RODA DA VIDA

Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos pela vida e pela saúde de todos os que servem a Paz no mundo — homens e mulheres de todas as culturas, tradições e caminhos espirituais que, com coragem e entrega, assumem missões difíceis para levar esperança, justiça e consciência a um planeta tantas vezes ferido pela corrupção e pela desigualdade. Honramos estes irmãos e irmãs da humanidade, desde figuras amplamente reconhecidas, como o Papa Leão XIV e o Dalai Lama, até todos aqueles que, de forma silenciosa e anónima, trabalham pela harmonia, pela verdade e pelo bem comum. Cada um deles, na sua própria luz, ajuda a elevar a vibração da Terra e a despertar a compaixão nos corações. Que o seu exemplo inspire um mundo onde nenhum ser esteja à mercê da tirania, onde a força seja sempre colocada ao serviço do Amor, e onde a verdadeira autoridade seja a da consciência desperta e da dignidade humana. Elevemos também a nossa prece à Mãe Terra, casa sagrada de todos os povos e de todas as formas de vida. Que a nossa atenção, o nosso cuidado e as nossas ações reflitam o respeito profundo que ela merece. Que sejamos a mudança viva, a presença consciente e o gesto compassivo que contribui para a cura do planeta. Assim é, e assim se manifesta. - "Divina Fonte de toda a Vida, clamamos hoje pelo despertar das consciências. Que o ruído das armas seja silenciado pelo pulsar de corações em harmonia. Pedimos o fim imediato de todas as guerras, que as fronteiras do ódio se dissolvam e que o diálogo substitua o confronto. Que cada líder seja tocado pela compaixão e cada povo encontre no outro um irmão. Que a Terra não seja mais palco de dor, mas um solo fértil onde a paz floresça como direito de todos. Pela união, pela vida, pela paz mundial — que assim seja."- Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - Oramos por la vida y la salud de todos aquellos que sirven a la Paz en nuestro mundo — hombres y mujeres de todas las culturas, tradiciones y caminos espirituales que, con valentía y entrega, asumen misiones difíciles para llevar esperanza, justicia y conciencia a un planeta tantas veces herido por la corrupción y la desigualdad. Honramos a estos hermanos y hermanas de la humanidad, desde figuras ampliamente reconocidas como el Papa León XIV y el Dalai Lama, hasta todos aquellos que, en la humildad de su servicio silencioso, trabajan por la armonía, la verdad y el bien común. Cada uno de ellos, con su propia luz, ayuda a elevar la conciencia de la Tierra y a despertar la compasión en los corazones humanos. Que su ejemplo inspire un mundo donde ningún ser quede a merced de la tiranía, donde la fuerza esté siempre al servicio del Amor, y donde la verdadera autoridad surja de la conciencia despierta y de la dignidad humana. Elevemos también nuestra oración a la Madre Tierra, hogar sagrado de todos los pueblos y de todas las formas de vida. Que nuestra atención, nuestro cuidado y nuestras acciones reflejen el profundo respeto que ella merece. Que seamos el cambio vivo, la presencia consciente y el gesto compasivo que contribuye a la sanación del planeta. Así es, y así se manifiesta. - Divina Fuente de toda Vida, clamamos hoy por el despertar de las conciencias. Que el estruendo de las armas sea silenciado por el latir de corazones en armonía. Pedimos el fin inmediato de todas las guerras, que las fronteras del odio se disuelvan y que el diálogo reemplace al enfrentamiento. Que cada líder sea tocado por la compasión y cada pueblo encuentre en el otro a un hermano. Que la Tierra no sea más escenario de dolor, sino un suelo fértil donde la paz florezca como derecho de todos. Por la unión, por la vida, por la paz mundial — que así sea." -Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth - We pray for the life and health of all those who serve Peace in our world — men and women from every culture, tradition, and spiritual path who, with courage and devotion, take on difficult missions to bring hope, justice, and awareness to a planet so often wounded by corruption and inequality. We honor these brothers and sisters of humanity, from widely recognized figures such as Pope Leo XIV and the Dalai Lama to all those who, in quiet humility, work for harmony, truth, and the common good. Each of them, in their own light, helps elevate the consciousness of the Earth and awaken compassion in human hearts. May their example inspire a world where no being is left at the mercy of tyranny, where strength is always placed in the service of Love, and where true authority arises from awakened conscience and human dignity. Let us also raise our prayer to Mother Earth, the sacred home of all peoples and all forms of life. May our attention, our care, and our actions reflect the deep respect she deserves. May we become the living change, the conscious presence, and the compassionate gesture that contribute to the healing of the planet. So it is, and so it manifests. - "Divine Source of all Life, we call today for the awakening of consciences. May the roar of weapons be silenced by the pulse of hearts in harmony. We plead for the immediate end of all wars, that the borders of hate may dissolve and that dialogue may replace conflict. May every leader be touched by compassion and every nation find a brother in one another. May the Earth no longer be a stage for pain, but a fertile ground where peace flourishes as a right for all. For unity, for life, for world peace — so be it."

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Um Mestre...

"Um Mestre é um ser que conseguiu dominar os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus atos. Podereis objetar que não é grande coisa, mas, na realidade, tudo reside nisso. Dominar os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus atos subentende uma disciplina, exige métodos especiais baseados num profundo saber. Esse saber diz respeito à estrutura do ser humano, às forças que nele circulam, às correspondências que existem entre todo o seu ser (isto é, o seu corpo físico e os seus corpos subtis) e os diferentes planos dos mundos visível e invisível. Ser senhor de si também pressupõe que se conhece as entidades do mundo invisível e a estrutura de todo o Universo.

Um Mestre é um ser que resolveu os problemas essenciais da vida, é livre, possui uma vontade forte e, acima de tudo, é pleno de amor, de bondade, de doçura e de luz."


segunda-feira, 16 de setembro de 2024

E se...

Certamente tivemos, em algum momento, em nossas vidas, o desejo de que as pessoas se comportassem de maneira diferente para connosco. Possivelmente, já aconteceu de nos incomodarmos com a maneira de alguém agir, ou com os valores e princípios que defende. Constantemente, avaliamos os outros e nos deixamos afetar, pelas posturas que apresentam. É comum no trânsito, no supermercado, na reunião familiar ou no trabalho, nos desgostarmos com as pessoas.

Por um motivo ou outro são com esses que demonstramos a nossa impaciência, agimos de forma impulsiva ou até de maneira grosseira e pouco amigável. É verdade que nos relacionarmos em sociedade sempre é um grande desafio. Atitudes de colegas, familiares ou conhecidos nos colocam, muitas vezes, nos limites da nossa estrutura emocional. E nossos desejos se manifestam com frases como Queria que Fulano fosse assim, ou Gostaria que Beltrano mudasse sua maneira de agir.

E vamos fomentando ideias que nunca estão ao nosso alcance, porque o que desejamos é a mudança do outro. Dificilmente nos pomos a pensar que, eventualmente, o outro apreciaria que alterássemos as nossas atitudes, que o ferem, que o machucam. Que tal se, ao invés de avaliarmos alguém pela sua aparência, pela roupa, cabelo ou pelo vocabulário que usa, buscássemos conhecê-lo melhor?

Saber da sua história de vida, dificuldades e lutas que vem enfrentando. Afinal, ninguém está isento delas. E se, ao invés de julgarmos as pessoas, seu comportamento, suas opções e escolhas de vida, buscássemos compreendê-las um pouco mais?

Entender que cada um busca ser feliz à sua maneira, mesmo que tenha que percorrer longos caminhos para tanto. Isso porque todos estamos palmilhando uma estrada de aprendizado. E se oferecêssemos ao outro a antítese, isto é, o contrário daquilo que não gostamos nele ou que nos agride?

Poderíamos oferecer a nossa paciência ao exaltado, dando-lhe a oportunidade de receber compreensão, atenção e cuidado que, muitas vezes, a vida não lhe concedeu. Para o grosseiro, retribuir com educação, mostrando outras possibilidades de relacionamento, pautadas no respeito e consideração. Talvez a falta de trato social seja apenas ausência de oportunidade de aprender outras maneiras de se relacionar. Ao bruto ofertar a gentileza, dando-lhe ensejo de provar a doçura e leveza que podem nascer a partir de pequenos gestos. Por vezes, a brutalidade que se apresenta no dia a dia não lhe permite acreditar que é possível ter um tanto de suavidade na vida. Para aquele com posicionamentos opostos aos nossos podemos construir uma ponte de empatia. Tenhamos em mente que ninguém é obrigado a pensar como nós, e que cada um é fruto de seus esforços, de sua história e de suas opções. Enfim, são muitas as oportunidades que aqueles que cruzam nossos caminhos nos ofertam para sermos melhores. Busquemos neles, esses professores que a vida nos oferece, a chance de construir em nós virtudes que permanecem latentes. Nesse esforço, estaremos contribuindo para uma sociedade pautada em elevados valores de amor e generosidade.



quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Ainda cabe Jesus?

Em trânsito pelos caminhos terrestres, a cada dia tua capacidade de observação se aprimora, oferecendo aos teus raciocínios largo material de observação. Parece, ao teu olhar, que a Humanidade desandou, apesar de tanta cultura.

A agressividade campeia desenfreada, como incontrolável animal em campina sem fim. Escasseia a paz, fazendo com que os homens se armem, uns contra os outros. O discurso parece distante da prática.

Diante de alguns dias de sol abundante, seguem-se horas intermináveis de nuvens escuras, despejando sobre os lares aguaceiro devastador. Imaginas que a segurança para teu lar pode ser uma grade forte, fios eletrificados e monitoramento dos passos alheios. Dessa maneira, deixas entender que todo mundo é suspeito, até prova em contrário. Tens a impressão de que a cultura avançou sobre as rodas de um veículo ligeiro, enquanto a ética anda muito longe, caminhando lentamente ao lado de uma montaria cansada. Tantos livros, bibliotecas e incontáveis analfabetos!

Campos fartos e fome nas metrópoles.

Lojas abarrotadas de artigos de vestuário e cada dia tens notado mais corpos desnudos.

A medicina proclama seus avanços admiráveis e milhares tombam sob o contágio de enfermidades cruéis.

Tantos templos religiosos e a descrença reinando solta nas consciências.

Discursos espiritualistas e condutas materialistas.

Cartas e leis admiráveis em torno dos direitos humanos e, por toda parte, a indiferença, o abuso e a invasão desses direitos, fazendo do outro simples estatística. Homens e mulheres andando na praça com seus animais de estimação, enquanto seus genitores estão em abrigos da terceira idade, mergulhados na dolorosa saudade dos afetos. Fala-se em luz, em claridade abundante, em ruas iluminadas pelos néons e led's de alta tecnologia. No entanto, muitos transeuntes estão em densas sombras íntimas.

O riso no palco e o choro convulsivo na coxia.

A gargalhada estridente no cinema ou no show da celebridade. Logo após, a agonia íntima, arrastando o ser para o paroxismo das emoções em desgoverno. Ou muito agito ou muita paralisia. Som muito alto. A conversa ao celular é quase aos gritos.


Quem realmente és tu?

E te perguntas: Ainda cabe Jesus no coração da criatura humana?

Qual o resultado de dois mil anos de Cristianismo?

Buscas, então, refúgio numa pequena porção de natureza, um lugar à parte desse burburinho quase enlouquecedor e tentas obter alguns momentos de silêncio, refazendo teu inquieto mundo interior.

Ora.

Silencia.

Medita.

Recorda o Divino Amigo, em ouvindo novamente a severa advertência: No mundo, tereis aflições!

Ele também atravessou um tempo parecido com esse, em proporção numérica menor. Contudo, as agonias eram as mesmas, as buscas, as ilusões...

Adestra tua paciência.

Acalma teus raciocínios.

Testa tua resiliência.

Se chegaste até aqui, com Jesus podes ir um pouco mais adiante. Confia. Trabalha, ama e segue.

sábado, 7 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

«Se as pessoas que pedem graças à Mãe do Céu, não bloquearem à primeira contrariedade, se não ajuizarem da divina ajuda, não amuarem em birras de criança mimada, certo estejam: a Mãe do Céu só necessita de um pouco de colaboração, um pouco de confiança e tudo, mas tudo se resolverá. E como um inesperado e maravilhoso presente, como uma espécie de recompensa, para além dos problemas onde solicitaste ajuda e encontraste resolução, ainda obterás algo inesperado. 

As respostas do porquê do teu agir, as tuas motivações profundas, a integração matrimonial com a ciência amorosa dos céus, incompreensível para os homens, senão através de um processo de iniciação como o descrito ou algum outro semelhante.» 

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

«A fé é também acreditar que tudo terá o seu destino. Nem que este seja o infinito indefinível. 

A fé é a consciência da expansão energética das tuas moléculas. 

É saber, ou querer saber até onde percepcionas, interages, para além dos sentidos grosseiros. 

A fé é o amor-dos-homens, é ser-se leal. 

A fé não está na escrita, não tem formulário, pode ser até considerada herege aos olhos de vulgo homem contemporâneo.» 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

«Normalmente todos os humanos são como uns bebés espirituais... na escala do cosmos. Uns queridos e bonitos bebés mimados. 

Esse é o estado atual da humanidade. 

Devemos aprender. Aprender a deixar de ser conduzidos, a deixar cair o medo. 

O nosso trabalhar deve agora recair sobre nós mesmos, ser um poderoso íman, orientado por forças celestes, para semear a pré-aventurança.» 

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

«Certo, façamos a escolha... Agora. 

Sim, mesmo já!

E porque não aproveitar em celebração e em sossego, bem devagarinho e bem interiorizado… entregar tudo ao Céu. 🙏

Sobretudo o que não conseguimos resolver prontamente... deixar "assentar o pó", para depois enxergar melhor. 

No entanto, recordar que existe sempre alguém que enxerga melhor que tu, e isso para te ajudar a evoluir, para teu bem supremo. 

Só tens mesmo que deixar os velhos hábitos, e confiar...»


terça-feira, 3 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

«Todas as Primaveras e todos os Outonos estão contidos neste preciso instante. A imensa possibilidade que isto acarreta é poder virar o teu destino assim de repente, como quem vira de direção numa encruzilhada. E claro esta decisão está carregada de “self”, ou seja, de si mesmo, carregada de tua presença no caminho, como tu decides, como tu vês e ajuízas o mundo que te rodeia, como tu percebes as próprias fronteiras do teu agir. Cada momento, cada inspiração, cada expiração, é uma oportunidade de modificar um pouco mais a tua vida para aquilo que consideras o teu sonho a alcançar.  Não faças por menos, estás a trabalhar com energias sublimes e poderosas, que governam a própria razão das coisas que acontecem a cada instante, não a razão dos homens ou da ciência. Acredita no teu coração, não descurando o teu intelecto. Tem sempre nessa estrada, quem vela por ti.» 


domingo, 1 de setembro de 2024

Peregrinação – um abrandamento externo face a uma aceleração interna.

 «Aqui estou pelo trilho, bem-disposto, com muito otimismo. Tomara este otimismo floresça pelo mundo, pois certamente não são poucos os necessitados de algum descanso. De tanto assédio, tanto stress, tanta violência e desencontro. Tomara que doravante este otimismo invisível aos olhos, sejam testemunho dos correios espirituais responsáveis pelas notícias. Noticias que ao espalhar-se inspirarão mesmo aqueles, que aqueles jornais não leem.» 

O gabinete da vontade

A mente humana pode ser comparada a um grande escritório, dividido em diversas secções de serviço, em vários departamentos, cada um com sua função específica. Podemos enfocar os quatro principais:

O departamento do desejo, em que se operam os propósitos e as aspirações da alma, acalentando o estímulo ao trabalho. Ele nos projeta no futuro, naquilo que queremos realizar, vinculando nosso coração a um alvo, a uma meta.

A segunda secção é o departamento da inteligência, onde encontramos os patrimônios da evolução e da cultura, isto é, todas as conquistas do intelecto. Tudo que foi conquistado em nosso processo evolutivo na área intelectual.

O terceiro departamento é o da imaginação. A responsabilidade dele é trabalhar as riquezas do ideal e da sensibilidade. Ali está tudo aquilo que nos leva a abstrair, a dar um voo mais alto, a deixar, por vezes, a esfera acanhada de nossas atividades. Ali estão as conquistas da arte e do belo.

Por fim, temos a quarta divisão: o departamento da memória, cujo objetivo é arquivar todas as experiências do Espírito, ao longo das encarnações.

No entanto, toda organização, todo escritório, necessita de uma gerência. Surge então, acima de todos eles, o gabinete da vontade. A vontade é a gerência esclarecida e vigilante que governa todos os setores da ação mental. É a maior das potências da alma. Nela dispomos do botão que decide o movimento ou a inércia da máquina. Sem essa administração segura, sem essa gerência, os departamentos passam a correr grandes riscos, pois tendem a operar por conta própria, de acordo com seus entendimentos particulares. A coordenação e a liderança da vontade garantem que todos os setores trabalhem em harmonia, sintonizados com um objetivo maior, cada um cumprindo sua função e todos vinculados ao mesmo fim. Quando a vontade não cumpre seu papel, o desejo pode tomar conta e comprar enganosamente séculos e séculos de aflição e comprometimento. Vemos isso quando somos dominados pelas paixões, pelos desejos do imediato, dos interesses transitórios. Se a vontade está fragilizada, o departamento da inteligência pode se aprisionar à criminalidade. É o que vemos quando temos grandes inteligências ligadas a interesses mesquinhos e não ao bem, e não às realizações coletivas. Assim também se dará quando o departamento da imaginação e da memória resolverem agir sem esse comando seguro da vontade. Eles se perdem, um podendo criar monstros na sombra e o outro caindo em relaxamento. Só a vontade, como auréola da razão, tem capacidade e lucidez para gerenciar todos esses setores com sabedoria.

A vontade é, sem dúvida, a maior das potências da alma. O poder da vontade é ilimitado. O homem, consciente de si mesmo, de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços. Sabe que tudo o que de bem e bom desejar há de, mais cedo ou mais tarde, realizar-se inevitavelmente, ou na atualidade ou na série das suas existências, quando seu pensamento se puser de acordo com a lei divina. E é nisso que se verifica a palavra celeste:
 “A fé transporta montanhas.”

sábado, 31 de agosto de 2024

No silêncio dos nossos pensamentos

Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas. Que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras. Mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas. Vossas almas não estão esquecidas. E eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos.


Quanto estamos precisando de consolo nestes dias que vivemos...

Quanto estamos necessitando saber ou lembrar que não estamos abandonados, que o mundo não está perdido e que não caminhamos para o caos. O Jardineiro Divino, Jesus, afirma que está connosco, acompanhando-nos nas duras provas que enfrentamos, provas que as crianças aprendizes precisam enfrentar para se tornarem adultos espirituais.

Resignação, Ele nos diz. Resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de enfrentá-lo e lhe remover a causa. Curiosa a origem dessa palavra. Do latim resignatio, de resignare, que significava fazer uma marca oposta a uma primeira. O termo vem da linguagem de atividades de contadoria. Referia-se originalmente a fazer um registo, uma marca de crédito em oposição a um registo anterior de dívida. Refletindo, perceberemos que há muita relação com a maneira que lidamos com as dores, com nossas provações e expiações. Encontrar uma forma oposta de enxergar as vicissitudes e o sofrimento faz parte da virtude da resignação. No entanto, vejamos que há o componente ação na proposta que a palavra nos traz. Este é o ingrediente que a faz ser dinâmica e não passiva. Coragem de enfrentar, forças para suportar, mas também disposição para encontrar, entender e remover suas causas. O bem sofrer é aprender com a dor enquanto ela se fizer necessária. Retornar, então, ao equilíbrio, será o próximo passo sempre. A dor é hóspede e não habitante.

É de insuperável significação positiva o equilíbrio mental diante do sofrimento, o que podemos conseguir através do treinamento pela meditação, pela oração, que decorrem do conhecimento que ilumina a consciência, orientando-a corretamente. Meditar é esvaziar a mente, renová-la; abri-la para as muitas possibilidades de sintonia elevada; despertá-la de seu sono atormentado por pesadelos angustiantes. Orar é fazer conexão com nossa essência, é reler com cuidado a assinatura divina que trazemos na alma e buscar entender o que ela nos diz e o que ela nos proporciona. Iluminar a consciência é compreender as leis que regem o Universo. Leis perfeitas, leis que atuam com regularidade e grandeza em todos os cantos, em todas as situações, banhadas sempre pelos eflúvios edificantes do amor. Amor que canta no silêncio de nossos pensamentos. Amor que nos sustenta. Amor que nos convida a seguir adiante. É também por amor que o Mestre e Amigo Jesus nos acompanha neste processo de amadurecimento moral da Humanidade. Desde que modelou a estrutura material do planeta, até os presentes dias, segue o Jardineiro Divino com amoroso cuidado, amparando-nos em todos os instantes da existência. Sigamos com Ele.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Oração para o fim das guerras

Senhor Jesus neste momento tão difícil para muitos países em guerra, momento terrível em que são muitos os atingidos, em que são tantas as vítimas, tantos os feridos, dilacerados, sem chão, sem teto, sem água e comida; sem partes do corpo; com famílias e lares completamente destruídos, nós nos voltamos para ti Senhor, vem com a tua divina providência derramando sobre eles a tua graça e tua força e proteção.

Dai Senhor, também, ao mundo, às nações, às forças de paz, às organizações de ajuda humanitárias…, a todos os países e a cada um de nós: capacidades, inteligência, solidariedade e amor para que possamos nos mobilizar com missões pacíficas, ajudas humanitárias, com auxílios para que eles possam reconstruir seus países, suas famílias, seus lares, se recuperarem de todos os danos possíveis, que cessem as guerras, que alcancem a paz. Abençoai-nos Senhor.

Rezemos também Senhor a Ti, pedindo por todas as pessoas, nossos irmãos e irmãs que faleceram nessas horríveis tragédias, para que em Ti tenham o repouso eterno. E pelos seus familiares parentes e amigos que ficaram, que o Senhor lhes de consolo e força para continuarem suas vidas. Obrigado Senhor. Amém.

Padre Geraldinho

domingo, 11 de agosto de 2024

Os amigos espirituais

Aqueles dias se faziam desafiadores. Um vírus mortal se espraiara rapidamente por todos os continentes, colocando o planeta em estado de pandemia. O ano de 2021 iniciara e a infeção continuava a ceifar milhares de vidas, enlutando famílias indistintamente. Muito embora o esforço abnegado de mulheres e homens da Ciência, que desenvolveram vacinas para combater o vírus, naquele momento, ainda não se faziam acessíveis para todos.

Foi nesse cenário que Estela viu seu núcleo familiar, aos poucos, se transferir do lar para os leitos de enfermaria e depois U T I. Primeiramente os pais, mais idosos, depois a irmã. Ela, logo em seguida, teve que buscar os recursos hospitalares. Adentrou ao hospital emocionalmente devastada. Às preocupações com os pais e a irmã, há dias internados, somavam-se agora com as do seu próprio estado de saúde. Preciso me manter forte, preciso recuperar-me logo, para atender aos meus, pensava, enquanto era transferida para uma enfermaria. As noites se faziam longas, os dias intermináveis, na angústia da falta de notícia dos seus, na preocupação com seu refazimento. Naquela noite, em especial, não conseguia conciliar o sono. O silêncio natural da madrugada inundava a enfermaria e os corredores da casa hospitalar, porém, o sono teimava em não visitá-la. Foi quando, inesperadamente, um senhor de sorriso simpático adentrou ao local.

Nunca o vira antes. Seu olhar calmo e acolhedor conquistou-lhe a confiança. A figura respeitável, o ar distinto, os modos gentis e a fala tranquila daquele senhor a envolveram e ela se acalmou. Ele perguntou sobre seu estado de saúde, como ela se sentia. Foram perguntas e mais perguntas, dessas próprias que médicos e enfermeiros fazem aos pacientes. Passou, então, a lhe prescrever alguns exercícios respiratórios, para acelerar a recuperação dos pulmões, um tanto comprometidos. Estela, tomada de curiosidade, perguntou se ele era médico, porque não lembrava de tê-lo visto anteriormente. Serenamente, ele respondeu que estava ali para ajudá-la. Disse que ela logo se recuperaria, que não precisava se preocupar. Que fizesse os exercícios indicados e seguisse a medicação prescrita pelos médicos. Ao final, perguntou se ela confiava nele, o que imediatamente respondeu de forma afirmativa. Pois bem, disse ele, então eu serei o seu anjo da guarda. Estarei aqui velando, cuidando de você e de sua família. Não se preocupe, tudo irá acabar bem. De imediato à sua saída, ela adormeceu tranquilamente.

No dia seguinte, buscou informações sobre o médico que viera visitá-la tarde da noite. Descreveu-o com cuidado a todos que ali trabalhavam. Ninguém o conhecia. Nesse momento, ela entendeu que, efetivamente, ele era o seu anjo da guarda.

Assim são os amigos espirituais. Encontram os mais variados meios para nos auxiliar. Agem em nome da Providência Divina, a fim de que tenhamos amparo e proteção. Todos temos nossos anjos guardiães, que velam nosso caminhar e nos acompanham, na jornada terrena. São a manifestação do amor de Deus em nossas vidas.

sábado, 10 de agosto de 2024

Doces sonhos

Quando renascemos, deixando as paisagens espirituais para a jornada de trabalho e crescimento na Terra, é comum que nossa alma, no transcurso dos anos, se sinta cansada. Cansaço que se reflete no corpo, e, podemos, se não tomarmos cuidado, adentrar pelas vielas do desânimo, da desesperança e até adoecermos. No entanto, a Bondade Divina estabeleceu que, num dia de vinte e quatro horas, registremos a necessidade do sono. Sono que se constitui em refazimento das energias físicas. É nosso momento de liberdade. Enquanto dormimos, a alma deixa o corpo, de forma parcial, e se dirige para onde a conduzem os sentimentos.

Por isso, alguns de nós vamos a lugares onde podemos nos ilustrar um tanto mais, onde podemos estudar, aprender. Muitas vezes, quando no transcorrer das horas do dia, nossa mente fica detida em determinada problemática, buscamos orientação e auxílio no mundo de onde viemos. É comum sonharmos, então, com pessoas com as quais discutimos o assunto e, ao despertar, trazemos ideias para a solução do problema. A sabedoria popular classificou essa questão de uma forma muito simples dizendo que "O travesseiro é bom conselheiro".

Mas, aqueles que trazemos a alma saudosa dos amores que se foram e vivem a vida do Espírito, podemos ter encontros muito significativos. Simplesmente, vamos ao encontro deles, na pátria espiritual, em que se encontram. Vamos encontrá-los em jardins, em lugares que nos parecem paradisíacos. Eles nos conduzem pela mão, como Beatriz conduziu a Dante Alighieri, pelas estradas que ele considerou o próprio paraíso. Mostram-nos onde vivem, falam-nos do que fazem. E, cientes dos nossos problemas, nos estimulam a prosseguir, a não abandonar a arena da Terra.

Retornamos, após as horas de sono, lembrando desses encontros. Lembranças vívidas, doces, felizes. Alguns poderemos trazer a exata impressão de um abraço apertado, de um aconchego ao peito, de muitas palavras pronunciadas, embora nossa mente possa não ter registado a todas elas. Mas, dizemos, foi um encontro muito bom. Diminuiu a intensa saudade, colocou água fresca no vaso da sentida ausência física. Doces sonhos. Uma mãe encontra o seu pequeno que lhe diz: Não chore mais, mãe. Estou com Jesus. Estou bem. Um filho encontra os pais que lhe afirmam: Estamos acompanhando o seu progresso. Vibramos para que consiga o diploma que almeja. Desejamos seja vitorioso. O noivo tem um encontro com a noiva que partiu antes mesmo das bodas a lhe dizer: Amado meu, não fique cultuando tanto minha memória. Abra-se ao amor. Há caminhos à sua frente e estou me preparando para retornar aos seus braços. Aguarde-me. Não feche o seu coração. Não encerre sua vida como se tudo estivesse acabado. Amamo-nos, sim, mas o amor é sublime e tem muitas nuances. Voltarei aos seus braços.

Doces reencontros. Bendito sono. Abençoados sonhos. Preparemo-nos, a cada noite, para o repouso físico. Preparemo-nos para benéficos passeios espirituais. Uma página salutar para higienizar a mente. Uma prece para dulcificar a alma.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Maria de Nazaré

"Maria de Nazaré, rainha de todos os Espíritos que trabalham na atmosfera da Terra, derrama sobre nós o mesmo amor que nos dispensou há dois mil anos, chamando-nos de filhos e servindo sempre de instrumento para a nossa alegria.

Ela foi o 'anjo' que se revestiu de carne no planeta Terra, para favorecer a descida mais arrojada que a Divindade determinou em favor dos homens. Ela trabalhou na sua mais profunda simplicidade, porque veio para ampliar os conceitos do seu filho, pelo exemplo."

Maria de Nazaré, psicografia de João Nunes Maia, ed. Fonte Viva.

domingo, 4 de agosto de 2024

O Monge e o Diabo

Há muitas pessoas que vivem de qualquer maneira durante todo o dia e depois, à noite, antes de se deitarem, fazem uma oraçãozinha pedindo perdão a Deus pelas suas faltas. Mas isso não basta, elas devem saber que, agindo assim, terão sempre o diabo consigo, como o monge da anedota.

Sim, num convento, havia um monge que bebia, bebia… Todos os dias o nível de vinho nos tonéis baixava a olhos vistos. Um pouco envergonhado, todas as noites ele fazia as suas orações, pedindo perdão a Deus; depois, em paz consigo, adormecia tranquilamente, até ao dia seguinte... em que recomeçava a beber. Isto durou anos... Ora, certa noite, ele esqueceu-se de fazer a sua oração e, a meio do sono, sentiu que era abanado e ouviu alguém dizer-lhe: «Eh! Não rezaste esta noite. Vá, levanta-te, despacha-te! Tens de rezar!» Ele acordou, esfregou os olhos, e quem é que viu? O Diabo! Sim, era o Diabo que estava a acordá-lo, era ele que o induzia a rezar todas as noites. Para quê? Para o impedir de se corrigir. Como fazia as suas orações pedindo perdão ao Céu, o monge tinha a consciência tranquila e, no dia seguinte, recomeçava a beber, para grande alegria do Diabo. Diz a história que, quando compreendeu isso, o monge ficou tão assustado, que renunciou a beber, de uma vez por todas.

sábado, 3 de agosto de 2024

Pensamento do dia

"O Reino de Deus não pode ser realizado no plano físico antes de ter sido realizado no intelecto, no pensamento.

Depois de realizado no pensamento, ele descerá ao coração, aos sentimentos, e então poderá, finalmente, exprimir-se por atos. 

É este, obrigatoriamente, o processo de realização na matéria: 

pensamento – sentimento – ação.


Um dia, o Reino de Deus realizar-se-á tangivelmente, na matéria. Mas primeiro deve instalar-se nas ideias, nos pensamentos. E pode ver-se que esse processo já começou… 

Há milhares de pessoas no mundo que alimentam em si este ideal do Reino de Deus, este ideal de amor, há mesmo mais do que pensais. 

O Reino de Deus já abre caminho nos pensamentos e nos desejos de alguns seres e até já se instalou no seu comportamento, na sua maneira de viver. 

O Reino de Deus começa por ser um estado de consciência, uma maneira de viver e de trabalhar, e quando esse estado de consciência se tiver generalizado, o Reino de Deus e a sua justiça descerão verdadeiramente à terra. "

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Como chuva generosa

Quando o sol parece castigar a terra com a intensidade dos seus raios, habitualmente, amados e desejados; quando os dias se sucedem, muito quentes, parecendo que a atmosfera se torna quase insuportável; quando a terra vai se abrindo em frinchas, parecendo gemer em sentimento de dor; quando as plantas se deitam sobre o solo, por não conseguirem manter a altivez, pela desidratação sofrida; quando parece que tudo queimará, secará, findará...

Pensamos nos campos semeados e nos perguntamos se os grãos conseguirão tomar forma, crescer e amadurecer, para abastecer as nossas mesas. Olhamos para as árvores e nos indagamos se haverá floração para que se transforme em abençoados frutos. Contemplamos os tímidos filetes d’água, aqui e ali, onde antes se agitavam caudalosos rios, povoados por peixes de variadas espécies. Adiante, o leito seco deixa entrever as pedras nuas, brilhando ao sol. Aqui e ali um tronco de árvore deitado, como quem se tivesse agachado para sorver uma última gota d´água do solo seco. O abastecimento nas residências, fábricas e hospitais sofre interrupções, com danos para a indústria, a saúde, a higiene. Então, quando o céu escurece e nuvens escuras se apresentam, todos os olhos se fixam nelas.

Aguardamos. Aguardamos a chuva que, por vezes, desaba forte, tempestuosa. Seu primeiro objetivo é lavar a atmosfera para que se torne respirável, leve. E quando as águas atingem o solo, é uma sinfonia, um concerto inigualável de sons. É o barulho da terra, sorvendo o líquido em largos goles, os rios desejando alargar as margens para a receção mais ampla. As cascatas voltam a cantar, as fontes brilham. As plantas bebem por todas as dimensões de si mesmas. As aves observam dos seus ninhos, os animais de suas tocas, alguns se precipitando para fora para se deixarem banhar...

Sentimos a leveza do ar, depois da chuva torrencial, e agradecemos pelo reabastecimento que se fará gradual, na constância da sua presença. Chuva, generosa chuva. Violenta ou branda, caindo mansa, é um benefício. Quanto dependemos dela.


Assim como a chuva podemos nos tornar benefício para nossos irmãos. Com o frescor das nossas ideias cristãs, podemos aliviar a sede de consolo e esperança, em almas ressequidas, que vivem a tensão de ambientes domésticos áridos. Como a chuva que suaviza a atmosfera, podemos abrandar a atmosfera de muitas vidas. São amigos, colegas, companheiros que necessitam de um sutil aroma de ternura. Aguardam ouvidos que se disponham a ouvir suas mágoas e lhes ofertar algumas gotas de aconchego. Aliviemos o calor das dores de quem sofre há muito tempo e quase está a perder a esperança. Como chuva mansa, sirvamo-nos da nossa voz para lhes balbuciar a canção do amanhã que surgirá, renovado. Pensando no bem, derramemos consolo sobre algumas existências que gravitam ao nosso redor. Participemos delas e tenhamos a certeza de que, na medida certa, obediente às leis de Deus, estaremos promovendo vultosas ondas de amor e de alegrias.

Imitemos a natureza, convertendo-nos em vida para nosso semelhante, como chuva generosa...

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Evangelho (Lc 10,38-42)

«Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!». O Senhor, porém, lhe respondeu: «Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada».


Esta extraordinária parábola do Mestre Jesus, recorda a todos sem excepção da relativa importância das tarefas mundanas, perante um acontecimento maior. 

É certo que existe mérito em cumprir com as tarefas do nosso dia a dia o mais responsavelmente possível, faz parte dos nossos deveres para com a sociedade, para com a família, e além disso é uma importante forma de dar um exemplo para os jovens, e com isso colaborar na construção de um mundo mais funcional e harmonioso.

A questão é, de que vale tudo isso, se mergulhados nessa dinâmica, ficarmos fascinados e perder a capacidade de priorizar os momentos e oportunidades únicas, muitas vezes fugazes, de um reencontro connosco mesmos ou com alguém que esteja disponível, ou necessitado, de uma ponte espiritual... 

A vida do dia a dia tem muitas prioridades que nos levam através da rotina a estabelecer apegos e devolvem falsas sensações de segurança, e deixamos lentamente de cuidar dos aspectos mais misteriosos de nossa alma, de nosso profundo sentir, muito mais desencontrado de rotinas, muito mais necessitado de silêncios da Alma, de disponibilidade para uma conversa secreta com o nosso Deus interior.

Não esqueçamos, é bom cumprir fielmente como seres comunitários, mas sem uma Alma, sem uma unidade, sem um propósito maior que nos dê um sentido a todo esse esforço moral e ético, de nada vale, porque o sentimento será sempre de vazio, de solidão, de falta e até de porquê?!

Cultivar atenção aos momentos em que nossa Alma pede um tempo para si mesma, é criar e promover encontros com a Divindade em nós, esse deveria ser o nosso propósito maior e não o que fica para o final... até porque afinal, pode até nem restar tempo suficiente, para esses sagrados encontros, quando deixados para depois.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Os pedidos da alma

Comecemos o dia na luz da oração. O amor de Deus nunca falha. Oração espontânea, sem fórmulas prontas ou ensaios elaborados. Um sincero diálogo da alma com a Potência Suprema.

Se a tristeza morar em nossa alma, será um grito, um lamento dirigido aos céus. Se a alegria brilhar em nosso íntimo, será um cântico de amor, um manifesto de adoração. Pode se resumir num um simples pensamento, uma lembrança, um olhar erguido para o céu. Quando oramos, uma janela se abre para o infinito e através dela recebemos mil impressões consoladoras e sublimes. Uma excelente maneira de iniciar o nosso dia.

A sabedoria não está em pedir que somente tenhamos horas de felicidade, que todas as dores, as deceções, os reveses sejam afastados. A nossa deve ser a rogativa por auxílio das forças superiores a fim de que cumpramos os nossos deveres, com dignidade. E possamos suportar a eventualidade de um dia difícil, de horas más. Se pedimos por nós, podemos estender os mesmos benefícios da rogativa para os familiares, os amigos. Se tivermos uns minutos mais, que os possamos dedicar à rogativa ao Pai de todos nós. Haverá muito a pedir.

O mundo está tão sofrido. Não bastasse a pandemia, as notícias nos chegam de furacões, de vendavais, de países arrasados pela fúria dos ventos e das águas. Pela nossa mente, transitam as figuras de crianças, de idosos, de corações de mães destroçados pelo desaparecimento ou morte dos seus filhos. Recordamo-nos das palavras do Mestre falando dos últimos tempos, das tantas infelicidades que alcançariam a Humanidade.

Imaginamos quantas ainda deveremos enfrentar. Por isso, oração pelo nosso e pelo fortalecimento alheio. A prece nunca é inútil. Com certeza, não alteraremos a lei divina das provas e expiações dos que amamos e daqueles que nem conhecemos. Mas podemos lhes remeter vibrações de calma para as situações atormentadoras, resignação para as profundas dores. Lembremos quantas vezes as nossas preces acalmaram alguém em sentido pranto, quantas vezes asserenamos a angústia de um amigo...


Prece é fortalecimento moral. É na oração que o Divino Mestre demonstra toda Sua glória, no monte Tabor. Ele se plenifica de luz e estabelece sublime diálogo com o legislador Moisés e o profeta Elias, luminares do povo hebreu. Diante da tumba onde estava o corpo de Lázaro, Ele ora ao Pai. E depois convoca o amigo para reassumir o comando da vida que ainda não se findara. Antes da prisão, que determinaria Seu julgamento, suplício e morte, Ele ora, no Jardim das Oliveiras. E na cruz, encerra Sua prece com as palavras: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Como Jesus, roguemos para que os bons Espíritos, que têm por missão assistir os homens e conduzi-los pelo bom caminho, nos sustentem nas provas desta vida. Que as possamos suportar sem queixumes. Que nos livrem da influência daqueles que queiram nos induzir ao mal. Enfim, que este dia, apenas esboçado, seja de progresso, luz e paz. Horas abençoadas nos aguardam.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

A Oração

… O aposento secreto é, pois, um lugar de silêncio e de segredo. Os outros não devem perceber aquilo que dizeis, como o dizeis e a quem vos dirigis. É claro que algumas vezes não podereis impedi-los de se darem conta de que estais a orar. Mas, quanto menos eles se aperceberem, mais valor terá a vossa oração. Numa parábola, Jesus fala daquele fariseu que tinha subido ao templo de Jerusalém e que orava com grande ostentação… Pois bem, toda a sua atitude mostrava que ele não se encontrava no aposento secreto.

Podemos dizer que este aposento secreto é o coração, o silêncio do coração. Mas, evidentemente, o coração aqui não é o que corresponde ao plano astral, o lugar dos desejos inferiores, da avidez. O aposento secreto é o coração espiritual, quer dizer, a alma. Enquanto não se consegue chegar ao verdadeiro silêncio, não se penetrou nesse aposento. Há tantos "aposentos" no homem! E, de entre todos esses aposentos, muito poucas pessoas encontraram precisamente aquele em que o silêncio é valorizado. A maioria é desviada para os outros aposentos e é lá que ora; mas como aí não há aparelhos apropriados o Céu não recebe os seus pedidos.


Portanto, não é suficiente reservar um lugar da casa para a Divindade. Se, na verdade, quiserdes ser visitados, precisais de consagrar um lugar no vosso coração, na vossa alma, dizendo: "Este lugar é para o Senhor, ou para a Mãe Divina, ou para o Cristo, ou para o Arcanjo Miguel, porque - acreditai! - se houver um lugar para eles, eles virão.

Contudo, para que uma oração seja ouvida há que respeitar certas condições. Porque é que, por exemplo, os Iniciados do passado ensinaram o gesto de juntar as mãos quando se ora? É simbólico. É porque a verdadeira oração representa a união dos dois princípios: o coração e o intelecto. Se é o vosso coração que pede, mas o vosso pensamento não participa, não se junta a ele, a vossa oração não será recebida. Para ela ser recebida, tem que vir do coração e do intelecto, do pensamento e do sentimento, isto é, dos dois princípios, masculino e feminino, unidos.

Em quantos quadros se representam pessoas a orar, até crianças com as mãos juntas! Mas nunca se compreendeu a profundidade deste gesto. Isto não quer dizer que para orar é obrigatório juntar as mãos fisicamente. Não, não é a atitude física que conta, mas a atitude interior. É preciso juntar o coração e o intelecto, a alma e o espírito, porque é da sua união que resulta a força da oração. Nesse momento, projetais uma força para o Céu, em resposta, envia-vos a luz a paz. Portanto, ao mesmo tempo, vós dais e recebeis, sois ativos e receptivos.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Para onde nos conduzem os sonhos

Imagem e semelhança de Deus, somos Espíritos imortais. Nosso verdadeiro lar é o mundo espiritual. Estabeleceu Deus que, criados simples e ignorantes, todos peregrinássemos pelas tantas casas da Sua morada. E a lei que determina que tenhamos experiências para adquirir conhecimento e sentimento de excelência, se chama lei de progresso. Por isso, nascemos e renascemos muitas vezes em diversos mundos.

Como numa gradação vamos do jardim de infância, do bê-à-bá aos bancos universitários, jornadeamos pelos tantos mundos de Deus, periodicamente e por tempos limitados. E porque sentiríamos saudades do local de onde viemos, das criaturas com quem convivemos e que nem sempre vêm para o mundo material, na mesma época, criou Deus algo maravilhoso. Definiu que teríamos dia e noite. Lemos os versos poéticos no primeiro livro bíblico: Deus pôs na luz o nome de dia e na escuridão o nome de noite. A noite passou, e veio a manhã.

Assim temos as horas de trabalho, de estudo, de agitação. Para o repouso, adormecemos. Dorme o corpo enquanto o Espírito voa livre ao encontro das suas aspirações. Tudo o que se passa nesse período do sono reparador das energias físicas, tudo o que recordamos ao reabrir os olhos na carne, se chama sonho. O que fazemos quando dormimos depende de cada um de nós. Vamos ao encontro de outros seres que como nós se libertam parcialmente. Encontros de almas viventes.

Podemos ter amores, amigos reencarnados em outros lugares, distantes. Alguns que conhecemos nesta vida, com quem mantemos laços de afeto. Ou até criaturas de outras vidas, com as quais nunca mantivemos contato durante a vigília. Isso explica por que encontramos e conversamos com pessoas, que reconhecemos durante o sono, mas, ao acordarmos, não sabemos dizer quem eram.

Podemos ir para junto de companheiros de nível superior. Podemos viajar com eles, nos instruir com eles, talvez até colaborar em alguma ação benemérita. Se estamos com problemas graves, sofrendo, podemos ouvir exortações, conselhos dos bons Espíritos, daqueles que nos amam, que se interessam por nós. Eles nos transmitem bom ânimo, coragem.

Em certas circunstâncias muito graves, poderão nos abrir o leque de vida ou de vidas anteriores, para nos explicar o porquê dos sofrimentos que ora nos alcançam. Podemos ser avisados da nossa desencarnação, de quando se dará e, inclusive, preparados para aquele momento. Aproveitarmos muito bem essas horas de repouso físico, depende de cada um de nós. O que nos leva a considerar a importância de nos prepararmos para o sono. Entregarmo-nos a um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração. Fazermos uma leitura amena, nobre, entregando-nos à proteção dos bons Espíritos.


Ao despertar, busquemos extrair sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho. Em tudo há sempre uma lição. Busquemos percebê-la, sem fanatismo, nem impetuosidade. À noite, sonhamos. Preparemo-nos para bons e produtivos sonhos.

sábado, 20 de julho de 2024

Auxílio mútuo

Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno. Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritadiço:

Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente. O outro, porém, mais piedoso, considerou:

Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima sem perda de minutos. E avançou para diante em largas passadas.

O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido. A chuva gelada caiu, metódica, pela noite adentro, mas ele, amparando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que havia seguido à frente. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, numa vala do caminho alagado.

Seguindo à pressa e a sós, com a ideia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.

Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo… Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

As mais eloquentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que amparamos constituir-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide. Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina. 

sexta-feira, 19 de julho de 2024

As respostas do céu...

Se tendes a sensação de que a meditação e a oração vos trazem pouca coisa ou mesmo nada, é porque tentais elevar-vos sem antes vos terdes desembaraçado das vossas velhas vestes espessas, grosseiras, simbolicamente falando. Nessas condições, que quereis que a vossa alma possa receber?

A luz, as respostas do Céu, não podem vir até vós, não conseguem atravessar essa carapaça. Precisais de eliminá-la e apresentar-vos perante o Céu com vestes leves, transparentes, ou seja, começar por trabalhar para vos desembaraçardes das vossas cobiças, dos vossos calculismos, das vossas ideias falsas, das vossas mesquinhices. Quando o tiverdes conseguido, bastará fechardes os olhos para vos ligardes ao Céu, e sentireis as suas bênçãos afluírem a vós.

terça-feira, 9 de julho de 2024

Duas cerejeiras

Cena curiosa à beira do caminho. Duas árvores, duas cerejeiras plantadas no canteiro, próximo à calçada. Uma delas exuberante, repleta de vermelho, cheia de vida e chamando a atenção de quem passa. A outra, no entanto, a menos de cinco passos de distância, de aparência absolutamente oposta, totalmente seca, mirrada, como se estivesse morta. Causa estranhamento à vista de uns, causa pena a outros, olhar aquelas obras de Deus, assim, em desigualdade tão grande.

Estão no mesmo solo, recebem a mesma rega, o mesmo sol, mas tão distintas uma da outra. Um enigma. O tempo, contudo, tudo esclarece. As semanas passam, e o mistério é esclarecido. Quem olha com atenção, percebe que algo mudou significativamente: a bela cerejeira que antes estava florida, agora está desnuda, sem cores. E aquela que antes inspirava piedade, agora está deslumbrante e colorida. Cada uma teve seu tempo, cada uma realizou seu ciclo anual, em momento distinto, e ambas trouxeram beleza ao mundo da mesma forma.


O exemplo das cerejeiras é lição para a alma. Cada um de nós floresce em seu tempo, quando alcança as condições necessárias. Filhos que cresceram no mesmo lar, recebendo as mesmas condições de desenvolvimento, a rega do amor, a disciplina da poda, o sol da atenção, podem despertar em flor em momentos distintos.

Companheiros de coração endurecido, que se mostram insensíveis às dores alheias e que, muitas vezes, tornam a existência dos que os cercam um verdadeiro caos, também irão florir em seu tempo. Alguns, inclusive, podem até se manter como árvores secas durante uma ou algumas encarnações. Sua floração virá bem mais tarde. As semanas das árvores do caminho são séculos, milênios, por vezes, para as almas imortais. Por isso, saibamos cuidar e julgar com maturidade.

Em algumas ocasiões, agimos como o motorista apressado que, ao observar as duas árvores tão diferentes, logo conclui: Uma deu certo, a outra não! Ou ainda: Uma está viva, a outra morreu. A natureza é muito mais sábia do que imaginamos. Ela nos ensina a esperar e a saber olhar. Importante cuidarmos com os rótulos apressados. Pau que nasce torto pode sim, se endireitar. Aliás, nasceu justamente para isso. E ainda, não nasceu torto por um capricho da natureza, mas porque se tornou torto no passado. Rótulos são perigosos. Atrapalham e nada ajudam.

Todos têm jeito. Todos podem florir e vão florir. Talvez apenas não no tempo que nós esperamos ou que o mundo exige. Lembrando das árvores do caminho, aprendamos com a sabedoria do tempo. Olhemos mais vezes, olhemos o filme e não apenas a fotografia. Que a natureza continue nos ensinando e nos oferecendo essa visão ampla das coisas. Percebamos que na natureza nada é apressado, nada é instantâneo. Tudo se constrói, tudo se conquista. As leis divinas, que regem os mundos, são sábias. Aprendamos com elas. E, da próxima vez que observarmos uma árvore sem flores ou mesmo uma alma seca pelo caminho, recordemos das duas cerejeiras.