RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Leão XIV e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa León XIV y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Leo XIV and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Evangelho (Jo 13,16-20)

«Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que seu senhor, e o enviado não é maior do que aquele que o enviou. Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática. Eu não falo de todos vós. Eu conheço aqueles que escolhi. Mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar’. Desde já, antes que aconteça, eu vo-lo digo, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou».


Nesta parábola Jesus fala da importância da presença da humildade no caráter de todo o estudante perante o objeto de seu estudo. Fala da importância de cada um se manter centrado em seu próprio ser, afim de que possa dessa forma aceder a um maior e mais profundo conhecimento de si mesmo, de tudo que o rodeia e assim possa cultivar harmonia e ser um promotor de paz e de concórdia onde se encontrar. 

Fala que esse posicionamento na vida é sempre uma opção de cada um, que haverá muitos que não escolherão esse caminho porque Deus não é intromissão, não obriga a ninguém, muito pelo contrario a todos convida.

Assim sempre haverá em cada um de nós a escolha de seguir um caminho que nos conduzirá à felicidade pela observação das leis Divinas, ou inversamente um caminho que nos conduzirá à infelicidade pelo incumprimento das referidas leis.

Profeticamente afirma que serão muitas as pessoas que o negarão antes de o conhecer de forma mais intima, antes de sua filosofia amorosa fazer sentido em suas vidas. Eis a importância da prática da tolerância mesmo sobre aqueles que nos fazem mal, porque ainda serão entre eles muitos os que se arrependerão. 

Assim, todos aqueles que persistirem humildes e corajosos, acabarão saciados se persistirem em seus benevolentes esforços. Fala ainda que a luz desta comunhão é de origem Divina e aqueles que a ela se filiarem, em nome de Yeshua jamais estarão sós em suas demandas, jamais serão esquecidos no reino da espiritualidade eternamente. 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Pensamentos do dia

"Muitas religiões apresentaram o Senhor como um ser implacável, vingativo, invejoso, que vê tudo, castiga por tudo e não perdoa. Na realidade, não é assim, o Senhor não nos castiga, nem sequer quer ver as nossas faltas. Mas Ele fez o mundo assente em leis e, se não as respeitarmos, são elas que nos castigam, não Ele; o Senhor não tem tempo para se ocupar disso. Ele é todo-amor, vive completamente no esplendor.

Suponhamos que fizestes uma asneira: sentis-vos perturbados e orais; por intermédio dessa prece, sentis que escapais aos vossos tormentos, que vos elevais e chegais ao Trono de Deus. Mesmo que estejais cheios de pó e esfarrapados, Ele diz-vos: «Entrai, sede bem-vindos!» e ordena que vos lavem e vos vistam, convida-vos para o seu banquete e vós ficais felizes e em paz. Mas essa felicidade e essa paz não duram. Quando descerdes (porque, evidentemente, sois obrigados a descer, não podeis manter-vos muito tempo lá em cima), os tormentos recomeçam... E continuarão até compreenderdes que deveis corrigir os vossos erros, reparar o mal que fizestes. Não é o Senhor que vem punir-vos, Ele tem muito mais que fazer!"

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Pensamento do dia

"Jesus dizia: «Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai, que está lá no lugar secreto.» Como deve ser entendido este lugar secreto?... Quando o discípulo consegue criar em si o silêncio e a paz, quando ele tem necessidade de exprimir ao Senhor o seu amor por Ele e quer comunicar com Ele, está, desde logo, no seu lugar secreto. Perguntais-me onde é esse lugar... Pode ser no coração, no cérebro, na alma... Na realidade, é um estado de consciência ao qual o homem consegue elevar-se.

Estais a meditar, por exemplo, sobre verdades que ainda não conseguis apreender e, passado algum tempo, faz-se luz: vós compreendeis. O que se passou? De onde vos veio essa compreensão? O espírito possuía-a, mas era um domínio que a vossa consciência ainda não tinha conseguido atingir. Portanto, é este o sentido das palavras de Jesus: pela prece, pela meditação, o homem deve entrar no seu lugar secreto, para aí receber revelações."

domingo, 1 de maio de 2022

Um Projeto arrojado

Quantas vezes imaginamos criar algum projeto arrojado, marcante?

Quantas vezes, participando da nossa comunidade religiosa, a descobrimos pequena, com tão poucos membros e cogitamos que, de forma alguma, podemos pensar em algo que possa vir a fazer a diferença na localidade em que vivemos. Menos ainda, em termos mais abrangentes, no Estado, no país, no mundo. Pensamos que não pode ser nada dispendioso, porque nem todos poderiam participar. Mas, naquele templo, numa reunião, em que fervilharam ideias, a pequena assembleia criou o Projeto de orações para as viaturas de Polícia e do Corpo de Bombeiros.

O objetivo era pedir proteção para esses servidores em todas as suas atividades. Para cada viatura, inclusive, seriam doados alguns bichinhos de peluche, para serem deixados nas malas dos automóveis e dados às crianças que fossem socorridas em acidentes. Doutora Lilian era um dos membros e, diante da lista pendurada no quadro de avisos, ela escolheu a viatura de número 211.

Não sabia quem seriam os policias, nem qual área patrulhavam. Mas, levou o Projeto muito a sério. De modo geral, orava à noite. Pensava que a combinação de trânsito, escuridão, especialmente em dias chuvosos, seria o momento em que os policias deveriam ter mais proteção. No entanto, por vezes, durante o dia, o número 211 surgia em sua mente. Ela deixava, por alguns minutos, o que estava fazendo, e orava.

Certo dia, coincidiu que, indo para a casa de amigos, a viatura 211 passou por ela. Minha viatura! – Exclamou.

A partir de então, passou a orar com mais fervor, sentindo-se conectada àqueles servidores. Semanas depois, doutora Lilian se deu conta de como devia ainda mais intensificar suas preces em favor deles, acrescentando gratidão. Foi exatamente a viatura 211 que atendeu ao acidente que envolveu sua filha, quando ocorreu um problema na roda direita dianteira do carro, que o fez mergulhar no riacho. Por algo que ela considera um verdadeiro milagre, a filha escapou com leves ferimentos.

Já imaginamos algo semelhante? Adotarmos, anonimamente, uma Corporação, para lhe enviarmos preces, todos os dias? Quantas vezes pensamos nos perigos a que se expõem policias e bombeiros, em suas missões de resgates e atendimentos cotidianos? Quando explodiu a pandemia, muitos passamos a orar pelos médicos, enfermeiros, atendentes dos hospitais, porque reconhecemos o esforço e a dedicação deles. Também entendemos que precisavam de vibrações positivas para se manterem dispostos no bom trabalho.

Pensando em tantos que nos servem, no serviço público, de lixeiros, faxineiros, serventes, a agentes de saúde, seguranças, a ocupantes de altos cargos, seria oportuno que abraçássemos um projeto semelhante ao dessa pequena comunidade. Para uns, a prece lhes será fortalecimento das energias físicas. Para outros, vibrações para decisões acertadas, despojadas de interesse pessoal.

Oremos. Longe estamos de entender o grande alcance das rogativas, em nome do amor. Prece é luz, é energia. É bênção do Alto alcançando os filhos de Deus na Terra.

domingo, 24 de abril de 2022

Pensamento de domingo 24 de Abril de 2022

"Falai aos humanos numa política inspirada pela generosidade, pelo desapego, e muito poucos vos seguirão. Mas falai-lhes da possibilidade de esmagarem os outros, para se apoderarem do seu lugar ou das suas riquezas, e tereis uma multidão atrás de vós. Por isso – desculpai que vos diga! –, os humanos ainda precisam de sofrer, não há outra explicação. Um dia, por causa desses sofrimentos, talvez venham a compreender o que devem procurar.

Direis que estou a ser cruel... Não! Sinto-me infeliz por ter de o dizer, mas os humanos precisam de sofrer para compreenderem. A prova é que, quando se lhes apresenta um enviado do Céu que pode esclarecê-los e ajudá-los, eles não o escutam. Não só não o escutam, como ainda o prendem, o queimam ou o crucificam. Mas, quando se trata de um monstro que vai fazê-los sofrer, acolhem-no e aclamam-no, levam-no ao poder, são eles mesmos que lhe dão todas as possibilidades de os destruir. Como podeis ver, os humanos precisam de sofrer para, finalmente, compreenderem quem devem escutar e seguir."

quinta-feira, 21 de abril de 2022

O primeiro culto cristão no lar

A noite era de estrelas e luar. Na Terra, uma vez mais, o Mestre escolhia residência humilde para trazer lição inesquecível. Dessa vez, não era a estalagem singela onde poucos animais puderam ouvir o canto de gratidão de uma mãe e de um pai. Nessa noite, era a casa de um pescador, aquele que atendera, prontamente, ao Seu convite: Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens. A casa de Simão Pedro jamais seria a mesma...

Como se desejasse imprimir novo rumo às conversas, que estavam improdutivas e nada edificantes, Jesus expôs com bondade: O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? 

Se não nos habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o eterno Pai que nos parece distante?

Jesus passeou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou: Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento?

O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, nos envia a luz através do céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais. 

Naquele instante, Jesus propunha, com muita naturalidade, a prática da reflexão dos textos sagrados dentro do lar. Lembrando que à época não havia livros; as leituras dos textos da Torá eram realizadas nas sinagogas e ainda, apenas os homens tinham acesso ao conteúdo da chamada lei e os profetas. Quando Jesus propõe essa prática doméstica, Ele altera esse panorama. Jesus propunha uma conversa regular, dentro de casa, sobre os textos da lei, o que muitos conhecemos como Evangelho no lar, no qual nos servimos das lições do próprio Cristo para enriquecer as conversações. Jesus não lhe deu nome. Não o rotulou. Propôs, apenas, que fosse um momento em família, em que todos, na casa, pudessem ter voz, pudessem expor suas ideias e também pudessem ouvir. Em todos os cultos realizados na casa de Pedro, o Mestre demonstrou o quanto sabia escutar, mesmo sendo Ele o Caminho, a Verdade e a Vida. Sigamos mais esse exemplo. Guardemos um momento semanal na rotina de nosso lar para a oração e breve leitura de texto do livro da vida. Depois, permitamos que todos, crianças, jovens e adultos, se manifestem, dizendo de como aqueles ditos lhes falam ao coração. Perceberemos o quanto de doçura e de entendimento existe nos corações dos que nos compõem o lar. E, mais do que tudo, verificaremos os benefícios que esse encontro semanal trará ao nosso lar.

A paz no mundo começa com a paz no lar.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Mergulhados no Hálito Divino

Um Espírito de luz, certa feita, escreveu que nos encontramos mergulhados no Hálito Divino. Isso nos fala não somente e de forma primordial do amor de um Pai Celeste e bom, quanto nos interliga a todos os seres viventes. Enquanto organismos vivos, tudo que fazemos tem, no mundo, uma consequência. Lemos que o bater das asas de uma borboleta na África pode causar chuvas no Paraguai. O importante não é realmente onde está a borboleta ou onde vai chover, mas o fato de que o minúsculo deslocamento de ar causado pelo bater de suas asas pode causar efeitos na atmosfera, turbulentos o suficiente para serem sentidos a milhares de quilômetros de distância. A atmosfera não reconhece fronteiras. 

Aqueles que assistimos ao primeiro episódio do filme A era do gelo, com certeza, nos lembramos do simpático esquilo, que é uma figura paralela à trama principal. Ele tem sua própria história, seu próprio interesse, que é acumular avelãs. É justamente ele que dá um exemplo surpreendente de como a ação de um único indivíduo pode repercutir na vida dos demais. Mesmo que isso possa parecer improvável, em um primeiro momento. Quando ele tenta enterrar a avelã, no solo gelado, provoca uma fissura que se alastra, sobe a encosta de uma montanha e termina por dividi-la ao meio. O resultado é o deslocamento de imensas massas de gelo, que quase esmagam o frágil esquilo, quanto modificam totalmente a paisagem. A cena leva ao riso, naturalmente. 

Contudo, se pensarmos, descobriremos uma mensagem na imagem: a repercussão dos nossos atos, a dimensão das nossas responsabilidades em tudo que fazemos. Também em tudo que pensamos. Vivemos num mundo em que vibramos constantemente. Nossa produção de pensamentos é inimaginável. E todos colaboramos para a formação da atmosfera em que nos movemos, a atmosfera espiritual. Em nosso mundo particular, alcançamos os que nos rodeiam no lar, na escola, no escritório. Nossa ação vibratória se alonga para a rua em que moramos, o bairro, a cidade. Alcançamos o mundo. Nossos pensamentos, gerados sem cessar, colaboram na formação da atmosfera espiritual de todo o planeta. É nesse ambiente que nos movemos, que nos alimentamos uns dos pensamentos dos outros. Por isso se diz que cada um de nós pode alimentar o estado de guerra mundial ou colaborar para a sua paz.

Quando assistimos a um noticiário e nos enchemos de raiva por algo que consideramos uma injustiça, estamos contribuindo para engrossar o tumulto que se apresenta em qualquer lugar. Se nossas emissões mentais forem de apaziguamento, de compreensão, a nossa colaboração será pela solução do incidente de forma pacífica. Gandhi libertou sua nação do jugo estrangeiro com ações pacíficas. Disse ele: Se um único homem atingir a plenitude do amor, neutralizará o ódio de milhões. Pensemos, portanto, como desejamos atuar no mundo. Como promotores do bem, do belo, do bom?

Comecemos agora. Pensemos no bem, no belo, no bom. Colaboremos para a paz, a ordem, o progresso, emitindo nossas vibrações nobres, nossos pensamentos de luz. Emitamos luz. Somos filhos da luz.


terça-feira, 29 de março de 2022

O sono da indiferença

Um dos relatos mais comoventes, quando se abordam as horas anteriores à prisão de Jesus, é a Sua solidão. Durante a ceia daquela quinta-feira, Ele fizera recomendações para o futuro e revelações do que aconteceria, logo mais. Seria de se esperar que os Apóstolos se mantivessem com olhos e ouvidos atentos, na sequência das horas. Saindo do local onde tivera lugar a comemoração pascal, Jesus se dirigiu para o Getsêmani, um jardim aos pés do Monte das Oliveiras. Calcula-se que tenha sido uma caminhada de uns dez minutos.


Acompanhado de Pedro, Tiago e João, adentrou-se para o monte povoado de árvores frondosas, que convidavam ao pensamento contemplativo. Tornou a frisar que aqueles eram os Seus últimos momentos na Terra. E lhes pediu: Orai e vigiai comigo, para que tenha a glorificação de Deus no supremo testemunho. Afastou-se, à pequena distância, mantendo-se em prece. Reconhecendo que, se assim Jesus os convidava, para aquela derradeira hora, é porque confiava neles, dispuseram-se à vigília. No entanto, logo adormeceram.

Foram despertados, pelo Mestre, que lhes perguntou por que não haviam permanecido em oração. E lhes narrou que fora visitado por um mensageiro do Pai, que O viera confortar para o sacrifício próximo. Apesar de mais essa extraordinária revelação, poucos segundos passados, os três tornaram a adormecer. Acordaram, finalmente, com os ruídos estranhos, a invasão dos soldados do templo, a prisão do Nazareno. Considerando a tristeza da flagelação, a sentença arbitrária, e morte na cruz, o Apóstolo João entrou a refletir maduramente sobre os acontecimentos do Getsêmani. Por que dormira, ele, que amava tanto a Jesus? Por que não pudera estar com Ele, naquela prece derradeira? Por que não conseguira atender ao pedido do Amigo?

O tempo passou sem que João conseguisse esquecer aquela falta de vigilância. Certa noite, numa atmosfera de sonho, em divino esplendor, Jesus o visitou e lhe falou das lições que deveriam ser extraídas daquele episódio. Disse da marcha solitária de quantos abraçam missões de amor. Sobretudo, falou a respeito do sono da indiferença, alertando para o Orar e vigiar.


Hoje, como naquele dia, muitos de nós cultivamos o sono da indiferença. Um terrível vírus se alastrou pela Terra, nos solicitando reformulação de atitudes, da maneira de viver. A pandemia nos exigiu mais respeito ao outro, à própria vida. Fomos convocados à vigilância, preservando-nos do contágio cruel. Vimos centenas de amores e amigos serem levados pela morte. Vimos empregos desaparecerem, negócios serem fechados, angústia e dor em todo o planeta. Vieram as vacinas, a bênção da recomposição da vida, como uma fugidia luz de esperança. Bastou uma breve pausa da corrida pandêmica, um arrefecimento da sua incidência, e retornamos aos mesmos velhos hábitos descuidados. Parece-nos que o Governador Planetário se achega e nos indaga: Filhos da alma, tanta dor não os consegue manter atentos, despertos?

Será que prosseguiremos imersos no sono da indiferença?

É hora de despertar. Orar e vigiar.

segunda-feira, 21 de março de 2022

O silêncio

"O silêncio, a paz e a harmonia expressam a mesma realidade. Não penseis que o silêncio é vazio e mudo; não, o silêncio é vivo, vibrante; ele fala, canta. Mas só o ouvimos quando os tambores param de rufar em nós.

Um dia, graças à contemplação, à prece, à meditação, conseguiremos ouvir a voz do silêncio. Quando, finalmente, todas as forças caóticas se tiverem apaziguado, o silêncio aproximar-se-á, expandir-se-á, envolver-nos-á com o seu manto maravilhoso. Instalar-se-á em nós uma clareza e, de súbito, sentiremos que algo muito poderoso reina acima de nós e nos governa: esse silêncio de onde o Universo saiu e para o qual voltará um dia."

domingo, 20 de março de 2022

O amor e o medo

"Quando amais alguém, será que vos preocupais em saber como o amais? Não. Dizeis: «Eu amo-o, eu amo-o...» Decerto que o amais, disso ninguém duvida; mas questionai-vos acerca da natureza desse amor. 

Os humanos chamam amor a cada cobiça, desejo, necessidade ou apetite. Desde que o sentimento se manifeste, há que ceder-lhe. E até é proibido raciocinar: o intelecto cala-se. Perante o coração, que está ocupado a amar, o intelecto não tem voto na matéria. O coração diz-lhe: «Cala-te! Eu estou a falar. O amor está a falar. Que tens tu a dizer?» 

Na realidade, se o coração e o intelecto trabalhassem em colaboração um com o outro, o amor manifestar-se-ia com formas e cores mais belas. Quanto menos evoluído é um ser, mais cede perante a insistência do seu amor, sem analisar se é um amor desinteressado, puro ou útil. Desde que ame, não tem nada que refletir; por isso há tantos romances, peças de teatro e filmes para contar as aventuras, muitas vezes desastrosas, daqueles que amam!"


"É preciso ver como a Natureza trabalha. É ela que, em dado momento, impele os animais e os humanos a terem este ou aquele comportamento, e é também ela que, algum tempo depois, os impele a substituírem esse comportamento por outro, porque a época é diferente.

Consideremos o medo. O medo é um reflexo que a Natureza inspira a todos os animais, para assegurarem a sua preservação. Felizmente, os animais têm medo, porque assim escapam ao perigo. Passa-se o mesmo com o homem... 

Mas, para atingir um grau superior de evolução, o homem deve desembaraçar-se deste instinto de medo, que tem várias expressões: o medo dos outros, o medo da miséria, o medo da doença, o medo da morte... 

Sim, numa etapa anterior da evolução, o medo era necessário ao homem, para ele se proteger; agora, é prejudicial ao seu progresso espiritual, e o homem só pode vencer o medo por intermédio do amor."

sexta-feira, 18 de março de 2022

Evangelho (Mt 21,33-43.45-46)

«Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, cavou nela um lagar para pisar as uvas e construiu uma torre de guarda. Ele a alugou a uns agricultores e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, ele mandou os seus servos aos agricultores para receber seus frutos. Os agricultores, porém, agarraram os servos, espancaram a um, mataram a outro, e a outro apedrejaram. Ele ainda mandou outros servos, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram do mesmo modo. Por fim, enviou-lhes o próprio filho, pensando: ‘A meu filho respeitarão’. Os agricultores, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e tomemos posse de sua herança! ’ Então agarraram-no, lançaram-no fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses agricultores?».

Eles responderam: «Dará triste fim a esses criminosos e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo». Então, Jesus lhes disse: «Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, esta é que se tornou a pedra angular. Isto foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e entregue a um povo que produza frutos».

Os sumos sacerdotes e os fariseus ouviram as parábolas de Jesus e entenderam que estava falando deles. Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas o tinham na conta de profeta.

Palavras de Yeshua, o Divino Sábio, passados mais de dois milénio admiravelmente resistem ao tempo, o seu sentido e a sua mensagem mantém-se atual. É muito fácil, identificar nas palavras desta parábola os comportamentos da generalidade dos homens responsáveis pela condução dos povos espalhados por este mundo. Eles próprios tantas vezes agindo corretamente pela aparência, utilizam os extraordinários meios que detém ao seu alcance para corromper os próprios sistemas de funcionamento das sociedades que haveriam de estar a serviço dos mais desprotegidos, a favor de uma desejável harmonização social. Também e sobretudo eles, terão que prestar contas, e se não for nesta mesma vida como já assistimos acontecer tantas vezes, será numa outra bem mais impiedosa, a das suas próprias consciências à luz pura da verdade Divina. 🙏

quinta-feira, 17 de março de 2022

Águas cristalinas

As tão almejadas férias chegaram. Reservara para si algumas semanas num chalé, a fim de se distanciar da balbúrdia da cidade grande. Quando lá chegou, deitou-se no confortável sofá e começou a ler um romance que trouxera consigo. Em certo momento, interrompeu a leitura para preparar um chá. Nesse instante, observou, em cima da lareira, um livro. Tomou-o em suas mãos. Na capa, escrito em letras douradas, lia-se Bíblia Sagrada.

É bem verdade que nunca fora apreciador de religiões. Não se julgava ateu, não negava a existência de uma força maior que rege o Universo. Porém, não se sentia capacitado para compreendê-la. Assim, depois de abrir o livro e de ler alguns trechos, sem maior interesse, devolveu-o no mesmo local no qual o encontrara. 

Dias depois, decidiu fazer um passeio pela floresta próxima ao chalé. Encontrou cachoeiras, animais, flores belíssimas, os mais doces cheiros. Uma profunda paz. Entretanto, por ter se distanciado muito, acabou por se perder mata adentro. Horas se passaram. Estava exausto. Todos os caminhos que tomava pareciam idênticos. Num instante de desespero, pensou: Meu Deus, que faço agora?

Lembrou-se do trecho bíblico, que lera poucos dias antes: O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Sentindo-se um pouco desconfortável, pois pouquíssimas vezes orara em sua vida, pediu a Deus que o ajudasse a encontrar o caminho de volta. Enquanto andava a esmo, repetia aquilo que se tornara um mantra frente ao desespero: O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Pouco tempo depois, avistou a lâmpada da varanda do chalé brilhando longe. Correu aliviado, abriu a porta e exclamou, com toda a sinceridade de seu coração: Obrigado, meu Deus!

Então, tomou a Bíblia novamente em mãos, procurou ansioso o delicado poema e leu para si todos os versos, bebendo cada palavra: O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida. E habitarei na casa do senhor por longos dias.


Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida, sentenciou o Mestre Nazareno. Não obstante o Cristo tenha deixado pegadas seguras em nosso caminho para que O sigamos, é tão fácil nos perdermos na senda que nos conduz ao progresso, à felicidade, à paz. Imperioso que façamos um profundo mergulho em nós mesmos, ouvindo a voz divina que está em colóquio incessante connosco. Tenhamos a humildade e a coragem de segui-La, pois, embora nos percamos nos vales das sombras de nossas mazelas morais, o Senhor é o pastor que nos guia em direção às águas tranquilas e cristalinas de Seu puro e infinito amor. Pensemos nisso!

sexta-feira, 11 de março de 2022

Pensamento do dia

"Enquanto os homens colocarem o seu interesse pessoal à frente do da coletividade, não haverá solução para os seus problemas. E quando digo «interesse da coletividade», não me refiro apenas à coletividade dos seres humanos, mas à que é formada por todo o Universo, de que eles querem sempre servir-se para sua satisfação exclusiva. Notai como eles exploram os animais, as árvores, as montanhas, o mar... E, se alguma vez tiverem meios técnicos suficientes, vereis o que eles farão com o Sol, com a Lua ou com os outros planetas! Tudo o que existe é utilizado como meio, com um único objetivo: a satisfação material do homem.

Isto tem de mudar! É preciso inverter o fim e os meios: ter por objetivo a fraternidade universal, a harmonia universal, e utilizar, para isso, todos os meios que possuímos, todas as nossas qualidades, faculdades, forças e energias. Só assim os problemas da humanidade serão resolvidos."



quinta-feira, 10 de março de 2022

Santo do dia – 10 de Março – 40 Santos Mártires de Sebaste

O martírio dos quarenta legionários ocorreu no ano 320, em Sebaste, na Armênia. Nessa época foi publicada na cidade uma ordem do governador Licínio, grande inimigo dos cristãos, afirmando que todos aqueles que não oferecessem sacrifícios aos deuses pagãos seriam punidos com a morte. Contudo se apresentou diante da autoridade uma legião inteira de soldados, afirmando serem cristãos e recusando-se a queimar incenso ou sacrificar animais. Para testar até onde ia a coragem dos soldados, o prefeito local mandou que fossem presos e flagelados com correntes e ferros pontudos.

De nada adiantou o castigo, pois os quarenta se mantiveram firmes em sua fé. O comandante os procurou então, dizendo que não queria perder seus mais valorosos soldados, pedindo que renegassem sua fé. Também de nada adiantou e os legionários foram condenados a uma morte lenta e extremamente dolorosa. Foram colocados, nus, num tanque de gelo, sob a guarda de uma sentinela. A região atravessava temperaturas muito baixas, de frio intenso. Ao lado havia uma sala com banhos quentes, roupas e comida para quem decidisse salvar a vida. Mas eles preferiram salvar a alma e ninguém se rendeu durante três dias e três noites.

Foi na terceira e última noite que aconteceram fatos prodigiosos e plenos de graça. No meio da gélida madrugada, o sentinela viu uma multidão de anjos descer dos céus e confortar os soldados. Isto é, confortar trinta e nove deles, pois um único legionário desistira de enfrentar o frio e se dirigira à sala de banhos. Morreu assim que tocou na água quente. Por outro lado, o sentinela que assistira à chegada dos anjos se arrependeu de estar escondendo sua condição religiosa, jogou longe as armas, ajoelhou-se, confessou ser cristão tirando as roupas e se juntou aos demais. Morreram quase todos congelados.

Apenas um deles, bastante jovem, ainda vivia quando os corpos foram recolhidos e levados para cremação. A mãe desse jovem soldado, sabendo do que sentia o filho, apanhou-o no colo e seguiu as carroças com os cadáveres. O legionário morreu em seus braços e teve o corpo cremado junto com os companheiros.

Eles escreveram na prisão uma carta coletiva, que ainda hoje se conserva nos arquivos da Igreja e que cita os nomes de todos. Eis todos os mártires: Acácio, Aécio, Alexandre, Angias, Atanásio, Caio, Cândido, Chúdio, Cláudio, Cirilo, Domiciano, Domno, Edélcion, Euvico, Eutichio, Flávio, Gorgônio, Heliano, Helias, Heráclio, Hesichio, João, Bibiano, Leôncio, Lisimacho, Militão, Nicolau, Filoctimão, Prisco, Quirião, Sacerdão, Severiano, Sisínio, Smaragdo, Teódulo, Teófilo, Valente, Valério, Vibiano e Xanteas.

quarta-feira, 9 de março de 2022

O verdadeiro sentido da vida

Cada um de nós encontra em sua vida um ser especial. Às vezes é um avô, um professor, um amigo de família. Uma pessoa mais velha, paciente e sábia, que se interessou por nós e nos compreendeu quando éramos jovens, inquietos e inseguros. Uma pessoa que nos fez olhar o mundo de um outro ângulo. Uma pessoa que, com seus conselhos e seu afeto, nos fez encontrar nosso caminho.

Assim aconteceu ao jovem Mitch Albom que se tornaria o colunista esportivo Número Um da América. Durante os anos universitários, um professor lhe foi um grande amigo. Esse amigo o ensinou a amar os livros de forma autêntica. Mesmo fora dos horários das aulas, eles se encontravam para discutir assuntos sérios. Assuntos como as relações humanas. Nessas ocasiões, o professor lhe dava lições extraordinárias de vida. Certo dia, porque o aluno se queixava do choque entre o que a sociedade esperava dele e o que ele queria para si mesmo, o professor lhe falou: A vida é uma série de puxões para a frente e para trás. Queremos fazer uma coisa, mas somos forçados a fazer outra. Algumas coisas nos machucam, apesar de sabermos que não deviam. Aceitamos certas coisas mesmo sabendo que não devemos aceitar nada como absoluto. Mas o amor, dizia ele, o amor vence sempre.

Quando saiu da Universidade, Mitch era um jovem idealista. Prometera a si mesmo que jamais trabalharia por dinheiro, que se alistaria nos Corpos da Paz, que viveria em lugares belos e inspiradores. Mas os anos passaram e ele acabou trocando montes de sonhos por cheques cada vez mais gordos. Então, um dia, dezesseis anos depois, ele tornou a encontrar o seu professor. Bem mais velho e doente. Eram os seus últimos meses de vida. Durante catorze semanas, até a sua morte, trataram de temas fundamentais para a felicidade e a realização humanas. Era a última grande lição: um ensinamento sobre o sentido da vida. E o jornalista reavaliou sua vida. Refletiu sobre as verdades ensinadas pelo professor, como a da necessidade de buscar o crescimento espiritual. De deixar de se preocupar tanto com coisas materiais e observar o universo ao seu redor. O universo das afeições. A natureza que nos cerca. A mudança que se opera nas árvores, a força do vento, as estações do ano. E o velho mestre, caminhando para o túmulo arrastado por enfermidade incurável, finalizou a última grande lição ao seu antigo aluno com a frase: Meu filho, quando se aprende a morrer, se aprende a viver.

A vida física é uma breve etapa. Sabedoria é ser aberto para as coisas belas que ela nos oferece. Para isso é preciso ignorar o brilho dos valores que a propaganda nos passa. É preciso prestar atenção quando os entes queridos falam, como se fosse a última vez que os ouvisse. É preciso andar com alegria como se fosse a última vez que pudéssemos estar de pé e nos servir das nossas pernas. E, acima de tudo, lembrar que sempre é tempo de mudar.

domingo, 6 de março de 2022

Cozinhando nossos feijões

Conta certa lenda que um monge, muito sábio e já idoso, se dispôs a encontrar um substituto para a administração da comunidade a que servia. Eram muitos os seus pupilos, mas a convivência com eles deixava claro que nem todos possuíam as condições necessárias para ocupar o cargo. No entanto, dois rostos se realçaram em sua mente, por lhe parecerem os mais preparados. Como somente um poderia substitui-lo, ele resolveu lançar um desafio que poria a capacidade de ambos em cheque e mostraria o mais apto a sucedê-lo.

Dessa forma, convocou os dois monges e deu, a cada um, alguns grãos de feijão, que deveriam ser colocados dentro de seus sapatos, na hora de fazerem a prova. O desafio seria subir uma grande montanha usando os sapatos com os grãos de feijão dentro. Chegados o dia e hora marcados, teve início a prova.

Logo nos primeiros metros, um dos candidatos começou a mancar. Não foi além do meio da subida. Seu rosto estava marcado pela dor. Ele parou e tirou os sapatos. As bolhas, em seus pés, eram imensas e sangravam. Sentou-se à beira do caminho, reconhecendo que não teria condições de prosseguir. Para sua surpresa, verificou que o outro concorrente sumiu de vista, andando ligeiro, montanha acima. Quando a prova foi encerrada, todos se reuniram para aplaudir o vencedor.

Mais tarde, após colocar curativos nos próprios pés, o perdedor aproximou-se do vitorioso e lhe perguntou como conseguira fazer todo o percurso com os grãos nos sapatos. Ah! – elucidou ele - é que antes de colocá-los nos sapatos, eu os cozinhei.

São variados os desafios que enfrentamos no decorrer de nossas vidas. De um modo geral, saímos afoitos querendo resolvê-los o mais depressa possível. Quase sempre nos esquecemos de buscar, antes, uma forma de amaciarmos nossas rudes dificuldades. 

Por mais difícil seja a prova que a vida nos apresente, em determinados momentos, podemos encontrar uma forma para, ao menos, amenizar a situação. Talvez baste a disposição de conversarmos com alguém que nos possa auxiliar a ver uma solução para um facto que nos pareça impossível de ser resolvido. 

Em certas situações, muitas vezes, bastará um gesto, algumas palavras que retratem nosso desejo de encontrar uma saída, com sabedoria e humildade. Por vezes, teremos que nos colocar no lugar do outro, para compreender melhor a sua problemática, o que nos levará a perceber o quanto nós também, ainda, necessitamos nos amaciar interiormente. 

Os desafios são inevitáveis mas, sempre poderemos usar nossa inteligência, nossa criatividade, na busca de soluções. Se não resolvermos as situações difíceis que nos envolvem, carregaremos nossos problemas para onde formos. 

São exatamente o nosso orgulho, o nosso egoísmo ou a nossa vaidade que nos colocam traves nos olhos, impedindo-nos de ver o que pode ser uma solução. Esses monstros nos perseguem porque os alimentamos. Problemas, todos os temos. Maiores, menores. Somos nós que determinamos se eles nos dominam ou se nós os vencemos. Lembremo-nos de que, às vezes, bastará cozinharmos os nossos feijões.

Evangelho (Mc 10,28-31)

Pedro começou a dizer-lhe: «Olha, nós deixamos tudo e te seguimos». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida — casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, vida eterna. Muitos, porém, que são primeiros, serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros».

terça-feira, 1 de março de 2022

Paz e união no mundo

Que da obra dos infelizes, inconscientes e assombrados pelas ambições desmedidas, resulte a forte determinação de união, solidariedade e fraternidade de todos os outros. São tempos de oportunidade de banir dos corações humanos, a indiferença, a desumanidade e a intolerância. Também nós, que cremos, que sabemos do enorme poder da verdade e da oração, façamos de todos os nossos momentos, uma prece de coragem e de força, a todos que se unem para enfrentar os regimes autoritários e desumanos no mundo que é de todos🙏🏼

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Omraam Mikhaël Aïvanhov

"Os acontecimentos que se realizam na terra são consequência de acontecimentos que já se desenrolaram no Alto, nos planos subtis. É isto que explica que um clarividente possa predizer o futuro: ele já viu esses acontecimentos anunciados no mundo invisível. É necessário um certo tempo para eles chegarem ao plano físico, mas chegam obrigatoriamente, porque já estão inscritos no Alto. Observai uma serpente: seja qual for o seu comprimento, a cauda passa sempre por onde a cabeça já passou. A cabeça representa o pensamento e a cauda representa os atos. A cauda vem depois da cabeça. Como a cauda, o mundo físico é sempre a continuação, ou seja, a concretização do que já teve lugar no mundo subtil.

A consequência prática desta verdade é que aqueles que tiverem a paciência de alimentar o seu ideal por muito, muito tempo, com bons pensamentos e bons sentimentos, sem nunca desanimarem, conseguirão levar atrás de si a cauda, isto é, modificar os seus atos, o seu comportamento, os seus instintos, o seu corpo físico."


"Deus introduziu na alma das criaturas um sentimento de insatisfação e de carência que só poderá ser satisfeito no dia em que elas conseguirem unir-se a Ele. Enquanto não tiverem realizado esta fusão, andarão à procura e farão experiências, acreditando, de cada vez, que conseguirão obter o que desejam. Mas ficarão sempre decepcionadas, sempre desapontadas. Na realidade, esta decepção não é assim tão má, pois é ela que impele as almas humanas a irem sempre em frente, a procurarem, e a tentarem reaproximar-se continuamente do Bem-Amado."

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Evangelho (Mc 10,13-16)

Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: «Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!». E abraçava as crianças e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

Os dias de nossa infância
Aprendemos, com os instrutores espirituais, que a infância se constitui em período de repouso para o Espírito. Vindos do mundo espiritual, retornamos à cena no palco da vida física. Trazemos as conquistas realizadas, em existências anteriores. E todos passamos pelo período da infância, que se reveste de muita importância. É nesse período que se nos alicerçam as virtudes e que a educação realiza o seu grande papel. O Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.
É também um período mágico em que acreditamos que tudo é possível. Por isso sonhamos tanto, por isso a magia, o encanto são companhias constantes. Quem de nós não recorda de momentos desse período e, ao mesmo tempo, das traquinagens, das brincadeiras, no tempo em que os telemóveis e os games não faziam parte do universo infantil. O poeta Casimiro de Abreu cantou em versos as saudades da sua infância. As tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais. Ia colher as pitangas; trepava a tirar as mangas; brincava à beira do mar. De um modo geral, são salutares as lembranças desse período em que achamos o céu sempre lindo, em que adormecemos sorrindo e despertamos a cantar.
Interessante notarmos que quanto mais avançam os anos, mais nos afloram as lembranças daqueles dias de despreocupação, em que corríamos pelos campos, cabelos soltos ao vento. Tempo em que andávamos descalços, sentindo a terra molhada, a relva fazendo cócegas nos pés. Tempo em que subíamos em árvores, em muros, sem nos importarmos com a altura. Tempos em que vivíamos com o joelho ferido, o braço esfolado, as mãos machucadas. O nosso desejo era explorar, conhecer, experimentar. Segundo Jean Piaget a infância é o tempo de maior criatividade na vida de um ser humano. Possivelmente, nenhum de nós tenha pensando que chegaria onde se encontra.

Sonhamos, idealizamos, mas, no final, a vida nos conduz para outros caminhos e trilhamos outras estradas. O importante é que aqui nos encontramos, vivendo o hoje. Vencemos os dias primeiros da infância e os vivemos com intensidade. Correndo ao sol ou debaixo da chuva, divertindo-nos na tentativa de fugir aos pingos grossos, como se pudéssemos andar entre eles. Dias gloriosos cujas lembranças nos sustentaram através dos anos da juventude à maturidade. Dias lembrados, com certa nostalgia. Uma saudade cálida, doce, de algo intensamente vivido. E com imensa gratidão.

Gratidão por todos aqueles que fizeram a diferença em nosso caminho. Os que nos desvendaram o mistério das letras, dos números, os que nos ilustraram noutro idioma além do pátrio. Aqueles que nos ensinaram a reverenciar os símbolos nacionais, a amar esta terra que, no dizer do poeta Olavo Bilac, não veremos outra igual!

Os que nos ensinaram que, acima de todos nós, a imensa família universal, há um Pai Amoroso e Bom, cujo Amor nos criou e nos sustenta. Um Pai que nos ama e que aguarda nosso retorno ao lar paterno, com o livro da vida assinalado: Vitória!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Evangelho (Mc 9,14-29)

Quando voltaram para junto dos discípulos, encontraram-nos rodeados por uma grande multidão, e os escribas discutiam com eles. Logo que a multidão viu Jesus, ficou admirada e correu para saudá-lo. Jesus perguntou: «Que estais discutindo?». Alguém da multidão respondeu-lhe: «Mestre, eu trouxe a ti o meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o agride, joga-o no chão, e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente duro. Eu pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram».

Jesus lhes respondeu: «Ó geração sem fé! Até quando vou ficar convosco? Até quando vou suportar-vos? Trazei-me o menino!». Levaram-no. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e rolava espumando. Jesus perguntou ao pai: «Desde quando lhe acontece isso? O pai respondeu: «Desde criança. Muitas vezes, o espírito já o lançou no fogo e na água, para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão e ajuda-nos». Jesus disse: «Se podes…? Tudo é possível para quem crê». Imediatamente, o pai do menino exclamou: «Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé».

Vendo Jesus que a multidão se ajuntava ao seu redor, repreendeu o espírito impuro: «Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai do menino e nunca mais entres nele». O espírito saiu, gritando e sacudindo violentamente o menino. Este ficou como morto, tanto que muitos diziam: «Morreu!». Mas Jesus o tomou pela mão e o levantou; e ele ficou de pé. Depois que Jesus voltou para casa, os discípulos lhe perguntaram, em particular: «Por que nós não conseguimos expulsá-lo?». Ele respondeu: «Essa espécie só pode ser expulsa pela oração».

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Instrumento nas mãos de Deus

Qual é a minha missão? Não é esta uma pergunta que, por vezes, nos vem à mente?

Gostaríamos de saber para que estamos aqui, em que contribuímos para a melhoria das pessoas ou do mundo. 

Quando nos extasiamos com a performance de um grande músico, dizemos que a sua música nos alimenta a alma, nos traz recordações, nos emociona. Contudo, o primeiro violinista da Orquestra Sinfônica do Paraná, maestro convidado e maestro adjunto por alguns anos, descobriu o maravilhoso sentido da sua vida, de forma surpreendente. De uma família de músicos, ele é Doutor em artes musicais pela Universidade Estadual de Michigan. É sobrinho-neto do maestro Bento Mossurunga, compositor do hino do Paraná. Pode-se dizer, portanto, que a música lhe está no sangue. Mais do que isso, na alma. Confessa que abraçou o violino porque suas três irmãs tocavam piano e ele cansou de ouvir tantas horas diárias desse instrumento. 

Certo dia, visitando uma tia hospitalizada, levou seu violino e tocou para ela. A música atraiu muitos pacientes. Ele percebeu o benefício da música e passou a tocar, voluntariamente, em hospitais, clínicas e presídios. Ele narra surpreendentes fatos. Ouvindo-o, constatamos, verdadeiramente, como Deus se serve dos homens de boa vontade.

Certa feita, tocando no corredor de um hospital, ao chegar em frente ao quarto de um senhor, se deteve. Quando concluiu a execução musical, viu que o enfermo estava em pé, na porta entreaberta. Paulo Torres o olhou e lhe desejou que Deus estivesse com ele. Ouviu a fala, entre lágrimas: Acredite, maestro, Deus acabou de me fazer uma visita.

O violinista fala do poder da música e como se sente feliz em realizar o que faz. Em um dos hospitais de Curitiba, toca semanalmente, enquanto peregrina por vários outros. Emociona-se ao narrar que, entrando em um quarto, viu uma menina que dormia, enquanto sua mãe, sentada ao lado, mantinha a bíblia aberta. Ele tocou um hino, com alma e coração e verificou que a menina abriu os olhos. Parecia querer falar sem que palavras compreensíveis lhe saíssem da garganta. A mãe se precipitou sobre a filha, em choro convulsivo. Médicos, enfermeiros invadiram o quarto. O maestro ficou preocupado. O que acontecera? O que ele provocara? E foi saindo do quarto, de mansinho. Então, a mãe foi até ele, o abraçou e lhe disse: Obrigada. Minha filha estava em coma há três anos. Sua música a despertou. 

Em suas entrevistas, ele fala dos benefícios da arte musical e como se descobriu instrumento nas mãos de Deus.

Uma senhora lhe disse que, na UCI, teve o diagnóstico de morte breve. Religiosa, orou intensamente a Deus: Senhor, dá-me uma prova de que não Te esqueceste de mim. Na manhã seguinte, o maestro visitou a UCI. Tomou do seu instrumento e executou o hino Não me esqueci de ti. Lágrimas romperam dos olhos da enferma. Duas semanas depois, recuperada, encontrando o maestro no corredor do hospital, lhe beijou as mãos, dizendo que ele fora o mensageiro do recado divino. Instrumento nas mãos de Deus.

Oxalá nós mesmos possamos descobrir como podemos nos tornar esse instrumento dócil, nas mãos divinas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Ouvidos de ouvir

Uma reunião com índios americanos revela um ensinamento importante e urgente. Agrupados os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos calados à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. Esses pensamentos são estranhos aos demais. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se alguém falar logo a seguir, são duas as possibilidades que se pode pensar.

Primeira: quem falou está dizendo: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua fala.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

Em ambos os casos, está se chamando o outro de tolo. O que é pior do que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz silêncio dentro, começa-se a ouvir coisas que não se ouvia.


Muitos são os cursos oferecidos pelo mundo afora, pretendendo ensinar a falar. Ter uma boa oratória é fundamental nos dias de hoje. Mas será que apenas saber falar é suficiente? Não estamos esquecendo o que vem antes? Não estamos esquecendo de aprender a ouvir? Não existem cursos de escutatória, é certo, mas aprender a ouvir corretamente é de suprema importância.

A postura humilde de quem ouve, de quem presta atenção nas palavras do outro, do que o outro diz ou não diz, é a postura do homem de bem. Ninguém se educa, ninguém cresce, se não aprende a escutar.

Alberto Caieiro dizia que não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma. Silêncio dentro da alma significa que os pensamentos devem emudecer de quando em vez. As ideias preconcebidas, a tal maneira como sempre pensei, devem calar um pouco, e considerar algo distinto, saborear o novo. Todos os grandes da Terra souberam ouvir, souberam se desprender de suas ideias e considerar novas, considerar o algo mais. Grandes escritores são antes grandes leitores. Sabem escutar outros livros, antes de recitar os seus próprios. Que possamos aprender a ouvir mais, a respeitar mais a opinião do outro, e assim aprender com todos, independente se sabem mais ou menos do que nós. Exercitemos a tal escutatória e cultivemos o silêncio na alma, nos pensamentos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Fernando Pessoa rezava assim:

"Senhor, Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faz com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a Lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim."

Esta era a belíssima oração de Fernando Pessoa, num texto que deve ser de 1912. Rezar é ficar à escuta do que Deus no silêncio tem para nos dizer

Rezar é fazer a paz dentro de nós e lembrar o essencial e olhar para o Infinito e ver o Divino em todas as coisas e contemplar a Presença viva de Deus no mais íntimo de nós e no rosto de cada homem e mulher...

Excerto de uma publicação do Padre Anselmo Borges 💖

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Dar graças por tudo

O Apóstolo Paulo, com sua lucidez inconfundível, recomendou que devemos dar graças a Deus por tudo o que nos acontece, tanto pelas coisas boas como pelas que nos pareçam ruins. E era dessa forma que agia aquele homem. Dava graças por tudo.

Certa vez, numa de suas viagens, quando o avião sobrevoava o oceano, um dos motores falhou. O piloto realizou uma aterrisagem forçada nas águas. Todos os passageiros morreram e milagrosamente apenas ele conseguiu agarrar-se a algo que o manteve boiando, à deriva.

Depois de muito tempo, chegou a uma ilha não habitada. Cansado, agradeceu a Deus por tê-lo livrado da morte. Naquele lugar deserto, ele conseguiu se alimentar de peixes, ervas e até de alguns frutos. Com muito esforço, conseguiu derrubar umas árvores e construiu uma cabana. Não era bem uma casa, somente um abrigo tosco, com paus e folhas, que lhe conferia alguma proteção. Ele ficou satisfeito e, mais uma vez, agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez existissem na ilha. 

Um dia, depois de ter apanhado muitos peixes, agradeceu ao Criador pela comida abundante. No entanto, ao voltar para sua cabana, a descobriu em chamas. Desolado, sentou-se sobre uma pedra e, entre o pranto convulsivo, reclamou: Deus! Como é que o Senhor pôde deixar acontecer isso? O Senhor sabe que eu preciso muito da cabana para me abrigar. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?

Então, ele sentiu uma mão sobre seu ombro. Logo, uma voz lhe disse: Vamos, rapaz? Ele se virou, assustado. Para sua surpresa, ali estava um marinheiro sorridente, convidando-o: Vamos logo, rapaz, nós viemos buscá-lo.

Mas, como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui? - Falou o homem, surpreso.

Amigo, explicou o marinheiro, vimos os seus sinais de fumo pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir buscá-lo naquele barco que está ali adiante. Então, o homem foi para o navio, que o conduziu, são e salvo, de volta para os seus amados, o seu mundo, a sua vida. Em segurança, ele agradeceu uma vez mais a Deus e pediu perdão pela falta de confiança na Sua Providência e Misericórdia.

Assim acontece, por vezes, em nossas vidas. Alguns acontecimentos nos surpreendem e nem sempre conseguimos ter a dimensão dos seus benefícios. Um transtorno que nos impeça de chegar a um determinado lugar, no tempo que havíamos estabelecido, pode nos evitar alguma tragédia. O não alcançarmos êxito, hoje, num concurso, pode nos entristecer, porque víamos ali a oportunidade de crescimento profissional. Porém, quase sempre, pouco depois, uma nova e melhor chance se apresenta. Aprendamos, assim, a dar graças por tudo: pelo positivo e pelo aparentemente negativo. E, se for mesmo algo que nos magoe, entristeça, fira, ainda assim, pensemos que a experiência nos poderá auxiliar a crescer, a aprender. Dessa maneira, em tudo demos graças a Deus, nosso Pai.