer alguém de que temos razão?

Será que vale a pena essa maneira de ser?

É de nos perguntarmos se nos cabe perder a paz na tentativa de provar que estamos certos. Mais sábio seria se preferíssemos a harmonia, em vez de brigar por pequenas questões irrelevantes. É evidente que há momentos em que devemos defender nossa posição, e bom será se o fizermos, sem nos perturbarmos, no entanto. É importante considerar que para discordar não precisamos nos desentender. Podemos não concordar com alguém e, ainda assim, preservar a amizade e o respeito por ele. Dessa forma, antes de agir, pensemos:

Será que vale a pena perder a calma para defender esse ponto de vista?

Será este o momento certo para expor nossa opinião?

Será este o momento de impor nossas razões?

Prestemos mais atenção em nossas palavras e optemos por ser felizes, por ter paz, em vez de ter razão. Utilizemos os nossos esforços em prol da harmonia comum. A nossa paz íntima é um patrimônio que ninguém pode nos furtar, a menos que permitamos.

Jesus, o Mestre por excelência, tinha razão sempre, mas jamais tentou impô-la a quem quer que seja. Convidava: Vinde a mim, vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Um convite para quem quisesse. Quando quisesse. Também disse: Quem quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz, renuncie a si mesmo e siga-me. Simplesmente assim: quem quiser. E ninguém mais do que Ele sabia que o que propunha era o melhor para toda a Humanidade. Também sabia que cada um de nós tem seu próprio tempo, seu momento de adesão.

Aprendamos com Ele, nosso Modelo e Guia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Facetas do amor

De todos os sentimentos, o amor tem sido, ao longo do tempo, aquele com o qual o homem mais tem se envolvido. Também aquele a respeito do qual tem mais se equivocado sobre seu real significado. Os gregos tinham diversas palavras para definir o amor. 

Eros, por exemplo, expressava o sentimento de atração sexual e desejo ardente.

Para designar a afeição, sobretudo entre os familiares, serviam-se do vocábulo storgé.

Para o amor condicional, aquele do tipo Eu faço o bem a você e você faz o bem a mim, eles se serviam da palavra philos.

Para designar o amor incondicional, aquele que nada pede em troca, utilizavam ágape. Mais do que exatamente um sentimento, tem a ver com comportamento, com ações. Foi aquele que lecionou Jesus. Profundo conhecedor da alma humana, tinha ciência plena de que não se podia ordenar a outrem que tivesse determinado sentimento. Assim, se torna perfeitamente coerente o amor a si mesmo e ao próximo.

Amar a si mesmo é respeitar o próprio corpo, zelando por ele, não dilapidando o patrimônio da saúde. É ter o cuidado de não lhe impor alimentos em excesso a fim de não o sobrecarregar, tanto quanto não ingerir o que lhe faça mal. É zelar pela própria condição espiritual, alimentando a mente com elementos positivos para o seu crescimento. Como consequência natural, zelar pela saúde do próximo, o que desce a detalhes pequenos como manter a limpeza da cidade, preservar o meio ambiente, não desperdiçar água. Manter o automóvel em condições adequadas, a fim de que não se torne veículo poluente do ar que todos necessitamos respirar. Dirigi-lo com cuidado, para não ser causador de acidentes que destroem vidas. Quanto ao amor aos inimigos, dos mais simples casos aos mais complexos, a recomendação é não retribuir em moeda maldosa.


O ágape é paciente, bom, não é arrogante, não deseja tudo para si. Tudo suporta, tudo aguenta. Esse amor não se vangloria, não se comporta de forma inconveniente, a ninguém condena por um erro cometido. Traduz-se, enfim, por paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, confiança. Em se falando de amor aos inimigos, entendemos que Jesus lecionava que, para as pessoas ruins, as nossas ações devem ser no sentido de não lhes retribuir o mal que nos façam. Mais: de não nos sentirmos felizes, quando a desgraça os atinge, pensando que esse momento seja o de tripudiar sobre a infelicidade alheia.

Mesmo para quem nos puxa o tapete, quem nos rouba a namorada, o cargo, a nossa ação deve se dar no sentido de não agir da mesma forma. Viver é um grande desafio. Conviver com os demais, auxiliarmo-nos mutuamente, colaborar e crescer juntos requer exatamente esse amor prescrito por Jesus. 

Esse amor-ação, amor-comportamento. Se não agirmos assim, estaremos fadados à infelicidade, à dificuldade de progresso, a muitos fracassos e à destruição de nós mesmos. Aprendamos, pois, amar a nós mesmos, ao nosso próximo, a quem não nos quer bem, a quem nos faz mal.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

hoje...

Hoje sinto falta da melodia monótona que segredavas ao rezar. A repetição pausada, quase adormecida, de palavras quase mortas de cansaço, quase desfeitas.

Sinto falta da sonolência que nos chegava com o fim do terço, e mais falta ainda da paz com que deixávamos as nossas cabeças repousar após a oração. Uma espécie de auto-perdão, ou de esquecimento justo dos pecados após a penitência


Sinto falta de mim ao lado da ladainha que dizias ao fim do dia.

Sinto falta de ser essa criança que aceitava, serena, o que não entendia.


Hoje, que penso entender tanta coisa, entendo mais que nunca que sinto falta de mim nas tuas orações sofridas, minha avó.


Sinto falta da fé sem questionamentos nem conhecimentos. Sinto medo. Sinto a escuridão de quem não sabe acender uma vela e rezar pelas alminhas de outro mundo.

Sinto medo de chorar, sinto medo de falhar, sinto medo de rezar e sinto medo até de ser feliz demais... Tudo porque nunca mais senti essa paz antes de dormir.

Sinto falta de ti, de nós, aqui nesta espécie de oração inacabada, teclada sem a nossa voz, sem a nossa fé, sem a luz da lamparina que iluminava o nosso quarto...

Apenas um desabafo de saudade angustiada.

Uma lágrima na noite, Um grito de nada.

Ana Homem de Albergaria

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Iniciando um Novo Ano

Toda vez que o ano vai chegando ao fim, parece que todos vamos manifestando maior cansaço. Seja porque as festas se multipliquem (são formaturas, casamentos, jantares de empresas), seja porque já nos vamos preparando para as próximas viagens de férias. De uma forma ou de outra, é comum se ouvir as pessoas desabafarem dizendo que desejam mesmo que acabe logo o ano. 

Quem muito sofreu, deseja que ele acabe e aguarda dias novos, de menos dores. Quem perdeu amores, deseja que ele acabe de vez, na ânsia de que os dias que virão consigam trazer esperanças ao coração esfacelado pelas ausências. Quem está concluindo algum curso e deu o máximo de si, deseja que os meses que se anunciam cheguem logo, para descansar de tanto esforço.

E assim vai. Cada um vai pensando no ano que se finda no sentido de deixar algo para trás. Algo que não foi muito bom. Naturalmente, muitos são os que veem findar os dias do ano com contentamento, pois eles lhe foram propícios. Esses, almejam que os dias futuros repitam esses valores de alegria, de afeto, de coisas positivas.

Ano velho, Ano Novo. São convenções marcadas pelo calendário humano, em função dos movimentos do planeta em torno do astro rei. Contudo, psicologicamente, também nos remetem, sim, a um estado diferente. Como Deus nada faz, em Sua sabedoria, sem uma finalidade útil, também assim é com a questão do tempo como o convencionamos. Cada dia é um novo dia. A noite nos fala de repouso. A madrugada nos anuncia oportunidade renovada. Cada ano que finda nos convida a deixarmos para trás tudo de negativo, desagradável que já vivenciamos, permitindo-nos projetar planos para o futuro próximo. Por tudo isso e por esta dinâmica a Divindade nos permite, a cada trezentos e sessenta e cinco dias, nesta Terra, você pense que pode melhorar a sua vida no ano que se anuncia.

Comece por retirar de sua casa tudo que a atravanca. Liberte-se daquelas coisas que guarda nos armários, na garagem, no fundo do quintal e já não tem uso. Coisas que estão ali há muito tempo, que você guarda para usar um dia. Um dia que talvez nunca chegue. Pense há quanto tempo elas estão ali: meses, anos... esperando. São roupas, calçados, livros, discos antigos, utensílios que não usa há anos. Liberte armários, espaços. Coisas antigas, superadas, são muito úteis em museus, para preservação da memória, da evolução da nossa História. Doe o que possa e a quem seja mais útil. Sinta o espaço vazio, sinta-se mais leve. 

Depois, pense em quanta coisa inútil guarda em seu coração, em sua mente. Mágoas vividas, calúnias recebidas, mentiras que lhe roubaram a paz, traições que o deixaram doente, punhais amigos que lhe rasgaram as carnes da alma...

Desapegue tudo isso de si. Mentalmente, coloque tudo em um grande invólucro e imagine-se jogando nas águas correntes de um rio caudaloso que as levará para além, para o mar do esquecimento. Deseje para si mesmo um Ano Novo diferente. E comece leve, sem essa carga pesada, que lhe destrói as possibilidades de felicidade. Comece o Novo Ano olhando para frente, para o Alto. Estabeleça metas de felicidade e conquistas. Você é filho de Deus e herdeiro do Seu amor, credor de felicidade. Conquiste-a. Abandone as dores desnecessárias, pense no bem. Mentalize as pessoas que são amigas, que o amam, lhe querem bem. Programe-se para estar mais com elas, a fim de, fortalecido, alcançar objetivos nobres. Comece o ano pensando em como pode influenciar pessoas, ambientes, com sua ação positiva. Programe-se para vencer. Programe-se para fazer ouvidos moucos aos que o desejam infelicitar e avance. Programe-se para ser feliz. O dia surge. É Ano Novo. Siga para a luz, certo de que com vontade firme, desejo de acertar, Jesus abençoará as suas disposições.

É Ano Novo. Pense novo. Pense grande. Seja feliz.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Oração para o final do Ano

 Peça a Deus que os homens encontrem os seus passos perdidos.

E que os sonhos despertem esses olhos dormidos. 

Que o amor transborde e que vivamos em paz.

Que os dias terminem com os braços cansados.

Que a dor não me assombre, nem me cause desespero. 

Peça a Deus.

Peça a Deus que nos mande do céu muita sabedoria, um amor verdadeiro.

Que ninguém passe fome.

Um abraço de irmão e que vivamos em paz.

Que terminem as guerras e também a pobreza.

Encontrar alegrias entre tanta tristeza.

Que a luz ilumine as almas perdidas e um futuro melhor.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Nasce Jesus

Filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, dos Céus, nasceu o Filho do Homem.

Sua mãe, Maria, O envolveu em panos singelos e O colocou numa manjedoura. A abóboda celeste plenificou-se de estrelas e os mensageiros celestes cantaram: Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens.

Na simplicidade da estrebaria de Belém nasceu Jesus.  Nasceu pobre, no seio de um povo cativo. Homenageado por uma conta infinita de estrelas, o Universo e a eternidade lhe embalaram o sono. Cresceu na Galileia, numa cidade considerada das menores e de importância alguma. Aguardou que o tempo se fizesse para o início do Seu Messianato.

O Embaixador do Amor nasceu e viveu entre os pobres, entre os desprezados, os humilhados. Estendeu Sua mão àqueles que a sociedade tornava invisíveis: leprosos, deficientes, famintos, viúvas, órfãos. Pelas estradas que percorreu, cruzou o caminho de todos os homens. Chegou a corações longínquos e a almas distantes, aproximando-as do Pai. Peregrinou pela Galileia, Judeia, Pereia, chegando às cidades de Tiro e Sidon. 

Não entrou para a História. Ele a dividiu: antes d´Ele, depois d´Ele.

E, para tal, apenas amou e nos ensinou a amar. Não tomou de espadas, não esteve à frente de exércitos, não liderou batalhas, não destronou reis, não conquistou impérios, não ostentou coroas e cetros. Meu reino não é deste mundo, afirmou. Dois mil anos se passaram desde o Seu nascimento. É Natal, é data festiva.

Cerremos os olhos e pensemos n´Ele. Pensemos no Cristo Jesus e lhe façamos a nossa rogativa: Nasce Yeshua e transforma os nossos corações em manjedouras verdadeiras para Te acolhermos, neste dia e sempre, em Tua paz, em Tua luz.

Nasce Yeshua em nossas imperfeições e pensamentos, em nossas mazelas morais, nas chagas de nossas almas, nos recônditos mais profundos de nossas emoções e sentimentos.

Nasce Yeshua em nosso egoísmo e nos faz enxergar os Teus pobres, os Teus solitários, os Teus abandonados, como nossos irmãos.

Que a Teu exemplo, lhes estendamos braços de socorro, colo de proteção, palavras de consolo, mãos de doação.

Nasce Yeshua em nosso orgulho, quando marginalizamos o perdão, quando esquecemos a prece reparadora, quando não nos comprometemos com a verdade consoladora, por não nos lembrarmos da gratidão.

Nasce Yeshua nos orfanatos e asilos, nos sanatórios, nas casas de recuperação, nos hospitais. Nasce entre os que sofrem preconceito, entre as religiões, em todos os países, tribos, entre orientais e ocidentais. Entre os encarcerados, ó Mestre, nasce também. Um novo horizonte lhes concede e que seja todo luz, todo recomeço, todo oportunidades, todo bem.

Nasce Yeshua. Desperta-nos para o facto de que todo acto tem consequências, de que a Lei de Deus reside na consciência e de que é percorrendo a estrada da eternidade que chegaremos à almejada felicidade.


O Natal, verdadeiro Natal, ocorre quando o Mestre da paz nasce na manjedoura de nossos corações e faz morada na intimidade de nossas almas.

domingo, 21 de novembro de 2021

Evangelho (Jo 18,33-37)

Naquele tempo, Pilatos entrou, de volta, no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu: «Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isso de mim?». Pilatos respondeu: «Acaso sou eu judeu? Teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não é daqui». Pilatos disse: «Então, tu és rei?». Jesus respondeu: «Tu dizes que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Santo do dia - São Lucas

Estamos em festa na liturgia da Igreja, pois lembramos a vida e o testemunho do evangelista São Lucas. São Lucas foi um dos quatro evangelistas. É o autor do terceiro evangelho  e do livro dos Atos dos Apóstolos. Seus textos são os de maior expressão literária do Novo Testamento. Seu dia é comemorado em 18 de outubro. São Lucas nasceu na Antioquia, na Síria, situada próxima à costa do Mediterrâneo, hoje o sudeste da Turquia, no século I da Era Cristã. Por seus escritos acredita-se que pertencia a uma família culta e abastada. De acordo com a tradição, Lucas tinha talento para a pintura e exercia a profissão de médico. São Lucas foi introduzido na fé por volta de 40 anos. As primeiras referências a São Lucas constam das epístolas de São Paulo, nas quais ele é chamado de “colaborador” e de “o médico amado” (Cl 4,14).  

Lucas não conheceu Jesus pessoalmente. Ele conheceu o Senhor através dos apóstolos. Ele foi discípulo dos apóstolos de Jerusalém e depois foi discípulo de São Paulo. São Lucas, cujo nome significa “portador de Luz”, é padroeiro dos médicos e dos pintores. São Lucas é representado com um livro ou com um touro alado, pois inicia o Evangelho falando do templo onde eram imolados os bois. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excecional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o “bom” ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do século VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no século IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria: o seu retrato moral, a bondade da sua alma. O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração. Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, “médico queridíssimo”. Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que “Lucas é o único companheiro” na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado. O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: “Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz”. É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): “Saúda-vos Lucas, nosso querido médico”.

São Lucas, rogai por nós!


“Ó Deus, que escolhestes São Lucas para revelar em suas palavras e escritos o mistério do vosso amor para com os pobres, concedei aos que já se gloriam do vosso nome perseverar num só coração e numa só alma, e a todos os povos do mundo ver a vossa salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.